sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

31 dezembro adeus dois mil e dez




depois de alguns dias de refúgio internado neste quarto de motel, ouvindo raul seixas, sérgio sampaio, adriana calcanhoto, luiz melodia, itamar assunção e edvaldo santana, para desintoxicar a visão e os tímpanos sem me preocupar com juras e promessas, adeus dois mil e dez, amanhã um outro dia e uma mulher como nova estrela guia, revisito o que já disse no poema:

o amor é um lance de dados
a vida um jogo de risco
baralho de cartas marcadas
no olho do cão do corisco
a sorte um lance de dedos
meu trunfo uma dama de espadas
a luz do sol meu aedo
numa oração são Francisco
quando a jura secreta é lacrada
teus olhos no cais meu segredo

é dando que se recebe
perdoando que se é perdoado
salário mínimo é pecado
aos olhos de deus serAfim
na minha escola de samba
Mallarmé dançou samba-enredo
com a morena de angola e Benin

yemanjá nasceu de uma estrela
nas ondas do mar meu brinquedo
conchas de ouro e marfim
a vida um lance de dados
quando o amor não cabe entre os dedos
ultrapassa paredes cancelas
todo mato no quintal
pode ser pleno jardim
toda flor uma flor florisbela
stella em tua janela ainda sonha por mim

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com




brazilian motel

na janela miro o horizonte para o nada
não ouço tua voz o rádio não me escuta
na vitrine o poema não muda tua face
e a bailarina de louça não muda
neste quarto de motel
o telefone não toca
a tv não fala
cobras e lagartos embaixo os corredores
baratas sob meus lençóis
formigas arranham o meu rosto
nas paredes aranhas tecem a teia do amanhã
:
são 5 horas: madrugada
o barco bêbado continua na calçada
fora do teu cais
as aves de rapina ainda rondam nos telhados
os ratos já roeram as roupas do palácio
as flores do cerrado continuam a desaparecer
alice agora sonha no meu colo
e o país ainda demora amanhecer

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A língua afiadíssima de João Pedro Stédile



por Luiz Carlos Azenha

A convite do Igor, do MST, passamos um sábado agradabilíssimo na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior de São Paulo. Eu e as colegas Conceição Lemes e Conceição Oliveira testemunhamos o encontro nacional dos amigos do Movimento dos Sem Terra.

Um lugar muito bacana, onde acompanhamos um debate sobre os principais temas contemporâneos: os venenos nos alimentos, a (inexistente) reforma urbana, a inclusão social de negros e indígenas.

João Pedro Stédile fez um balanço de 2010 e estava com a língua afiadíssima:

“O PIB da felicidade do paulistano é se vangloriar: passei duas horas num puta congestionamento”.

“Vinte e cinco por cento de todo o veneno usado na agricultura é disseminado por aviões [prática proibida em vários países]. Mata tudo. Mata passarinho, mata inseto, até anjo já morreu”.

“Das terras aráveis brasileiras, 75% são utilizadas por três produtos. É cana para o etanol que abastece os automóveis. É milho e soja para as vacas europeis. E nós ficamos com a merda [da poluição causada pelo monocultivo da cana]“.

“Tome leite do MST que você cresce mais [sobre a produção de leite em Andradina, no interior de São Paulo]. Vai com uma gota de ideologia. A ABIN ainda não descobriu isso, mas é assim que a gente está produzindo esquerdistas”.

Durante o encontro, Stédile anunciou a paridade de gênero nos cargos de coordenação do MST e a decisão de que todo militante do movimento deverá obrigatoriamente estar matriculado em algum curso de formação.

Mais tarde, o deputado Paulo Teixeira (PT-São Paulo) brincou com Stédile: “Quando ele morrer, daqui há 60 anos, vai ser preciso um caixão para enterrar a língua”. Teixeira informou que, ao contrário do que temiam os presentes, não deverá haver votação da reforma do Código Florestal na próxima terça-feira, em Brasília. Tudo indica que o assunto será adiado para 2011.

Clique aqui para ouvir a entrevista que fizemos com o Stédile antes da eleição, na qual ele expõe a moderníssima pauta do MST.

Blogueiros progressistas do RJ debatem papel da blogosfera na conjuntura política atual

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quartas Culturais - Cantinho do Poeta

Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
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Para arrasar neste verão e Avançcos em cirurgia do joelho
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Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Quartas Culturais – Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 –
Campos dos Goytaczes-RJ
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas



Como Nossos Pais
Composição: Belchior

Não quero lhe falar
Meu grande amor
Das coisas que aprendi
Nos discos...
Quero lhe contar
Como eu vivi
E tudo o que
Aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...
Para abraçar meu irmão
E beijar minha menina
Na rua
É que se fez o meu lábio
O seu braço
E a minha voz...
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pr'o sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...
Já faz tempo
E eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Esta lembrança
É o quadro que dói mais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
As aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu estou por fora
Ou então
Que eu estou enganando...
Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...
E hoje eu sei
Eu sei!
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Está em casa
Guardado por Deus
Contando seus metais...
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como Os Nossos Pais...
Nanananã! Naninananã!
Nanananã! Naninananã!
Hum!...

