fulinaíma

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

PARA NÃO VIRAR UM IRAQUE

Laerte Braga

É inegável que o atual governador do Rio Sérgio Cabral decidiu enfrentar o crime organizado, o tráfico de drogas especificamente. Mas é preocupante constatar que o aparelho policial é em boa parte corrupto e ao longo de muito tempo vem favorecendo e sendo cúmplice do crime. É despreparado para ações de grande envergadura (exceto quando trata de professores reivindicando melhorias salariais, movimentos sociais buscando reforma agrária, etc).

Esse despreparo não é só conseqüência de baixos salários e falta de estrutura, é de corrupção também. Não é da natureza das forças armadas intervir em conflitos dessa natureza, mas o apoio emprestado pelas três armas tornou possível que as polícias militar e civil do Rio de Janeiro viabilizassem operações concretas contra os traficantes. Nem é cabível colocar a culpa no governador.

As chamadas Unidades de Polícia Pacificadora foram como que estopim para a reação do tráfico. Estava perdendo espaço. É claro que a imensa e esmagadora maioria da população favelada do Rio de Janeiro e em qualquer lugar é ordeira, formada por trabalhadores e vive atemorizada pelo tráfico, até pela ausência do Estado. Existem no ar muitos outros bichos voando além dos aviões da carreira.

É preciso, por exemplo, ir fundo na questão das milícias. O embrião dessas organizações está lá nos tempos da ditadura, no antigo esquadrão da morte, em organizações como a Escuderia Le Coq. Funcionavam à margem da lei, no discurso de defesa da lei da ordem diante da ausência do Estado. No fundo eram organizações criminosas ligadas ao jogo do bicho, à época senhor absoluto do crime organizado no Rio de Janeiro. Um dos principais banqueiros, o capitão Guimarães, era de fato capitão do exército e ligado aos grupos de tortura àquela época. Foi cooptado.

As primeiras tentativas de combater de forma efetiva o tráfico de drogas começaram no governo Leonel Brizola e se estendiam para além da ação policial pura e simples. Os CIEPS eram uma raiz de uma árvore que se plantava para gerar frutos a médio e longos prazos. As organizações GLOBO, por interesses comerciais, econômicos, trataram de criar um “vínculo” inexistente entre o governador Brizola e o crime organizado.

Se nos reportarmos ao Rio de Janeiro da ditadura militar, governos como os de Chagas Freitas, Marcelo de Alencar, Wellington Moreira Franco foram omissos em matéria de políticas de segurança. Desde o feijão com o arroz ao planejamento a médio e longo prazo. A retomada das grandes facões criminosa ocorreu nos governos de Anthony e Rosinha Garotinho, principais responsáveis pela formação das milícias.

Responsáveis e comandante no caso de Anthony Garotinho. Usando setores das igrejas evangélicas ligadas e controladas por ele o governo entrou nos presídios, nas favelas, formou os grupos de milicianos (a maior parte deles com policiais militares e civis) e gerou um imenso aparato de controle político do estado, tanto quanto de lucro em operações de “proteção”. O distinto cidadão pagar um valor qualquer para ficar livre do tráfico. Em pouco tempo milícias e tráfico se articularam e se organizaram para atuar em conjunto, ainda que pareçam antagônicas.

Uma aliança estratégica. Um dos secretários de segurança do governo Garotinho, Álvaro Lins, foi preso e perdeu o mandato de deputado estadual por suas ligações com essas milícias. Na campanha eleitoral de 2006 numa das favelas do Rio o deputado Marcelo Itagiba, também do esquema Garotinho recebeu 18 mil votos com ostensivo apoio das milícias e do tráfico.

Nenhum outro candidato conseguiu fazer campanha naquela favela. A exacerbação dos fatos via mídia, sobretudo pela rede GLOBO por pouco não atinge às raias da insanidade. É simples entender porque não chegaram a tanto. O GLOBO detém os direitos de transmissão da Copa do Mundo e em 2014 a competição será no Rio. Terminada a Copa, se prepare a RECORDE, que detém os direitos em relação às Olimpíadas, 2016. Por trás da fingida indignação os “negócios”.

