fulinaíma

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

BRISA: O FILME



“BRISA” é o primeiro filme do projeto Cinema Possível realizado em HD e o 18º desde 2007. Contamos com a participação dos artistas: Artur Gomes, May Pasquetti e Jorge Ventura além de uma bela trilha sonora criada por Marko Andrade. Roteiro, direção e montagem de Jiddu Saldanha.


Jiddu Saldanha entrevista Artur Gomes para o projeto Cinema Possível
Leia no blog: http://curtabrisa.blogspot.com/2011/01/artur-gomes-entrevista_9413.html

jura secreta 16

a lavra da palavra quero
quando for pluma mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

a lavra da palavra quero
onde mayara bruma já me diz espero
saliva na palavra espuma
onde tua lavra é uma
elétrica pulsação de eros
a dançado teu corpo vero
onde tua alma luna
e o meu corpo impluma
valsa por laguna em beijos e boleros

fosse esta menina Monalisa
ou se não fosse apenas brisa
diante da menina dos meus olhos
com esse mar azul nos olhos teus

não sei se MichelÂngelo
Da Vinci Dalí ou Portinari te anteviram
no instante maior da criação
pintura de um arquiteto grego
quem sabe até filha de Zeus

e eu Narciso amante dos espelhos
procuro um espelho em minha face
para ver se os teus olhos
já estão dentro dos meus

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

injúria secreta

césar castro - vermer almém da alma

suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa quando em mim transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus


SagaraNAgens Fulinaímicas

guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
nacarne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser

cezane não pintava flores

cezane não pintava flores
montado em seu cavalo alado
despejava tintas
no corpo da mulher amada
com os pincéis encravados
entre as coxas
transformou hollandas
em quintais de vento
re-inventou o tempo
na hora de pintar

artur gomes
http://jura-secretas.blogspot.com/

brasilianas.org - artur gomes sampleando
http://www.advivo.com.br/categoria/autor/artur-gomes

Riverdies hoje na Fnac do Barra Shopping



com dez anos de trabalho, diversos prêmios internacionais e um público cativo, a Banda Riverdies irá realizar um espetáculo gratuito para mostrar o seu rock poderoso, hoje na Fnac do Barra Shopping (Av. Das Américas 4666), a partir das 19 horas.
Além de terem sido premiados em grandes festivais pelo país, o primeiro CD dos meninos “Dow Yard” esgotou, gerando grande surpresa para todos os integrantes.

Apresentando canções originais e alguns covers, Gui, Leo, Alex, Vic e Fil, mostrarão seu trabalho em formato acústico e haverá ainda distribuição de EP´s autografados de um som inovador, ao final do show.

Sob influências que vão do jazz ao trash metal, o grupo acredita em sua sonoridade única para apresentar seus espetáculos.
classificação livre: mais informações: 2109-2000

50 minutos com as músicas mais conhecidas do Riverdies + covers pops inéditos!

Entrada gratuita!!!

Riverdies hoje na Fnac Barra Shopping – 19:00h

Fil Buc
Produtor Musical e Guitarrista
Infos sobre o novo Home Studio:
www.myspace.com/filbucproductions
(21) 9611-1611

Para ganhar um EP autografado, inscreva-se com seu e-mail na lista:
Fnac - Série Encontros - Lista Amiga
http://listaamiga.com/fnac-serieencontros


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Mensalão: a hora da verdade



Eduardo Guimarães no blog da Cidadania

Ao fim deste ano, o inquérito do “mensalão do PT” irá a julgamento no Supremo Tribunal Federal. Entre os 40 acusados em 2006 pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza por supostamente terem operado um esquema de compra de votos de parlamentares para votarem a favor das proposições do governo Lula ao Congresso está o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o personagem mais central do caso.

O ex-presidente Lula, ao final de seu mandato, manifestou publicamente, por reiteradas vezes, convicção de que jamais existiu um esquema de compra de votos de parlamentares capitaneado por Dirceu ou por qualquer outro, e de que órgãos de imprensa e oposição inventaram esse esquema visando derrubar seu governo.
Compartilho a visão do ex-presidente Lula sobre o “mensalão do PT”. E vou mais longe: talvez mais do que pretender o impeachment do ex-presidente, a oposição e a mídia se valeram da prática então amplamente disseminada entre todos os partidos de receberem doações para campanhas eleitorais sem registrá-las oficialmente para criarem uma acusação que visou destruir Dirceu politicamente, pois era visto como o candidato natural de Lula à sua sucessão em 2010.

É consensual entre a classe política e os que vêm estudando o processo que tramita no STF a expectativa de que será considerada improcedente a teoria de que o governo Lula organizou um esquema de pagamento de mensalidades a parlamentares usando dinheiro público ou privado. E mais: acredita-se que Dirceu deve ser inocentado, sendo condenados apenas os que pagaram ou receberam doações de campanha que não foram contabilizadas pelos partidos da base aliada daquele governo.

Enquanto isso, vai passando batido na mídia o início do julgamento do igualmente suposto “mensalão tucano”, cujo personagem principal é o ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, que recebeu doações de campanha do mesmo ex-publicitário Marcos Valério que também doou dinheiro para as campanhas de petistas e aliados.

Ambos os casos não me parecem constituir qualquer esquema de compra de votos de parlamentares através de mensalidades pagas pelo governo federal ou pelo governo de Minas, enquanto encabeçado por Azeredo. O único mensalão – no sentido de compra de parlamentares pelo Executivo – que existiu comprovadamente, a meu ver, foi o do DEM, encabeçado pelo ex-governador de Brasília José Roberto Arruda.

O “mensalão tucano” será julgado discretamente e só os que se interessam por política e não se limitam à grande imprensa tomarão conhecimento. Todavia, assim como o ministro do STF Ricardo Lewandowski disse, em 2007, que aquela Corte aceitou o processo do “mensalão petista” com “faca no pescoço”, em alusão à pressão que a mídia fez para que tal decisão fosse tomada, no fim deste ano haverá nova pressão – talvez até maior – para que a tese tucano-pefelê-midiática seja contemplada.

