quarta-feira, 4 de abril de 2018

Usina é Usura




USINA

Antônio Roberto Kapi de Góis Cavalcanti

Usina:

Usina são uns olhos
despertos antes do sol,
a boca mal-lavada
num gole de café...
e um esfregar de mãos
para aquecer o dia.

Usina é uma longa
E curta caminhada,
Inventada em carrocerias,
carroças e bicicletas.

Ou um usar de pés
pra se fazer o dia.

Usina é um balé!
de lenços-de-cabeça,
camisas de xadrez,
foice e facão...
entre gole e outro
de café,

Usina é um apito
de sol a pino,
feito de marmitas,
quando os olhos nada dizem
e as bocas são limpas
por mãos em costas.

Usina é um gosto
(doce-amargo)
de uns caldos escorrendo,
ora nas moendas
ora nos moídos...

É um fazer de conta,
Pós-apito,
Na birosca ao lado
Com uns parceiros:
Um remedar da vida.

Depois
Um mal dormir
De pais e filhos
(de fome, de frio, de medo)
Para que antes que o sol
Se tenha despertado,

— USINA É USURA!

São uns olhos
Que se estendem
Quando em vez
À casa-grande...
São umas vidas
Escapando pela chaminé





terça-feira, 3 de abril de 2018

Oficina de Produção de Texto


Palco Kapi
Oficina de Produção de Texto
Início: Quinta Feira - 5/4
Das 14 às 17:00h -
Direção: Artur Gomes

GOYA TACÁ AMOPI

ao criar todo o universo
deus foi com campos perverso
tal como diz a piada
em terras de massapê
de vista a se perder
semeou povinho de nada
dizem ser deus brasileiro
mas eu digo que é fuleiro
o deus que fez isto aqui
pois quando criou o mundo
não hesitou um segundo
em esta terra punir

é praga de goitacá
é praga de mungunzá
é praga de jesuíta
é tanta desgraça junta
que ninguém mais se pergunta
por que terra tão maldita
e pensar que o paraíba
rasgando a serra em ferida
um dia pariu a planície
enfeitou-a de ingazeiros
e de pássaros trigueiros
e por fim nos deu habite-se
e nos deu tanta riqueza
que engalanada nobreza
pra do povo se servir

não mediu regras e esforços
dizimou a indiada
escravizou a negada
sem pena, dó ou remorso
e em seus campos primeiros
semeou mato brejeiro
transformando em aceiro
este jardim de delícias
cultuado em prosa e verso
por poetas ufanistas

“Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés”

êta destino perverso
que pra ti deus reservou
pois onde o verde se espraia
chove fuligem nas saias
do santíssimo salvador
pois dele é mais que preciso
proteger-se do inimigo
que em teus brejais hoje grassa
pois tanto que lhe usurparam
tanto que lhe ultrajaram
tanto lhe vilipendiaram
que caístes em desgraça

apesar do ouro negro
és em si nosso degredo
em ti somos expatriados
de ti somos extirpados
nada do que é seu é nosso
trazemos no peito remorso
já não temos amor próprio
mais andamos cabisbaixos
sem saber pronde seguir
goya tacá amopi
o que fizeram de ti
nesta virada de século
foi um estupro perverso
de colo seio e gentio
que em nada lembra o bravio
e ancestral goitacá

goya tacá amopi
mais que nunca precisamos
as tuas rédeas tomar
e recantar com prazer
os versos de azevedo
na música de perissé
e de você nos orgulhar

“Campos Formosa, intrépida amazona
do viridente plaino goitacás
predileta do luar como Verona
terra feita de luz e madrigais”

Antonio Roberto Góis Cavalcanti - Kapi
Obs.: poema vencedor do VII FestCampos de Poesia Falada - 2005

Fulinaíma MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com
(22)998125-1266 - whatsapp

obs.: interessados peçam endereço no inbox

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental

Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual



EuGênio Mallarmé

Meu ator preferido desabafava ontem comigo sobre as dificuldades de subir ao palco hoje para interpretar grandes personagens. Para ele não há mais diretores e produtores preocupados em produzir teatro, e sim, entretenimento, besteirol, stand up. Discípulo direto de Antonin Artaud reclama desse vazio monumental fazendo com que grandes atores se exilem dentro do seu próprio corpo.

Cristina Bezerra

“Quem sou eu?
De onde venho?
Sou Antonin Artaud
e basta que eu o diga
Como só eu o sei dizer
e imediatamente
hão de ver meu corpo
atual,
voar em pedaços
e se juntar
sob dez mil aspectos
diversos.

Um novo corpo
no qual nunca mais
poderão esquecer.
Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,
meu pai,
minha mãe,
e eu mesmo.
Eu represento Antonin Artaud!
Estou sempre
morto.Mas um vivo morto,
Um morto vivo.
Sou um morto
Sempre vivo.
A tragédia em cena já não me basta.
Quero transportá-la para minha vida.
Eu represento totalmente a minha vida.
Onde as pessoas procuram criar obras
de arte, eu pretendo mostrar o meu
espírito.
Não concebo uma obra de arte
dissociada da vida.
Este Artaud, mas, por falta do que fazer…
Eu, o senhor Antonin Artaud,
nascido em Marseille
no dia 4 de setembro de 1896,
eu sou Satã e eu sou Deus,
e pouco me importa a Virgem Maria.




quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

poética



poética

o gosto de romã na boca
morde  a minha boca
com  tua boca de mulher
o mal-me-quer floriu na cama
ainda agora
chegou a hora
de brotar um outro fruto
gozo absoluto
quando o amor vier

Artur Gomes


terça-feira, 21 de novembro de 2017

com os dentes cravados na memória

com os dentes cravados na memória 

com os dentes
cravados na memória
soletro teu nome
c a b o f r i o

barco bêbado naufragado fora do teu cais

caminho marítimo para as Índias
por onde talvez já passou meu pai

Artur Gomes 
www.pelegrafia.blogspot.com