No caso do jornalista TIM Lopes a rede tirou o corpo fora de todas as formas possíveis, como revelou o jornalista Mário Augusto Jakobskind e livro detalhado e minucioso sobre o assunto. A questão para essa gente não é acabar com o tráfico de drogas, mesmo porque os chefões estão nos bairros das elites, ou são presidentes, como era Álvaro Uribe na Colômbia.

O diretor do BBB, o tal Boninho, admitiu em determinado momento ser consumidor de drogas e a seu talante e de seus amigos determinavam quem era “vadia” ou não e “vadias” eram aquinhoadas com baldes de água suja. O câncer da sociedade está aí, o crime organizado nasce aí. A ação policial é necessária, mas a reestruturação das polícias, o fim da polícia militar e o surgimento da instituição polícia em sua essência, como força de prevenção e combate ao crime é fundamental. Não interessa às elites. Como não interessa uma profunda reforma do Judiciário, nas várias mazelas que enfrenta, inclusive a corrupção em alguns setores.

Daniel Dantas, por exemplo está solto e o delegado Protógenes Queiroz condenado. E Gilmar Mendes continua ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). O Rio é vítima de traficantes, de milícias justiceiras (mas altamente lucrativas para o ex-governador Garotinho e seus cúmplices, inclusive setores de igrejas evangélicas) e o desafio que o governador Sérgio Cabral tem pela frente, nesse seu segundo mandato, já que se dispôs a enfrentar as quadrilhas que controlam o estado, atemorizam a população, passa por aí.

Como o respeito pelos direitos humanos é fundamental. Há policiais do BOPE envolvidos em crimes, inclusive seqüestros. Em breve, como os antigos “HOMENS DE OURO” da polícia carioca (era o antigo estado da Guanabara), essa linha entre a lei e o crime vai acabar sendo cruzada. É sedutora e se confere uma força e uma imagem exageradas a policiais que em boa parte das ações que desfecha viola direitos básicos do cidadão e exibe uma sociedade boçal, bárbara, violenta.

Quem não se lembra de Mariel Mariscot? O endeusamento daquele policial é semelhante ao que se faz hoje dos policiais do BOPE. Há uma cultura da violência e da barbárie sendo vendida. Os fatos acontecidos nos últimos dias no Rio foram uma reação às Unidades de Polícia Pacificadora. É preciso ir mais longe que ocupar as favelas do Cruzeiro e do Alemão e depois, como previsto, a Rocinha. É necessário identificar os freqüentadores de salões requintados que comandam toda essa estrutura criminosa.

E não há no Rio cidadão consciente que não saiba que um dos chefões é o ex-governador Anthony Garotinho. Não tem diferença nenhuma, só no status, para qualquer Elias Maluco, ou Marcinho VP, ou Fernandinho Beira-mar. O que a mídia tenta fazer é transformar o Rio num grande Iraque e prosseguir impávida em seus “negócios”. Vem aí a edição do BBB-11.

A vitória deste domingo deve ser seguida de políticas públicas de educação, saúde, saneamento básico e outras capazes de integrar essa massa de cidadãos afastados e abandonados pelo Estado. É diferente de quando um filho de um “condomínio fechado” foi preso por crimes vários e seu pai não o queria na cadeia ao lado de “marginais da favela”. Um detalhe decisivo. Não vai ser só subir o Alemão do contrário, quando saírem, os traficantes voltam e os moradores vão pagar o pato.

É imensa a responsabilidade do governo da cidade, do estado e federal. Do contrário, daqui a pouco, William Bonner vai estar gritando histérico que estamos virando um Iraque e pedindo a presença dos mariners norte-americanos. Reply Forward