Aliás, foi o episódio da “faca” que Lewandowski disse que a mídia pôs no “pescoço” do STF que deu origem ao Movimento dos Sem Mídia, porque, assustado com a teoria de que a Suprema Corte brasileira processou cidadãos com base em “pressão” de meios de comunicação, escrevi um post exortando os leitores deste blog a irem para diante da Folha de São Paulo protestar contra tal barbaridade.

Podem ir se preparando, portanto, ó defensores da democracia e do Estado de Direito, pois a sociedade civil deve se organizar para se contrapor à nova tentativa que a mídia e a oposição irão desencadear no fim do ano para que o STF julgue o “mensalão petista” como querem, pois se o resultado for diferente – sobretudo se Dirceu for absolvido – cairá por terra a maior estratégia de ataque político da direita brasileira.

Desde já, portanto, caros leitores, vocês fiquem de sobreaviso para integrarem as manifestações que sociedade civil, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos terão que desencadear para garantir que o Supremo Tribunal Federal decida livremente, sem pressões, sobre um processo fantasioso, espúrio, que teve origem nos interesses políticos de dois ou três partidos e de meia dúzia de impérios de comunicação.

Contra miséria, Contag propõe reforma agrária



Autor: Lilian Milena no brasilianas org

Se o novo governo quer combater a miséria, deve colocar a reforma agrária no centro de suas prioridades, argumenta Willian Clementino, secretário de políticas agrárias da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, Contag.

Convidado para falar se as políticas de reforma agrária devem ser repensadas, Clementino acredita que sim, em especial sobre a porção de terras que cada brasileiro tem direito a adquirir.

O porta-voz da Contag avalia que a quantidade de assentamentos realizados nos últimos 8 anos ficou aquém do que os movimentos sociais esperavam. Mas aponta que os programas de acesso a crédito, de incentivo à produção de alimentos e Luz para Todos foram primordiais para o desenvolvimento desses populações.

A demanda por esses núcleos de habitação e produção já ultrapassa 1,2 milhão de famílias, sendo que, de 2003 a 2010, o governo assentou pouco mais de 614 mil famílias, segundo dados do Incra. Hoje, cerca de 800 mil famílias estão em assentamentos regularizados.

A organização de pequenos agricultores também entende que o Ministério do Desenvolvimento Agrário precisa ser fortalecido, assim como o Incra, com um quadro de servidores considerado reduzido em relação à responsabilidade política que acumulou nos últimos anos.

Acompanhe a entrevista.

Qual a visão de vocês quanto à situação dos assentamentos da reforma agrária, e qual é a postura que o governo tem tomado para melhorar o desenvolvimento desses locais, se de fato, dentro de cada núcleo, tem sido difícil às famílias produzirem tanto para o próprio sustento quanto para comercializar o excedente?

Uma das coisas a serem levadas em consideração é que existe um estudo do Incra [Avaliação da Qualidade dos Assentamentos, Produção e Renda], orientado pela necessidade de combater a miséria, que traz alguns elementos que falam da necessidade do Brasil investir um pouco mais na reforma agrária.

Acho que as informações trazidas [no estudo], de que parte das pessoas assentadas, hoje, vivem com menos de um salário mínimo, precisam ser melhor detalhadas, porque não podemos olhar àquilo o que o trabalhador ou a trabalhadora assentada produz e comercializa como sendo sua única renda existente, uma vez que trabalham também no sentido de garantir sua própria alimentação, a alimentação de animais e da sua família - parte que não é vista em moeda, mas também tem valor financeiro.

*Aqui, Clementino se refere à informação de que 38% das famílias assentadas no país vivem com menos de um salário mínimo, divulgada na matéria "Plano de Dilma para erradicar pobreza põe em xeque modelo de reforma agrária", do jornal O Estado de São Paulo, publicada na edição do dia 20/01. Segundo o mesmo veículo, a informação seria de um levantamento realizado pelo Incra.

No mesmo dia em que a matéria foi publicada, o Incra divulgou uma nota de esclarecimento, informando que "não existe qualquer levantamento oficial e conclusivo, por parte do Incra, que indique o número de 38% de famílias assentadas vivendo com menos de um salário mínimo no Brasil”.

Então é como escambo, certo? Quando eles vivem também da troca do que produzem com outros da mesma comunidade?

Isso. Fazendo um olhar mais amplo é possível visualizar que os mesmos [trabalhadores assentados] terão um valor superior a essa quantidade que foi colocada, de menos de um salário mínimo. Por outro lado, é necessário levar em consideração que o Brasil precisa continuar abordando a visão da reforma agrária qualificando sua ação e dar condições [aos assentados] para resolver os problemas que foram cometidos no passado.

É necessário assentar mais famílias, porque a origem da pobreza e miséria no Brasil tem raiz na concentração de terra, e só vamos combater de fato a miséria se formos até suas origens e criar condições para avançar cada vez mais na reforma agrária.

O período em que o governo do presidente Lula esteve coordenando o país foi um momento em que a reforma agrária não avançou como gostaríamos, ou como deveria. Mas, levando em consideração o conjunto das políticas que constituem a reforma agrária, tivemos um avanço significativo, uma vez que foi aumentado o volume de recursos do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], foi criado o Programa Mais Alimentos, uma vez, também, que nós avançamos no PAA [Programa de Aquisição de Alimentos ], e também no Programa Nacional de Alimentação Escolar. Todos esses aportes e programas constituem o bojo da reforma agrária.

A partir desse ponto de vista, em que diz que apesar de não ter sido o ideal houve melhoras, o que Dilma deve fazer, agora, para que de fato caminhe a reforma agrária e para que os assentamentos melhorem da forma como desejam?