VeraCidade


Porque trancar as portas
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua aurora

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com

sábado, 11 de dezembro de 2010

Porque hoje é sábado

agora não se fala nada
agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e tudo é transparente em cada forma

você não precisa me dizer
o número do mundo desse mundo
nem precisa me mostrar a outra face
face ao fim de tudo

só precisa me dizer
o nome da república dos fundos
o sim do fim
e o tem do tempo vindo

Dia D

desde que eu saí de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
interrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo do mais um dia
menos dia dia D

torquato neto


Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
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Porrada llírica



Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

Fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FULINAÍMA - SAX, BLUES E POESIA






Ficha Técnica
Gravado entre Junho de 1999 a Janeiro de 2002 nos estúdios :
Sonarte e Star Music (Campos-RJ) e Magic Studio (São Paulo-SP)

Arranjos :
Luizz Ribeiro, Dalton Freire, Naiman e Reubes Pess
Produzido por Artur Gomes & Fulinaíma

Artistas :
Artrur Gomes, Naiman, Luizz Ribeiro, Reubes Pess, Dalton Freire,
Betinho Assad, Marcelo Teteco, Sérvulo Sotto, Ângelo Nani,
João Felipe, Beto Mei e Faíco Araujo.

FULINAÍMA
SAX, BLUES E POESIA
(2002)

Músicas :

01 - Nostra-Damus - (Luizz Ribeiro)
02 - Tecidos Sobre A Pele - (Artur Gomes, Luizz Ribeiro, Dalton Freire)
03 - Noite Escura-Terra de Santa Cruz - (Artur Gomes, Reubes Pess, Betinho Assad)
04 - Goitacá Boy - (Naiman, Luizz Ribeiro, Reubes Pess)
05 - Marca Registrada - (Luizz Ribeiro)
06 - Estridentes-Alucinações Interpoéticas-Baby É Cadelinha - (Artur Gomes, Naiman, Dalton Freire)
07 - Boca do Inferno - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes, Ângelo Nani)
08 - Baby É Cadelinha - (Naiman, Dalton Freire)
09 - La Vie En Blue-Black Billy-Carne Proibida-Pessoa - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes, Sérvulo Sotto, Beto Mei)
10 - Esfinge I - (Reubes Pess, Luizz Ribeiro)
11 - A Cor da Pele - (Luizz Ribeiro, Artur Gomes)
12 - Esfinge II - (Artur Gomes, Luizz Ribeiro)
13 - Pela Janela - (Luizz Ribeiro, Sérvulo Sotto, Beto Mei)
14 - Eu e Você - (Reubes Pess, João Felipe, Faíco Araujo)
15 - Black Billy-Jazzfree Som Balaio - (Artur Gomes)

Baixe Aqui :
http://www.4shared.com/file/AOEo6xk4/Fulinama-SaxBluesPoesia.html

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mostra Cine Vídeo Teatro Poesia

Dia 8 dezembro – 21:00hs
Curadoria: Artur Gomes

Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
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Na próxima quarta 8/12 no Cantinho do Poeta, começo a Mostrar minhas travessuras com áudio visual pelas bandas do leste, sul, norte oeste. São registros de viagens, flagrantes de momentos, poesia e teatro de improviso. Essa caminhada teve início em 2007, quando a convite de Jiddu Saldanha, fui para Cabo Frio ser sabatinado no evento saberes e sabores nômades, realizado em seu Ateliê D´Aroeira.

Na época eu tinha um simples câmera digital fotográfica, com um espaço mínimo de memória, assim mesmo nos aventuramos pelas praias, canais becos vielas, filmando um tempo máximo de 11 minutos, (que era o que a câmera suportava) e voltávamos a casa para baixar os arquivos no computador, e liberar a câmera para mais 11 minutos de peripécias.
E assim surgiu a nossa primeira parceria áudio visual: TROPICALIRISMO


Conheci o Jiddu Saldanha, durante a ECO 92, ele chegando ao Rio de Curitiba, sua cidade natal e hospedado na casa do nosso casal de amigos Samaral e Lúcia Nobre. Desde daí, começou a nossa parceria, primeiro a través do Urbana, fanzine poético editado por Samaral, espaço para toda produção da poesia carioca contemporânea.

De 1996 prá cá, quando começamos a nos encontrarmos anualmente no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves, começarmos a confabular outras peripécias, as primeiras foram as mil e umas edições da Poesia na Quarta Capa, depois seus shows de mímica abrindo algumas edições do FestCampos de Poesia Falada.

Além das parcerias com o Jiddu, mostro 3 curtas realizados em parceria com outro grande amigo, Márcio Vaccari, meu brother do Núcleo de Produção Áudio Visual Casa Cenográfica de Taubaté.

Os Filmes dessa primeira Mostra:

Uma Viagem do Pontal ao Cantinho do Poeta
Duração: 15:40 minutos

Com Quantas Metáforas se Faz Uma Miragem
Duração: 23:00 minutos

Oficina Experimental 1 e 2
Duração: 18:00 minutos

Alguma Poesia
Duração: 5 minutos

Vozes Urbanas na Noite de Taubaté
Duração: 12:00 minutos

Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

cardio.grafia da pele

que esta palavra bendita
não seja dor
quando mal dita

como espinha quando aflora
ou espora
enquanto irrita

minha cardio.grafia
em suma
não é pena nem pluma
apenas palavra que resuma
o silêncio como agora
ou sonora quando grita

arturgomes
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Mostra Cine Vídeo Teatro Poesia

Coordenação: Artur Gomes
Dia 8 dezembro – 21:00hs
Quartas Culturais – Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ



Dia 15 dezembro 21:00hs
Mas Sarau O Benedito?
Homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

Jura secreta 89

a face oculta da maçã
duas partes que se abrem:
pêssego
campos de girassóis teus pêlos
alvoroçados sob o sol de Amsterdan
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã

artur gomes
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