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Se o Estadão pode




Posted by eduguim on 26/11/10 • Categorized as Opinião do blog
Há milhões de coisas a dizer sobre a entrevista coletiva que o presidente Lula concedeu aos auto-proclamados blogueiros progressistas. Antes, porém, há que abordar os ataques da grande imprensa a eles.
Diante das críticas a esses setores da imprensa que permearam tal entrevista coletiva, esse colegiado de impérios de comunicação passou recibo do fato de que surgiu um ente capaz de se contrapor ao seu engajamento político na oposição partidária ao governo federal.
Essa grande imprensa que teve que ficar do lado de fora do Palácio do Planalto enquanto acontecia uma entrevista coletiva do presidente da República a simples blogueiros – alguns sem formação jornalística, como este que escreve –, não hesitou e partiu furiosamente para o ataque contra eles.
Globo, Folha de São Paulo e Estadão – além de jornais menores, de algumas tevês abertas (como o SBT) e de todos os portais de internet – evitaram abordar as questões feitas a Lula. No máximo, como no caso da Folha, fizeram alguns comentários laterais sobre os temas abordados, mas se concentraram no suposto viés “chapa-branca” dos blogueiros.
Quando saímos do Palácio do Planalto por volta da hora do almoço do último dia 24 – tendo chegado lá por volta das oito horas da manhã –, repórteres de O Globo e da Folha nos esperavam.
O jovem repórter da Folha que nos entrevistou, chama-se Breno Costa. Ele escreveu o seguinte:

Em entrevista a blogs pró-governo, Lula faz críticas à imprensa
Presidente diz que mídia praticou “leviandades” e “inverdades” contra ele e diz que vai virar blogueiro
Dos 10 blogs escolhidos para sabatina, 8 apoiam governo; petista critica Serra por agressão na eleição, e tucano revida
BRENO COSTA
DE BRASÍLIA
Na primeira entrevista já concedida a um grupo de blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os entrevistadores se uniram nas críticas à grande imprensa.
Dez blogueiros autoclassificados “progressistas” participaram da entrevista, de duas horas, na manhã de ontem no Palácio do Planalto.
Um dos blogueiros, Altamiro Borges, é filiado ao PC do B. Outro, conhecido como “Sr. Cloaca” [ele não revela o nome], é assessor de imprensa de político do PT no Rio Grande do Sul, cujo nome também não revelou.
O blog Amigos do Presidente Lula, que não estava na lista divulgada pelo Planalto, também participou. O Planalto disse que o blog não entrou na lista por “erro”.
Dos 10 sites, 8 têm como linha a defesa do governo Lula e se alinharam, na eleição, à candidatura de Dilma Rousseff, reproduzindo uma série de ataques ao candidato do PSDB, José Serra. Os outros têm uma linha mais neutra.
O blogueiro Eduardo Guimarães, fundador do Movimento dos Sem Mídia, que já fez protestos em frente à Folha, citou a sigla “PIG”. Coube ao secretário de imprensa do Planalto, Nelson Breve, traduzi-la a Lula: “PIG é o que ele chama de Partido da Imprensa Golpista”.
Ao lado do ministro Franklin Martins (Comunicação Social), Lula voltou a afirmar que não lê jornais e revistas, mas que, quando sair da Presidência, vai “reler tudo”.
“Eu quero saber a quantidade de leviandades, de inverdades que foram ditas a meu respeito, quantas coisas que não foram ditas.”

Ainda sobre a relação com a imprensa, disse que “o jogo não é fácil”. “Sobretudo quando você não quer se curvar.” Afirmou que órgãos de imprensa se assustaram com sua popularidade “pois trabalharam o tempo inteiro para não acontecer isso”.
Para Lula, que prometeu virar “blogueiro e tuiteiro”, “não existe maior censura do que a ideia de que a mídia não pode ser criticada”.
O presidente voltou a defender uma regulação da mídia, mas rechaçou a ideia de censura. Ele quer entregar ao menos um esboço de marco regulatório para o setor.
Lula ainda disse que o pior momento vivido em seu governo foi o dia do acidente da TAM, em São Paulo, que deixou 199 mortos. “Nunca vi tanta leviandade”, disse, sobre a cobertura da mídia.