O primeiro ponto é colocar a reforma agrária como estratégica, do ponto de vista da erradicação da miséria, porque daí que se origina a história da pobreza no nosso país, desde que foi ocupado. Portanto, é trazer a reforma agrária para o centro do desenvolvimento do país.

O outro ponto é ter essa compreensão ampla de que a reforma agrária tem esse papel de transformar a vida de sujeitos em condições desiguais, ou até mesmo desumanas.

Precisa haver também uma auto-valorização político-financeira do MDA, Ministério do Desenvolvimento Agrário, bem como do Incra, no sentido de criar condições para realização da reforma agrária. Porque esse órgão [MDA] foi muito vitimado nesses últimos tempos a partir de investigações de um monte de órgãos de controle que parece que só viam na Explanada o Incra e o MDA.

Outra questão é o Incra redefinir seu papel quanto fiscalizador e quanto órgão que execute de fato a obtenção de terras nesse país. O Incra, hoje, tem se tornado um instituto muito grande do ponto de vista da responsabilidade política, ao mesmo tempo que tem um quadro de servidores abaixo da capacidade de execução.

Acho que o novo ministro [Afonso Florence, do MDA] e a presidente [Dilma Rousseff] precisam assumir o compromisso de realizar de fato um processo que garanta a operação, ou seja, a execução da Constituição Federal a partir da lógica da atualização dos meios de produção e combate a estrangeirização da terra.

A estrangeirização da terra tem que estar colocada junto a uma questão - que considero muito importante – que é a do limite da propriedade da terra no Brasil, tanto para brasileiros quanto para estrangeiros.

Sobre a estrangeirização. Nos últimos anos é possível fazer um balanço para saber se aumentou ou diminuiu esse processo?

De acordo com o Senso do IBGE, de 2006, houve uma concentração de terras maior. E olhando para a Reunião Especializada de Agricultura Familiar do Mercosul [REAF], que tem feito estudos sobre a estrangeirização de terras no Brasil, a estrangeirização vem aumentando de forma significativa, principalmente nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O governo federal, a partir da orientação da Advocacia Geral da União, tenta regularizar um processo já existente no Brasil que é de controlar esses processos a partir de um livro único de terras, onde estrangeiros tenham parte nessa questão. Mas isso não retroage os períodos em que pessoas, de forma ilegal, cometeram os deslizes de adquirir terras com recursos quase que totalmente estrangeiros.

Qual é a região do país onde houve mais assentamentos implantados nos últimos anos? Com a criação desses assentamentos ocorreram, juntas, políticas que os beneficiaram?

Essa é uma das questões que, no momento, não posso informar qual a região que mais avançou, porque não temos um balanço, ainda. Mas, o que aconteceu de fato é que os processos de reforma agrária, seja via Incra, seja via Programa Nacional de Crédito Fundiário, têm mudado significativamente a dinâmica dos trabalhadores, suas condições de vida. A exemplo dos trabalhadores que já foram assentados e acessaram recursos para habitação, acessaram energia elétrica sendo que, em outra hora, em anos anteriores, quem tinha energia elétrica no campo eram só os grandes produtores.

Hoje a maioria dos produtores rurais assentados, agricultores familiares, também tem acesso à energia, garantindo melhores condições de tratar seus produtos, de beneficiamento, evitando, também, uma grande perda com as condições de armazenamento.

Então, os assentamentos avançaram bastante nesse sentido. Olhando para o Programa Nacional de Crédito Fundiário, por exemplo, uma das ações da reforma agrária contida no segundo PNRA [Política Nacional de Reforma Agrária], é que nós temos um assentamento no Rio Grande do Norte que exporta mamão para a Itália. Ao mesmo tempo que também temos um assentamento do Incra no estado do Piauí que exporta melancia.

* Segundo dados do Incra, publicados em dezembro de 2010, dos 1.161 assentamentos existentes no país, 72% contam com energia elétrica.

Tem também um caso do Rio Grande do Sul, de um assentamento que há muito tempo exporta leite.

Isso, que faz parte de um processo organizativo da questão da produção do leite. Então, nós começamos a visualizar a capacidade produtiva e comercial dos projetos de assentamentos que, anteriormente, víamos como [espaço de] coitados ou objetos de políticas públicas e, hoje, são sujeitos protagonistas da sua própria história.

Quando você chega num assentamento hoje consegue encontrar famílias produzindo de forma diversificada. Encontra na propriedade uma antena parabólica onde esses agricultores estão conectados, assistindo ao mundo. A gente consegue, também, ver a forma de armazenamento produtivo mais dinâmica.

Esses avanços são extremamente consideráveis no Brasil inteiro. Não tenho um dado mais preciso onde isso tenha se qualificado muito mais.

Sabe dizer quantas famílias ainda necessitam ser assentadas no Brasil?

A nossa demanda, hoje, ultrapassa 1,2 milhão de famílias a serem assentadas, porque essa demanda passa inclusive a crescer com famílias que têm origem no campo [são da cidade] e começam a perceber a valorização do campo, a partir das políticas públicas existentes, como um lugar mais promissor para seu desenvolvimento.

Acaba havendo, então, um retorno... O número de famílias hoje assentadas é de cerca de 900 mil, certo?

Sim.

*Segundo o Incra, registros do período de 1985 e 2008 apontam para um universo de 805.107 mil famílias assentadas.

A dúvida que surge, então, é: em quais regiões do país acreditam que existe mais espaço para progredir nesse sentido?

Acho que a região Nordeste precisa avançar muito na questão agrária, porque tem muitos latifúndios improdutivos e é necessário fazer daquela região cada vez mais forte e independente, onde os trabalhadores deixem de ser dependentes do estado brasileiro, de uma sesta básica para a própria alimentação.

Precisamos avançar muito na região Norte. Ali há uma concentração de terras muito grande, inclusive de terras públicas. O Centro-Oeste é, também, uma das regiões de maior concentração de latifúndio, da produção sucroalcooleira, que chama atenção para a necessidade de reforma agrária.

