quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A língua afiadíssima de João Pedro Stédile



por Luiz Carlos Azenha

A convite do Igor, do MST, passamos um sábado agradabilíssimo na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, no interior de São Paulo. Eu e as colegas Conceição Lemes e Conceição Oliveira testemunhamos o encontro nacional dos amigos do Movimento dos Sem Terra.

Um lugar muito bacana, onde acompanhamos um debate sobre os principais temas contemporâneos: os venenos nos alimentos, a (inexistente) reforma urbana, a inclusão social de negros e indígenas.

João Pedro Stédile fez um balanço de 2010 e estava com a língua afiadíssima:

“O PIB da felicidade do paulistano é se vangloriar: passei duas horas num puta congestionamento”.

“Vinte e cinco por cento de todo o veneno usado na agricultura é disseminado por aviões [prática proibida em vários países]. Mata tudo. Mata passarinho, mata inseto, até anjo já morreu”.

“Das terras aráveis brasileiras, 75% são utilizadas por três produtos. É cana para o etanol que abastece os automóveis. É milho e soja para as vacas europeis. E nós ficamos com a merda [da poluição causada pelo monocultivo da cana]“.

“Tome leite do MST que você cresce mais [sobre a produção de leite em Andradina, no interior de São Paulo]. Vai com uma gota de ideologia. A ABIN ainda não descobriu isso, mas é assim que a gente está produzindo esquerdistas”.

Durante o encontro, Stédile anunciou a paridade de gênero nos cargos de coordenação do MST e a decisão de que todo militante do movimento deverá obrigatoriamente estar matriculado em algum curso de formação.

Mais tarde, o deputado Paulo Teixeira (PT-São Paulo) brincou com Stédile: “Quando ele morrer, daqui há 60 anos, vai ser preciso um caixão para enterrar a língua”. Teixeira informou que, ao contrário do que temiam os presentes, não deverá haver votação da reforma do Código Florestal na próxima terça-feira, em Brasília. Tudo indica que o assunto será adiado para 2011.

Clique aqui para ouvir a entrevista que fizemos com o Stédile antes da eleição, na qual ele expõe a moderníssima pauta do MST.

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