Afirmou que sentiu “alívio” ao descobrir que não houve falha do governo e que o acidente tinha sido provocado, essencialmente, por erro humano. “Foi uma sensação de alívio por ter descoberto a verdade.”
SERRA
Lula também retomou o episódio da agressão a Serra por militantes ligados ao PT em ato de campanha no Rio.
Ele voltou a dizer que o tucano simulou uma agressão grave, e se disse “decepcionado” com a Globo. “Foi uma cena patética, uma desfaçatez. Fiquei decepcionado [com a Globo] porque quiseram inventar uma outra história, um objeto invisível que até agora não mostraram.”
Serra, que estava ontem em Brasília, respondeu. “Como foi comprovado, foi um outro objeto atirado em mim, inclusive está filmado, e o presidente sabe disso.” O tucano continuou: “Lula talvez já tenha começado sua campanha para 2014, dizendo mentiras inclusive”.
IRÃ E STF
Lula defendeu a relação com o presidente Mahmoud Ahmadinejad e tentou explicar a posição do iraniano sobre o holocausto. “Ele explicou que o que quis dizer, na verdade, era que morreram 70 milhões de pessoas na Segunda Guerra, e parece que só morreram judeus”, disse.
Ele afirmou que deixará a indicação do novo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) para Dilma Rousseff, no caso de o Senado não sabatinar o escolhido até o próximo dia 17, quando o Congresso entra em recesso.
Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, e Cesar Asfor Rocha, presidente do Superior Tribunal de Justiça, são os mais cotados.
O que o editor deste blog disse ao jovem repórter Breno, porém, não saiu na matéria que ele fez. Começou a entrevista comigo perguntando se seria válido fazermos uma entrevista tão pouco questionadora ao presidente.
A resposta foi a de que não haveria sentido em os blogueiros fazerem o mesmo que a grande imprensa fez durante oito anos ininterruptos e a de que se o Estadão pode apoiar explicitamente um político, como fez ao declarar voto em José Serra durante a recente campanha eleitoral, blogueiros também podem.
Não se viu algum desses grandes jornais dizer sobre o Estadão o que disseram Folha e O Globo – este, mais virulento, tratou de insultar o blogueiros, chamando-os de “chapas-brancas” e dizendo que o que fazem “não é jornalismo” – apesar de o centenário jornal paulista ter se engajado na campanha do candidato tucano.
O jovem repórter Breno também me fez a indefectível questão sobre os blogueiros defenderem “censura” à imprensa. Disse a ele que isso era uma bobagem, até porque o lema do Movimento dos Sem Mídia é “Que a mídia fale, mas não me cale”.
Quando o signatário deste blog ponderou que enquanto a mídia afirma que o governo Lula pretenderia censurá-la o Brasil sobe 13 posições no ranking de liberdade de imprensa da ONG internacional “Repórteres sem fronteiras”, o repórter da Folha terminou a entrevista.
Esses meios de comunicação também usaram uma outra estratégia para darem um ar bisonho aos blogueiros que entrevistaram Lula. Escolheram o impagável Willians de Barros, o “senhor Cloaca”, como “logotipo” da Blogosfera.
O Globo nos chamou ontem, aos blogueiros, de Cloaca e outros amigos de Lula. E destacou o suposto caráter “apócrifo” do blog Cloaca News. A Folha, hoje, usa a entrevista que também fez com Barros na porta do Palácio do Planalto para acusá-lo de partidário.

Entrevista a blogueiros não foi chapa-branca, diz “Sr. Cloaca”
BRENO COSTA
DE BRASÍLIA
BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO
Convidado para o encontro do presidente Lula com blogueiros que se classificam como “progressistas”, o publicitário William Barros, que se apresenta na internet como “Sr. Cloaca”, afirmou que o evento “não foi uma entrevista chapa-branca”.
Ele disse que o tom da conversa, marcada por elogios ao governo e ataques à imprensa, surpreendeu. “Achavam que seria chapa-branca, inclusive os leitores dos blogs. Mas não foi!”
Barros escreve no blog “Cloaca News”, cujo subtítulo é “As últimas do jornalismo de esgoto”. A página se dedica a defender Lula e a atacar políticos de oposição.