Acho que tem um público prejudicado nos últimos períodos, principalmente das regiões Centro-Oeste e Sudeste, que com a mecanização da produção sucroalcooleira irão ficar sem salário. É um público promissor para a reforma agrária nessas regiões, para além dos trabalhadores que estão acampados, meeiros, arrendatários, entre outros.

Basicamente o papel desses pequenos assentados, geralmente, é na produção de alimentos? Ou vocês acham que tem alguma maneira de encaixá-los na produção desses produtos mais voltados para o mercado internacional, como cana, soja?

Não. Acho que os assalariados rurais da cana de açúcar com a mecanização vão ficar sem espaço de trabalho e precisarão, para garantir sustento da família, ter condições de acesso à terra, que é um meio. Porque muitos desses trabalhadores têm a vocação e não sabem trabalhar com outra coisa que não seja a terra. É um público em potencial para a reforma agrária, na região Centro-Oeste e, também, na região canavieira nordestina.

Nós da Contag estamos fazendo muita gestão desse público. Para um grande processo de erradicação da miséria poderíamos estar cometendo um erro se não olharmos para esse público.

Agora, os trabalhadores e trabalhadoras rurais têm ampliado sua produção de alimentos e apoiado a iniciativa dos biocombustíveis com a produção de mamona e pinhão manso. A agricultura familiar, além de bancar mais de 75% de alimentos consumidos no país, tem-se voltado para produção de insumos para energia limpa, renovável. Como também tem zelado pela questão ambiental, fator preponderante no nosso país, visto todas as catástrofes recentes, no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas...

Nesse sentido, vocês são a favor das alterações propostas para o Código Florestal Brasileiro, mas me refiro específicas às áreas de proteção permanente?

A Contag tem se esforçado para que o Código Florestal Brasileiro dê tratamento diferente nesse processo, inclusive aos agricultores familiares. E como nossa legislação tem sido muito genérica, a Contag tem solicitado [mudanças] para que [o Código Florestal] não venha a penalizar a agricultura familiar, mas se utilize do termo ‘agricultura familiar’ como um dos exemplos de condições de preservação ambiental.

Muitas vezes somos penalizados, temos dificuldades para fazer licenciamento, enquanto os grandes têm maior facilidade de licenciamento. Portanto temos que ser enxergados nesse processo como diferentes, e compreendidos como tendo práticas sustentáveis do ponto de vista econômico, ambiental e também financeiro.

E quais são os principais motivos que fazem com que vocês não sejam, perante o atual Código, legais, e quais fazem com que sejam considerados sustentáveis em relação aos grandes produtores?

Primeiro o que deve ser levado em conta é que tem vários estudos no nosso país que apontam a agricultura cfamiliar omo muito forte na preservação de matas ciliares e áreas de preservação permanente, ao contrário do outro seguimento da sociedade, que é o agronegócio, que não tem levado em consideração o aspecto da questão ambiental, e tem preponderado a questão financeira.

Quando se passa pelo Brasil afora em uma área de agricultura familiar, é possível visualizar as áreas de preservação permanente de forma nítida. E quando se passa numa área do agronegócio perde-se infinitamente do nosso olhar [o final] do deserto verde que é colocado. Parece que ali não existiam animais, água, uma infinidade de coisas da biodiversidade.

Nesse sentido podem dizer que não é necessário reduzir as áreas de preservação permanentes, a proporção de áreas que devem ser preservadas das matas ciliares, porque de forma comum isso já é feito pelos pequenos agricultores, uma vez que sabem que é necessário que suas terras se mantenham em equilíbrio para que possam produzir naquela terra por muitos anos? Basicamente é isso?

Basicamente nossos agricultores de tradição e cultura têm tratado dessa forma. Agora, claro que ainda há entre nós alguns trabalhadores e algumas trabalhadoras que têm tido outras concepções, mas isso não é o que prepondera.

Você falou que não chegou a ver a matéria que saiu no Estado de São Paulo, mas o que foi colocado é que a presidente Dilma, junto com representantes de outros Ministérios, chegou a ver os números do levantamento do Incra, e por isso pôs-se em xeque o modelo brasileiro de reforma agrária. A partir desse princípio, acham que o modelo de reforma agrária do país pode ser colocado em xeque?

É preciso fazer uma avaliação na forma tradicional de se fazer reforma agrária, que é vinda dos anos 1950, porque hoje estamos num novo momento da história do Brasil e precisamos, cada vez mais, qualificar o modo como fazemos reforma agrária.

Portanto, acho que esse questionamento que se diz ‘botar em xeque’, começa a sinalizar que há uma necessidade de fazer algumas modificações. E nós, dos movimentos sociais, compreendemos perfeitamente as alterações que precisam ser feitas, que são aquelas que coloquei anteriormente, dos desafios.

Mas os marcos regulatório da reforma agrária, que foram constituídos pelo Estatuto da Terra, e outros instrumentos, não permitem uma reforma agrária com uma maior qualidade e também quantidade.

Então [essa discussão] nos anima porque temos disposição, os movimentos sociais do campo - daí falo pela Contag - de poder discutir, propor novos marcos legais, novas estratégias, para a reforma agrária.

Poderia especificar algumas disposições do marco legal que são incoerentes para realização da reforma agrária?

Por exemplo, uma das questões que trata na legislação é sobre o direito de propriedade. O direito da propriedade transfere a função social da propriedade. O que hoje tem-se levado em consideração, uma vez que consta no caput da lei, é só a questão da produtividade, mas nós sabemos que a função social da terra não é só o grau de produtividade. Precisamos levar em consideração também as relações de trabalho que tem naquela área e as relações ambientais. Se repararmos direito, veremos muitos criminosos ocupando nossas terras e fazendo delas um espaço onde futuramente pode ser um deserto, não tenha condições de viver um indivíduo e muito menos de ter produção.

