fulinaíma

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

a flor da pele

a flor da pele


pontal.foto.grafia

Aqui,redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem –
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

Artur Gomes
In carNAvalha Gumes
http://goytacity.blogspot.com/

Viagem interpoética


entredentes 3

olhei a cara do tempo
ela estava fechada não me dizia nada
pensei as sagaranagens
qaue o tempo fazia comigo

peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem

agora o tempo sorri
me mostras os dentes da boca
e a tua cara de loca
é a minhafcara também

A lavra da palavra quero


a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma plavra
onde a lavra mora

se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua luanda vem não vá embora

se for poema fogo do desejo
quando for beijo que seja como agora

Porrada llírica


bolero blue

beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre entre os dentes
indecente é a forma que te bebo
como ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne quando sai

domingo, 19 de setembro de 2010

Marçal tupã



Marca registrada


May interperta artur gomes


Jura Secreta 41

porque te amo
e amor não tem pele
nome ou sobrenome
não adianta chamar
que ele não vem quando se quer
porque tem seus próprios códigos
e segredos

mas não tenha medo
pode sangrar pode doer
e ferir fundo
mas é razão
de estar no mundo
nem que seja por segundo
por um beijo
mesmo breve

porque te amo
no sol no sal no mar na neve

Artur Gomes
http://youtube.com/fulinaima

Mário faustino


Jura Secreta 106

ontem sonhei com você noite inteira
teus seios pulsavam em mim
não sei quando então começou
mas sei quando então foi assim

quanto mais pensava dormindo
sabendo meu ser acordado
fizemos amor dois alados
na cama imortal do jardim

os anjos do inferno rezavam
num gozo de nunca ter fim

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

boca do inferno



IndGesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
um computador nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade desta idade mídia
bão coca cola mais
nem aqui nem no inferno

baby é cadelinha

devemos não ter pressa a lâmina acesa sob o esterco de Vênus onde me perco mais me encontro menos de tudo o que não sei só fere mais quem menos sabe sabre de mim baioneta estética cortando os versos do teu descalabro visto uma vaca triste como a tua cara estrela cão gatilho morro: a poesia é o salto de um vara

disse-me uma vez só quem não me disse ferve o olho do tigre enquanto plasma letal a veia no líquido do além cavalo máquina meu coração quando engatilho devemos não ter pressa a lâmina acesa sob os demônios de Eros onde minto mais porque não veros fisto uma festa mais que tua vera cadela pão meu filho forro: a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa a lâmina acesa sob os panos quem incesta ? perfume o odor final do melodrama sobras de mim papel e resma impressão letal dos meus dedos imprensados misto uma merda amais que tua garra panela estrada grão socorro: a poesia é o fausto de uma farra

o que é que arde em tua boca bia
azeite sal pimenta e alho
carne krua do kralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que é que pulsa em tua boca bia?
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rio de águas sujas
onde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta/delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca boca bia?

Artur Gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com/

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Injúria Secreta

suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema

a palavrasque procuro
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa quando em mim transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus


Tecidos sobre a pele

Terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra
incestuosa de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
entrerra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta - avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo - o vão- estreito em cada porta

Usina
mói a cana
o caldo
e o bagaço

Usina
mói o braço
a carne
o osso

Usina
mói o sangue
a fruta
e o caroço

tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam:
- o saldo e o lucro.

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

O Brasil não é Honduras

leia no blog http://goytacity.blogspot.com/

Vitor Biglione: suíte para Jimmi Hendrix
Leia no blog: http://mania-de-saude.blogspot.com/

a chama da vela acesa
teu corpo me arde
em chamas

jura secreta 116
para carolina zimerman

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais
fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejo
é tua bocano lençol dos dias?

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/



Fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll

pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/



SampleAndo

o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um tiro oculto sobo céu aberto
estrelas de neon em vênus
refletindo pregos no meu peito em cruz

na paulista consolação na água branca barra funda
metal de prata desta lua que me inunda
num beijomsujo como a estação da luz

nos vídeos/filmes de TV
eu quero um clipe nos teus seios quntes
uma cilada em tuas coxas japa
como uma flecha em tuas costas índia
eu quero a rota teu país ou mapa

teu território devastar inteiro
como uma vela ao mar de fevereiro
molhar teu cio e me esquecer na lapa

Olá Artur
Palavras curtas e objetivas se destrincham neste vídeo da jura 116! Sempre muito interessante a forma meticulosa que você lida com as palavras. Talvez existam duas escolhas para quem escreve:

Deixar que as letras passem em vão e embaçadas misturando-se sem nexo algum diante de olhares estáticos sem atingir o magnetismo da alma artística ou ressoar as retinas alavancando os cinco sentidos de quem liberta sem receios novas chamas acesas em formas de palavras por aí.

Acredito que sua misão é alavancar os sentidos!!!

Por isso desejo que você passe muita fome entre os dedos e um pouco de sede se for preciso!rsrsrsrsrUma linda semana para ti

Abraço - Alcinéia - Corumbataí-SP



Boca do Inferno

por mais que te amar seja uma zorra
eu te confesso amor pagão
não tem de ter perdão pra nós
eu qauero mais é teu pudor de dama
despetalando em meus lençóis

e se tiver que me matar que seja
e se eu tiver que te matar que morra

em cada beijo que te der amando
só vale o gozo quando for eterno
infernizando os céus
e santificando a boca do inferno

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/


Olá Artur, poeta adoidado que destrambelha as palavras entre os dias corridos de surpresas e incertezas da multidão! Você sabe que aprecio seus vídeos e de março para cá, depois de provar o sabor de suas poesias, meu gosto ficou bem mais exigente e perceptivo, mesmo porque para mim de nada vale uma Arte simplesmente decorativa ou que grite, rasgue os verbos soltando no ar apenas o que a sociedade quer ouvir, de nada valeria, continuaria muda por aí.

A Arte está no caminho que você segue, tocando as feridas, abrindo novos olhares para a realidade que se dissolve entre elementos simples escondidos dentro de nós mesmos, mas que muitas vezes ficam sufocados nas sombras que nos cercam. A Arte falada, de trabalhar as palavras entre os beiços molhados, sempre estará no limite do êxtase pois ela se abriga na ponta da arma mais perigosa dos homens que é a própria língua,risos..., que pode atirar sonoridade no ar libertando toda expressão e pensamento dos corpos vivos que não suportariam vegetar pelos cantos calados.

Adorei e adorei esta mistura sonora e platônica das palavras do vídeo que se misturam de forma irônica fazendo cócegas nos ouvidos dos que a ouvem e nas mãos de quem as escrevem para se soltarem livres gargalhando por entre estes grandes espaços sedentos de alguns goles de expressão. Um lindo final de semana! E desculpa mais uma vez por eu escrever demais risos... nem coube aí em baixo, é que penso para me deparar com os dedos de frente em um teclado de computador, eles parecem uma metralhadora ,risos....vê se pode?

Alcinéia – Corumbataí-SP