O tópico mais citado é “José Serra”: até ontem, havia 142 posts contra o tucano. Outro alvo preferencial são os veículos de comunicação, chamados de “imprensa golpista” e “máfia midiática”.
O blogueiro assessora políticos do PT-RS, mas evitou o assunto. “Não é importante, não sou famoso. Famoso é o Sr. Cloaca”, disse. O site tem link para o portal do futuro governo de Tarso Genro (PT).
Animado, ele se posicionou ao lado de Lula para a foto oficial. Após o clique, deixou o Planalto gabando-se da notoriedade instantânea. “O Lula me chamou depois… “Vem cá, ô Cloaquinha!’”
O dicionário Houaiss explica o tom jocoso usado por esses jornais em relação ao “Senhor Cloaca”. O dicionário define assim o substantivo feminino cloaca:
1 fossa, canal ou cano destinado a receber dejeções
2 coletor de esgoto
3 vaso sanitário; latrina
4 escoadouro de águas; vala, sarjeta
5 depósito de imundícies; monturo
6 tudo o que é imundo, que tem mau cheiro
7 nos anfíbios, répteis, aves e muitos peixes, câmara comum onde os sistemas digestivo, excretor e reprodutor descarregam seus produtos
A tentativa é a de transformar a inteligente sátira que faz o blogueiro Willians de Barros em uma espécie de caráter “sujo” dos blogueiros. É uma variante da qualificação de Serra sobre “blogueiros sujos”.
O mais interessante é que, ao atacar os blogueiros que entrevistaram Lula sem lhes dar espaço para se manifestar, essa dita “grande imprensa” provoca curiosidade em seu público. Há pelo menos um ano que ela faz isso e, enquanto faz, os blogs vão ganhando audiência.
Os blogueiros temos tanto direito quanto o Estadão de manifestar nossa posição política. Não existe nada de anti-jornalístico ou “chapa-branca” no trabalho que fazemos, porquanto deixamos clara a nossa posição tanto quanto o centenário jornal paulista. Somos, Estadão e blogueiros, bem mais honestos do que Folha e O Globo

Cantinho do Poeta Quartas Culturais

Pontal

Dia 1 dezembro 21 horas
Encenação teatral com poemas de
Aluysio Abreu Barbosa, Adriana Medeiros,
Antônio Roberto(Kapi) e Artur Gomes.
com Artur Gomes, Yvi Carvalho e Sidney Navarro
Direção: Kapi
Local: Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 – Campos dos Goytacazes-RJ

a flor da pele – pontal foto grafia


texto de Dougals da Mata sobe a violência no Rio
leia aqui http://goytacity.blogspot.com

Pontal Foto.Grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no AR

caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem –
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

arturgomes
leia mais aqui http://artur-gomes.blogspot.com

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sarau Palavras Diversas


barra de são joão - foto: artur gomes


Dia 24 novembro 21 horas
Cantinho do Poeta Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ

Encontro Regional de Blogueiros Progressistas
Leia aqui http://goytacity.blogspot.com/

Censura na internet o próximo passo
Aqui http://artur-gomes.blogspot.com/

Nós in Bento Gonçalves





tropicalirismo


girassóis pousando
nu teu corpo
festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/


MP processa governo Aécio Neves por prender ilegamente e humilhar quilombolas, favorecendo fazendeiros

"... os quilombolas foram mantidos ilegalmente presos e algemados, de pé, na porta do quartel da Polícia Militar em Porteirinha, em pleno centro da cidade, ... ficando ali expostos por mais de 03 horas ao opróbrio público, qual escravos fujões recém-capturados pelo capitão-do-mato..."

O texto acima não é um extraído de um romance de ficção do Século XIX. Faz parte da ação civil ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Fundação Cultural Palmares, pedindo que o Estado de Minas Gerais seja condenado a pagar indenização por danos morais coletivos em virtude de arbitrariedades cometidas pela Polícia Militar mineira contra três comunidades quilombolas: Povo Gorutubano, Brejo dos Crioulos e Lapinha.
Em diversas operações da Polícia Militar, os integrantes das comunidades quilombolas foram, de forma ilegal, ameaçados, algemados e expostos a humilhações públicas. Houve caso em que até crianças de 4, 6 e 7 anos de idade foram detidas.

Em duas oportunidades, os policiais, fortemente armados, agiram a pedido de fazendeiros, sem qualquer ordem judicial que os amparasse. Nessas ocasiões, as ações policiais aconteceram a pretexto de desocupar terras ocupadas pacificamente por famílias quilombolas.