Foto: Marina de Fátima Vilela

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sergio Amadeu: "Ana de Holanda e ECAD atacam política de Lula"

O movimento de software livre, de recursos educacionais abertos e os defensores da liberdade e diversidade cultural votaram em Dilma pelos compromissos que ela afirmou em defesa do bem comum. No mesmo dia que a Ministra Ana de Holanda atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a Ministra do Planejamento Miriam Belquior publicou a normativa que consolida o software livre como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. É indiscutível o descompasso que a Ministra da Cultura tem em relação à política de compartilhamento do governo Dilma.

Sergio Amadeu da Silveira (*) em www.caretamaior.com.br

Os defensores da indústria de intermediação e advogados do ECAD lançam um ataque a política de compartilhamento de conhecimento e bens culturais lançada pelo presidente Lula. Na sua jornada contra a criatividade e em defesa dos velhos esquemas de controle da cultura, chegam aos absurdos da desinformação ou da mentira.

Primeiro é preciso esclarecer que as licenças Creative Commons surgiram a partir do exemplo bem sucedido do movimento do software livre e das licenças GPL (General Public Licence). O software livre também inspirou uma das maiores obras intelectuais do século XXI, a enciclopédia livre chamada Wikipedia. Lamentavelmente, os lobistas do ECAD chegam a dizer que a Microsoft apóia o software livre e o movimento de compartilhamento do conhecimento.

Segundo, o argumento do ECAD de que defender o Cretaive Commons é defender grandes corporações internacionais é completamente falso. As grandes corporações de intermediação da cultura se organizam e apóiam a INTERNATIONAL INTELLECTUAL PROPERTY ALLIANCE® (IIPA, Associação internacional de Propriedade Internacional) e que é um grande combatente do software livre e do Creative Commons. O Relatório da IIPA de fevereiro de 2010 ataca o Brasil, a Malásia e outros países que usam licenças mais flexíveis e propõem que o governo norte-americano promova retaliações a estes países.

Terceiro, a turma do ECAD desconsidera a política histórica da diplomacia brasileira de luta pela flexibilização dos acordos de propriedade intelectual que visam simplesmente bloquear o caminho do desenvolvimento de países como o Brasil. Os argumentos contra as licenças Creative Commons são tão rídiculos como afirmar que a Internet e a Wikipedia é uma conspiração contra as enciclopédias proprietárias, como a Encarta da Microsoft ou a Enciclopédia Britânica.

Quarto, o texto do maestro Marco Venicio Andrade é falso até quando parabeniza a presidente Dilma por ter "restabelecido a soberania de nossa gestão cultural, anulando as medidas subservientes tomadas pelos que, embora parecendo modernos e libertários, só queriam mesmo é dobrar a espinha aos interesses das grandes corporações que buscam monopolizar a cultura". O blog do Planalto lançado pelo presidente Lula e mantido pela presidente Dilma continua com as licenças Creative Commons. Desse modo, os ataques que o defensor do ECAD fez a política dos commons lançada por Gilberto Gil, no MINC, também valem para a Presidência da República.

Quinto, o movimento de software livre, de recursos educacionais abertos e os defensores da liberdade e diversidade cultural votaram em Dilma pelos compromissos que ela afirmou em defesa do bem comum. No mesmo dia que a Ministra Ana de Holanda atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a Ministra do Planejamento Miriam Belquior publicou a normativa que consolida o software livre como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. É indiscutível o descompasso que a Ministra da Cultura tem em relação à política de compartilhamento do governo Dilma.

(*) Sergio Amadeu da Silveira é professor da UFABC. Sociólogo e doutor em Ciência Política. Foi presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação e primeiro coordenador do Comitê Técnico de Implementação do Software Livre na gestão do presidente Lula.

Flávio Koutzii: “Nos falta recuperar um pedaço da nossa história”



por Rachel Duarte, do Sul21 via http://www.viomundo.com.br/
Ex-asilado político, Flávio Koutzii assume no governo Tarso Genro a função de assessoramento superior. Vai garantir que as demandas da secretaria cheguem rapidamente ao governador e tenham, também, soluções rápidas. Trabalha com uma equipe pequena, de oito pessoas, que se revezam nas reuniões e elaboração de relatórios.

Na entrevista ao Sul21, Koutzii defendeu a criação da Comissão da Verdade, uma das lutas da ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Ele acredita que, agora, no governo Dilma, a Comissão será criada e os culpados pelo desaparecimento de 379 pessoas, segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, durante a ditadura brasileira, serão punidos. “Nos falta recuperar um pedaço da nossa história”, diz Koutzii, que se emociona ao lembrar a posse de Dilma Rousseff na presidência da República. Para ele, Dilma representa o lema do ex-presidente francês François Mitterrand, pela conquista da presidência, em 1981: “a força tranquila”.

Sul21 – Como funciona a coordenação de Assessoramento Superior do Governador?

Flávio Koutzii (FK) – A própria definição era um pouco genérica quando o governador me convidou para a função. Sou o coordenador e tenho um grupo de oito pessoas. O João Victor é o executivo e tem um papel importante. Ele se destacou na campanha eleitoral por ser o coordenador da bancada na Assembleia Legislativa. Então, tem conhecimento de todos os projetos do legislativo. Portanto, fizemos uma combinação, de atuarmos em parceria. Temos amizade e confiança recíproca e vamos jogar juntos. Em diferentes situações, eu ou ele atuamos. Na parte mais política, eu participo do núcleo de gestão, todas as manhãs, não mais do que meia hora.

Sul21 – O que é discutido nestas reuniões?

FK – Não fazemos grandes análises. É um encontro para alinhavamento, entendimento e decisão. A forma de trabalho do governador, como ele mesmo já transpareceu nas entrevistas, é clara. Ele nos convida a uma forma de trabalhar muito precisa para concisão, discussões compactadas e tempo de decisão e execução rápida, de forma exigente e permanente. A nossa assessoria contribui para garantir esta forma de trabalho no encaminhamento das demandas por parte da secretarias. Este trabalho também pode acontecer na relação direta entre as secretarias, dentro do conceito da transversalidade, e aí estou falando não de uma palavra mágica. A transversalidade cobre duas concepções diferentes: de composição das estruturas, onde genericamente podemos definir como a lógica dos 30% de outros partidos como compensação nas estruturas comandadas por alguém de um determinado partido, e na conexão entre as secretarias, que tem interface para executar os projetos do governo.

Sul21 – O senhor está dizendo que a transversalidade prevê secretarias pluripartidárias. Tem alguns gestores que pensam diferente. Está clara a forma de trabalho do governo?

FK- Eu entendi assim. Alguns secretários podem ter outro entendimento. Mas, o que não é dúvida para todos é que as secretarias não terão porteiras fechadas. E isto não será algo fácil de fazer. Mas, concluída esta composição, e com o passar do tempo, será perceptível as virtudes da transversalidade. O que está intrínseco nesse conceito é que não haverá feudos de partidos, com assuntos que ninguém nunca saberá. Os problemas ou dificuldades não serão públicos só quando os chefes relatarem. A transversalidade ajuda a instigar a gestão, traz a boa inquietação. Outra noção boa que traz este conceito é a boa funcionalidade das estruturas do governo. Evita o que já vimos em outros governos: as secretarias se tornarem ilhas e o arquipélago ser um desastre.

Nós do PT temos bastante acúmulo do governo Lula, do governo Olívio, dos nossos governos nas prefeituras. Eu te diria a mesma coisa se esta entrevista estivesse acontecendo oito anos atrás, mas hoje posso te dizer com mais intensidade e amplitude que temos uma nova geração de gestores petistas que passaram por experiências de gestão, acertando e errando, compreendendo como chegar perto do ideário petista, levando em conta as realidades financeiras, limitações do aparelho estatal, como também de interconexões que não exercitávamos anteriormente.

Sul21 – Esta é outra questão que parece contraditória. O senhor fala de “geração de gestores petistas”. Onde ela está contemplada no governo? O que vimos é a repetição de quadros do primeiro governo petista.

FK – É muito boa essa pergunta. O Sul21 já trouxe esse debate em outra matéria que tinha um intertítulo: “A herança do Olívio”. Por razões óbvias, eu fiquei meio assim ao ler. Mas, esta pergunta oportuniza um raciocínio interessante. Seria uma tragédia se as figuras que estão no governo hoje e que estiveram em outro governo 10 anos atrás não tivessem nenhuma experiência. Mas, aproveitar essa vivência anterior pode ser vista como um mérito. Os quadros que realizaram determinadas experiências e depois voltaram para suas funções públicas, se as tinham, foram acumulando e podem contribuir agora. E esta pergunta traz embutido um alerta positivo: tem uma certa “taxa de velharia” no governo atual. Eu defendo que isso é bom. Mas, não por ter a idade que tenho, mas, sim, porque todos os que estão neste governo, principalmente os partidos que integraram depois a coligação, têm uma visão diferente da nossa. E os mais experientes ajudam a preservar aquilo que preside este processo, que é nós termos uma centralidade política, um programa e uma situação privilegiada com o governo federal.

Sul21 – De que forma exatamente poderá trazer benefícios para o estado o alinhamento partidário dos governos federal e estadual?

FK – O governo Dilma é de uma era política diferente, herdada da era Lula. Só a cegueira ou o sectarismo de direita não percebem. Hoje, a palavra xiita deveria ser usada em relação a vários cronistas e comentaristas políticos que dizem a mesma coisa há 20 anos. Eles poderiam mudar as suas perguntas sobre o país; a sociedade já deu a resposta para elas. E falo isso sem demagogia. A imprensa está muito polarizada.

Existem quatro ou cinco perguntas inevitáveis que serão sempre feitas a todo petista que estiver na frente do jornalista hoje.

A pauta tem que ser outra. Recentemente saiu na internet a lista das dez manchetes dos últimos dias nos jornais da grande imprensa nacional. Todas eram a pauta proposta na campanha do José Serra (PSDB). Eles podem até defender esta pauta, como claramente o fazem, mas não dá para estabelecer uma relação com a realidade escolhida pela maioria da população. Não quer dizer uma relação submissa ou de aceitação pacífica ao governo Dilma. Mas, é preciso dialogar com as ideias que provavelmente um governo que teve oito anos de experiência, e tem uma inflexão continuista, terá. E digo continuista no bom sentido.

Sul21 – Qual pauta o senhor refere ser a pauta serrista? A insistência com o tema da educação brasileira, por exemplo?

FK- Eu acho que esse tema se transformou em uma espécie de mantra da direita e do conservadorismo derrotado para um sentido particular. Claro que temos ainda enormes problemas na Educação, como na Saúde. Mas, o que me parece evidente e que faz parte de uma análise intelectualmente séria e politicamente honesta é dizer também que além dos problemas, temos avanços reais na educação brasileira. Os salários não aumentaram espetacularmente, mas faz diferença a criação de um piso nacional para o magistério.

Por isso que eu evoco a comparação disso como o “demônio da alma secreta de todo o petista que envenenará o cara que estiver mais perto”. Estas coisas demoníacas e tão animalescas e bestializadas que muito tempo foram cultivadas pela revista Veja, eu conheço. É uma estratégia de propaganda de demonização que vem desde a época do nazismo. A utilização de uma hidra com sete cabeças que foi a capa da Veja quando teve o seminário do PT, foi para associar o que seria a imagem do próximo governo do PT, o da Dilma.