No primeiro caso, ocorrido em 2006 (sob o governo de Aécio Neves), 15 policiais, fortemente armados e sem mandado judicial, invadiram e destruíram acampamento montado por famílias gorutubanas, apreenderam suas ferramentas de trabalho, algemaram todos eles uns aos outros e conduziram-nos, presos - inclusive três crianças -, num percurso de 60 km, até o quartel da Polícia Militar da cidade de Porteirinha.

Lá chegando, os quilombolas foram mantidos ilegalmente presos e algemados, de pé, na porta do quartel, em pleno centro da cidade, ficando ali expostos por mais de três horas, “qual escravos fujões recém-capturados pelo capitão-do-mato", narra a ação.

Várias testemunhas contaram que, enquanto estavam ali, os fazendeiros que disputam terras com os quilombolas, passavam por eles a todo instante, fazendo escárnio, chacotas, proferindo palavras de ofensa e humilhação.

Para o procurador da República, “o que mais choca nos relatos é que, em pleno século XXI, cidadãos brasileiros foram tratados de fato como escravos rebeldes. A única diferença é que as grossas correntes foram substituídas por algemas. Mas a exposição pública, a humilhação, o desrespeito à dignidade humana, estavam todos lá”.

A prisão dos quilombolas não foi comunicada nem ao promotor de Justiça, nem ao juiz da cidade e eles só foram soltos após a chegada ao local do advogado da associação.

Esse é apenas um dos casos, talvez o mais cruel, narrados na ação, embora os abusos cometidos contra as comunidades de Brejo dos Crioulos e Lapinha também sejam de mesma natureza e igualmente chocantes (veja o inteiro teor da ação, com a descrição completa dos fatos).

Segundo os autores, os efeitos das operações militares, na verdade, não se restringem apenas às comunidades quilombolas diretamente ofendidas: “Esses efeitos espraiam-se, de maneira difusa, a todo o movimento quilombola, cujas comunidades ficam amedrontadas e temerosas de lutar por seus direitos, tendo em vista a violência das operações”.

Sem generalizar a acusação para bons policiais que respeitam a cidadnia, o MPF expediu recomendação ao Comando-geral da PM para que instrua seus policiais a agirem dentro da legalidade (por exemplo, só ingressarem no interior dos territórios das comunidades munidos de mandado judicial) e sem qualquer abordagem de cunho coativo ou intimidatório.
Para o procurador, “no ambiente democrático em que vivemos, essas atitudes policiais são absolutamente intoleráveis. A Polícia Militar não tem a prerrogativa de importunar os cidadãos, acusando-os sem prova e, pior, coagindo-os a prestar informações e ameaçando-os com represálias e retaliações, como aconteceu na operação realizada contra a Comunidade de Lapinha.

O MPF lembra que é a própria Constituição que assegura às comunidades quilombolas o direito de propriedade definitiva das terras por eles ocupadas.

A ação indenização coletiva no valor mínimo de R$ 4,5 milhões, e que seja revertida em favor das comunidades para o custeio das despesas dos respectivos processos de regularização fundiária.(Do MPF/MG)
Enviar por email Por: Zé Augusto

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pátria armada, Brasil - FREI BETTO

Houve uma grita na mídia quando a Rússia, há pouco, vendeu à Venezuela cerca de US$ 4 bilhões em armas. Interrogações acima de qualquer suspeita logo brotaram: o que pretende Chávez? Declarar guerra à vizinha Colômbia? Dar um golpe de estado e governar como ditador?

Em setembro de 2010, o Congressodos EUA divulgou relatório sobre os países em desenvolvimento que, em 2009, mais compraram armas. O Brasil é o primeiro da lista. Gastou US$ 7,2 bilhões(cerca de R$ 12,24 bilhões) em armamentos. Preste atenção: o orçamento do Bolsa Família, em 2010, foi de R$ 13,7 bilhões.

Em gastos bélicos, atrás do Brasil seguem Venezuela (US$ 6,4 bilhões), Arábia Saudita (US$ 4,2 bilhões) e Taiwan (US$ 3,8 bilhões). No período entre 2002 e 2009, Brasil e Venezuela aparecem entre os 10 primeiros compradores de armas no mundo em desenvolvimento.