Esses símbolos embolam nesta sopa meio diabólica outros temas, como o da educação agora. Por isso que eu uso a expressão mantra. É um jeito de fazer a comunicação. A parte alcançada é diminuída na sua importância e significação, e se utilizam métodos comparativos de índices mundiais, que é natural que estejamos atrás. Mas, se compararmos com índices do próprio Brasil, teve avanços. Nunca antes na história deste país se dobrou o número de escolas técnicas federais que tínhamos ao longo de toda a história republicana brasileira. Isso não é um detalhe ou aquele truque que qualquer político faz, que é legítimo, de mostrar pequenas obras para fazer marketing. Não é isso. Tu dobrar a oferta para a demanda de ensino técnico tem a ver com uma preocupação com o ensino, que é a mesma preocupação de toda população. A unificação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também foi uma conquista importante. Mas, também virou o exemplo de desastre, porque o controle das empresas terceirizadas teve problema.

Mesmo com os percalços, estamos estabelecendo um padrão nacional e sistemático. Citei apenas dois exemplos. Mas o mantra utiliza a tática de desconhecer os progressos, por mais que ainda sejam insuficientes, dando ideia de que nada aconteceu.

Sul21 – Essa tática também será utilizada pela imprensa gaúcha? Ao exemplo do que ocorreu na gestão de Olívio Dutra?

FK – Podemos esperar um cenário menos controverso do que tivemos no governo Olívio, por várias razões. Tivemos oito anos de gestão Lula. Já aprendemos com os erros do passado. Tomamos a atitude complexa de ampliar a base de governabilidade. Partindo disso, diminui parcialmente o campo de uma feroz forma de atuação da imprensa, que foi a que atuou desde a largada do governo Olívio. Criamos condições de arrancar com uma crispação muito menor. Porém, sou daqueles que pensa individualmente que o debate continua.

Sul21 – Apoio às mídias alternativas será suficiente para alcançar um equilíbrio neste debate?

FK – Sem dúvida. Os indicadores nacionais de gastos com publicidade no governo Lula mostram que foram repassados recursos para 8 mil veículos, não mais 800 como era antes. Isto foi uma conquista democrática. Mas não porque se atendeu o compadre do pequeno jornal, mas porque atendeu a diversificação das mídias, redestribuindo as verbas públicas. Aqui (RS) teremos este mesmo critério. Respeitaremos os veículos tradicionais, mas vamos incentivar os demais.

Sul21 – A sua coordenação lhe permite opinar sobre todas as áreas do governo?

FK – Sim. Mas minha participação varia muito. Os demais companheiros da equipe revezam os acompanhamentos das reuniões. Sempre fazemos breves sínteses das reuniões para o acompanhamento do governador. Isso nos dá certa noção geral do governo, mas não ultrapassamos as nossas competências. É claro que, como membro do núcleo de gestão, participo com observações que penso ser pertinentes.

Sul21 – Terá áreas mais prioritárias de relações na sua coordenação, como a articulação política junto à Casa Civil, por exemplo?

FK – Nós temos finalidade específica. Somos assessores do governador que têm atribuições desde participar do centro político de decisões, monitorar alguns projetos e seguir determinações do governador. É uma tarefa para a qual precisamos ter maturidade, para não se sombrear com outras áreas do governo. É necessário se autolimitar, para ser realmente uma força auxiliar com a hierarquia voltada ao governador, dialogar bem e ajudar as secretarias.

Sul21 – Como está o andamento geral do governo nestas primeiras semanas?

FK - Ainda estamos nos organizando e terminando a composição do segundo escalão. Mas já temos nos apropriado de alguns temas, como as cartas-consultas dos empréstimos financeiros e a aprovação dos projetos na Assembleia Legislativa.

Sul21 – Como é a sua relação com o governador Tarso Genro?

FK – Nos conhecemos há muito tempo. Mas, nunca estive tão perto dele como nesta eleição. Acompanhei os debates da coordenação de campanha. Vivenciei algumas avaliações, decisões. E, no período da transição, também acompanhei os labirintos da composição. A instância para arbitrar situações que viravam impasses era o governador, mas a nossa tarefa sempre foi levar o mínimo de questões para o governador arbitrar. Nesse processo eu me aproximei mais do Tarso.

Sul21 – Mas o senhor fundou junto com ele uma das correntes do PT. Como foi essa aproximação político-partidária?

FK – Quando eu voltei da França, onde estava exilado, em 1984, o Tarso estava entrando no PT. Nesta época se falava de construir o partido e para mim foi fantástico, pois eu tinha ficado 14 anos fora. Mas eu era um cara meio portenho e até sempre debochei que não sei como me entendiam, porque o meu português era terrível. Sempre foi muito viva a memória de Buenos Aires, da prisão…

Aqueles anos na Argentina foram muito impactantes na minha vida. Como o período na França. Foram cinco anos, mas foram dramáticos. Foi uma tentativa de reconstrução pessoal, depois de duas derrotas gigantescas, prisão, tortura, muita gente perdida… Minha autocrítica com minhas próprias responsabilidades, com meu sentimento de culpa em ter falhado aqui.

Sul21 – A ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, começou o mandato pedindo que seja aprovada a criação da Comissão da Verdade, que irá apurar os crimes da ditadura militar. O senhor acredita que o governo Dilma irá conseguir isso?

FK – Agora vai. Este é um atraso para nossa nação. Tanto o ministro Paulo Vanuchi como o Tarso foram figuras emblemáticas na tentativa de avançar neste tema. Tanto no Plano de Direitos Humanos quanto na tentativa de responsabilizar os torturadores por crimes contra humanidade. Portanto, reler o tema da anistia como ele tem que ser feito.

E ver o atraso do Brasil me remete ao meu pedaço de vida argentina. A Argentina colocou na cadeia os seus ditadores. E o Brasil não conseguiu sequer tratar do assunto. A direita e seus interessados dizem que este é um tema revanchista. Não. Nos falta recuperar um pedaço da história. É impossível que os jovens continuem sendo formados dentro do Exército, que seja legítimo ter uma educação deformada da história. Uma espécie de fossilização do passado e uma indecência inadmissível.