Entre 2006 e 2009, a América Latina quadruplicou seus gastos em armamentos: pulou de US$ 5,763 bilhões para US$ 23,726 bilhões.

Outra novidade é a Rússia suplantar os EUA como principal vendedora de armas para a América Latina. Entre 2002 e 2005, Moscou vendeu apenas US$ 600 milhões, enquanto Tio Sam faturou US$ 1,362 bilhão. Mas, entre 2006 e 2009, a Rússia vendeu US$ 11,1 bilhões - quase 50% do mercado latinoamericano - e os EUA apenas US$ 2,426 bilhões, pouco mais de 10% do mercado continental.

O segundo lugar pertence, agora, à França. Até 2005, este país abocanhava apenas 5% do mercado latinoamericano, com vendas que não ultrapassavam US$300 milhões. Entre 2006 e 2009, passou a vender US$ 6,3 bilhões, cerca de25% do total, superando os EUA.

Segundo o Ministério da Defesa da França, o Brasil é, hoje, o maior importador de armas fabricadas por aquele país. Os contratos assinados entre os governos Lula e Sarkozy, de 2005 a 2009, somam R$ 12,8 bilhões. As importações brasileiras de armas da França pularam de US$ 101 milhões, em 2005, para US$ 3,8 bilhões, em 2009, salto de 3.700%.

O relatório francês revela que a predominância do Brasil se deu graças sobretudo à aquisição de submarinos do tipo Scopèrne. Em Brasília, o Ministério do Desenvolvimento não divulga valores de importação de armas estratégicas.

As compras de armas comuns (fuzis, bombas e artilharia) feitas pelo Brasil de diversos parceiros subiram de R$ 8,5 milhões em 2005 para R$ 46 milhõesem 2009, um aumento de 440%. A conta exclui equipamentos pesados, como submarinos e aviões.

Em dezembro de 2002, quando Bush pediu a Lula o apoio do Brasil à invasão do Iraque, o presidente eleito respondeu: "Nossa guerra não é para tirar vidas e sim para salvá-las. Vamos combater a fome!" Por que, em vez de volta da CPMF, não se aplica igual valor do orçamento militar na melhoria da saúde, da educação, da preservação ambiental e da qualidade de vida de nossa população?

O relatório mostra ainda que a França exportou, em 2009, 7,2% dos armamentos no mundo. Ficou atrás dos EUA, responsáveis por 52% das exportações mundiais; do Reino Unido, com 13,4%; e da Rússia, com 8,4%.

O lobby bélico é mundialmente poderoso, pois a indústria da morte assegura a vida abastada dos que obtêm, graças a ela, abundantes lucros.

Contudo, já não multiplica empregos, como o comprova a atual conjuntura dos EUA. As novas tecnologias dispensam mão de obra numerosa.

Lamento que os bispos que se indignam com a proposta de descriminalização do aborto não digam uma palavra quando se trata da produção e do comércio de armas.

Segundo o TSE, no Brasil os fabricantes de armas destinaram, nas últimaseleições, R$ 1,55 milhão a candidatos.

É a "bancada da bala", empenhada em evitar qualquer restrição legal ao setor. E quem agradece são os narcotraficantes, que, refugiados no alto de favelas, possuem armas de última geração, a ponto de derrubarem helicópteros da polícia.

Cerca de 40 mil pessoas morrem assassinadas, por ano, no Brasil, vítimas de armas de fogo.

A paz jamais virá do equilíbrio de forças. Como profetizava Isaías há séculos, ela resultará, sim, da promoção da justiça, o que supõe desarmamento de espíritos e fim dos arsenais.


Sinal dos tempos: BB vai comprar banco nos Estados Unidos

O Banco do Brasil acaba de selecionar o banco que pretende comprar nos Estados Unidos, conforme informações divulgadas nesta terça-feira pelo vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do BB, Ivan de Souza Monteiro. O executivo não revelou o nome da instituição, mas disse que o negócio pode ser fechado ainda neste ano.

Já identificamos um banco que está próximo aos brasileiros (residentesnos EUA), afirmou Monteiro, que participou de evento em São Paulo para a divulgação do balanço do terceiro trimestre do banco. Acredito que (o negócio) pode acontecer ainda neste ano, completou o executivo.

Expansão no exterior

Quando questionado sobre o possível interesse do BB na fatia do BancoPanamericano pertencente ao Grupo Silvio Santos, Monteiro afirmou que não viu oportunidades no negócio.

Segundo o executivo, as operações de crédito do Banco do Brasil são seguras. As aquisições de carteira do BB no mercado representam 4% do total dos ativos totais de crédito do banco, sendo que o Banco PanAmericano representa apenas 5% dessa parcela. O banco adquire carteira e continuará a adquirir. Nada vai mudar, afirmou.

Maior instituição financeira do país, o BB apresentou lucro líquido de R$ 2,6 bilhões no terceiro trimestre, resultado 32,7% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado. O balanço do BB foi comunicado ao mercado nesta terça-feira. Nos nove primeiros meses deste ano a instituição lucrou R$ 7,7 bilhões, 28,5% acima do mesmo período de 2009.

O rico mercado de fusões e aquisições reflete o movimento de concentração e centralização do capital e mobiliza trilhões de dólares em todo o mundo. A crescente participação do Brasil em aquisições no exterior é um sinal dos tempos. Traduz a expansão das multinacionais verde e amarelo e tem muito a ver com o declínio da liderança econômica de Tio Sam no mundo, fenômeno que vem rolando há muitos anos e que ganhou um impulso extraordinário com a crise iniciada no final de 2007. Não foram poucas as falências no sistema bancário, o que ampliou a oferta de ativos.

A oferta de bancos lá [nos EUA] é grande?, informou Monteiro. Analisamos um conjunto de bancos e escolhemos o que tem atuação na região onde há mais concentração de brasileiros. Ele não cita locais, mas de acordo com a indicação, o banco fica na Costa Leste americana, já que Nova York e Flórida são pontos de concentração de brasileiros.
http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=2&id_noticia=141644

Rodrigo Brandão - jornalista brasileducom.blogspot.com

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

por onde anda raian rúbia




Por onde anda raian rúbia


Alguma poesia


Café Literário – Dia 14 às 18:00h
Bienal do Livro de Campos
Artur Gomes e Fabrício Carpinejar
Mediador: Dedé Muylaert
Leia mais aqui: http://artur-gomes.blogspot.com/


Isadora

onde teus pés bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos bailarina olham
um gato passeia no teu colo
e na vidraça o giz derrama poesia
escritas com punhos de ontem
em tua cidade de serras

onde teus braços bailarina
sustentam tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas de chuva
para que teus vinhedos não cessem
esteja sempre em meus caminhos
e deles brotem da flor o fruto sagrado
e os teus segredos guardados
entre os teus lábios de vinho

arturgomes
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Luiz Ribeiro In Memória

Marca Registrada Luiz Ribeiro


Uma caneta pelo amor de Deus


Estaremos hoje ao lado de Angelo Nani e banda, às 21:00h na Bienal do Livro de Campos, fazendo uma homenagem a Luiz Ribeiro, nosso eterno parceiro, memória vida do Rock em Campos dos Goytazes. Algo maior também nesse sentido estásendo preparado por Romualdo Braga e Wellington Cordeiro para um futuro próximo

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

jiddu Saldanha e a filha de raian rúbia





Jiddu Saldanha, ou melhor Flávio Mutambo, um investigador que pesquisa os porões da ditadura militar, tem andado a procura de Raian Rúbia, que tinha os lábios rubros, e desapareceu entre os anos 70 e 80. Seu paradeiro até hoje é misteriosamente desconhecido. Acredita-se que ela tenha nascido em Minas, passado pelo Rio de Janeiro e depois Rio Grande do Sul.

Em nossa passagem recentemente por Bento Gonçalves, durante o XVIII Congresso Brasileiro de Poesia, ouvimos alguns comentários que poderiam dar conta, de que Mayara Pasquetti ser sua filha, mas nos arquivos cartoriais da cidade, ou nos livros da prefeitura não encontramos nenhum registro que pudesse confirmar a suspeita.

Ricardo Reis, outro pesquisador de literatura da época romântica, encontra vestígios de que Raian Rúbia poderia ter desaparecido em alguma Lan House subterrânea, fato esse também nunca comprovado