Eu me considero concernido por todas essas coisas. Mas não acho que isso é uma questão de acerto pessoal. Há um pedaço faltando nesta história. Como podemos, simplesmente, aceitar o desaparecimento de cerca de 400 pessoas do país? Simplesmente nos convidam a esquecer? O que me alarma terrivelmente é o discernimento sobre a ética deste tema. Ninguém quer fazer um novo capítulo do passado. Temos que acertar as contas com o passado para ter uma luminosidade mais clara do conjunto da nossa história. Isso tem a ver com a educação, com a memória de um povo e com a formação do nosso Exército. No governo Lula começou a haver, especialmente a partir do segundo mandato, uma modernização do Exército brasileiro. Essa modernização implicará em algumas revisões doutrinárias do que deve ser uma força nacional de defesa. E o resto? Também. A formação cívica, onde a moral cívica não é da ditadura militar. Este tema ficou pendente do governo Lula e a nossa presidenta terá coragem para fazê-lo.

Sul21 – Precisou de uma mulher para fazer isso?

FK – É verdade. Duas né. (risos)

Sul21 – Qual o significado da eleição de Dilma Rousseff para o país?


FK – Eu senti mais o aspecto da vitória, do ponto de vista mais amplo, de todos. Foi a candidatura do projeto em que eu acredito, que conseguiu coisas notáveis para o país, apesar de ainda faltarem avanços. Medularmente envolvido com a política como estou, posso dizer que o mau-caratismo da campanha eleitoral nacional, fez com que a vitória de Dilma fosse uma confirmação de sua segurança e da sua força. Ela encarou um câncer, uma situação de ser candidata à presidência da República, uma campanha que atacou pontos sensíveis e fora do debate político e conseguiu crescer e vencer. A minha impressão pessoal do dia de sua posse….

(emocionou-se e chorou)

Desculpa. Me engasguei. Não sou um personagem de paparicações, mas tem uma imagem de força na Dilma que lembra o lema do Mitterrand (François), quando ganhou as eleições na França, em 1981: “La force tranquille”. É a força tranquila. Tem uma síntese genial essa frase e me fez lembrar a síntese da trajetória de conquista da Dilma. Essa foi a sensação subjetiva que me passou. Que ela tem uma densidade e uma história de vida que é dura, mas ela foi tranquila e segurou.

Sul21 – Como o senhor prevê a participação do estado nas eleições do Parlamento do Mercosul e como será a relação diplomática com os países que compõem o bloco?

FK – O único país que já elegeu para o Parlamento é o Paraguai. Até agora todo o Parlamento era indicado. Este assunto é importante. O deputado federal Rosinha no Paraná presidiu uma parte da gestação do futuro Parlamento eleito. Mas, este tema ainda não foi tratado. Não está em pauta ainda no governo. Talvez esquente mais na metade do ano. Em todo caso, com o Mercosul nós temos toda a ambição. Vamos contar com o trabalho da assessoria de Relações Internacionais para isso.

Foto do Flávio Koutzii, utilizada na home do Viomundo /: Bruno Alencastro/Sul21

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

federico baudelaire - viagens insanas de jardinópolis ao canal campos macaé




em couro cru & carne viva roberto piva fazia m discurso em homenagem a mussolino depois de namorar as calcinhas das irmãs no pátio do convento agora bebo uma cerveja enquanto nova iguaçu dá um passeio no vasco e cássia eller deixa o meu mundo mais completo quando o segundo sol chegar não sei se nando reis nem disse que me surpreendi mas você pode ter certeza era 10 anos depois que o pagador de promessas zé do burro baixou em avatar depois que fando e liz atravessaram a ditadura de franco em nova granada de espanha hygia ainda ferreira me escrevia que as sete sereias do longe sequestraram guimarães rosa para o presépio de santo antônio que o seu pai lhe dera na infância

no hall do hotel dallonder senti em minhas cuostas uma fumaça de musa passar pela minha íris bem perto do meu nariz poesia jorrava solta na noite do inverno quente lá no rio grande do sul exatamente na serra perto o vale dos vinehdos era 96 no lance de dados deu 6 xangô revendo iansã iemanjá oxum quem sabe até umas outras mil e umas noites de amor sem sono quando alguns desdos macios tocam nas minhas costas e dois olhos sedentos de mar e fogo me fitam até as entranhas já desejosos de sexo estava ali outro destino traçado pra minha carne que n entrega do isntante nem quis saber do depois nem do que já foi como antes era tudo presente e o futuro era ali como a coisa que me devorava no instante

joaquim josé da silva xavier nejar falava em santa mônica o time do vascoé uma vergonha ando por aí tentando te encontrar na república de ribeirão o namorado da bia rasgava o poema concreto depois de ler mano melo com o sexo em moscou não não digo que não me surpreendi antes que eu disse que as noites em jardinópolis foram de orgia e cerveja mesmo no bar do chico com as alucinações do prefeito e as madrugadas de dedos que maitê não soube o porque que a dama do cine xangai era uma musa chapada num filme que nunca vi depois que a boca do lixo me provocou outras cenas na primavera registro com mariana das eras primeiras do mar de fogo que hygia ferreira me trouxe das aulas de línguas do ibilce bem no fundo do íntimo lá no brano do nervo onde sstefani ainda não sabe do conhac que bebi na tua boca

no presídio federal os regalhos seguiam em cena agora em segunda vez depois que a bailarina vinda da unicampi tomou o lugar federika e agora de porta bandeira bailava na hóstia do padre e outubro nunca foste novembro todos os santos finados outubro é mês das entregas esfregas de corpo e alma ainda em 95 a mocdidade nascendo na fina flor dos estácios dos lácios do melodia sabendo que em algum dia fosse dar no que fosse lembremos o que foi agora agosto 88 em goyt city de outrora quando fizemos mudanças pensando serem mudanças e hoje vemos a city igual ou pior do que dantes e o canal que foi do império canal para navegantes hoje é canal de propinas pros bolsos do comandante




federico baudelaire - viagens insanas

domingo, 23 de janeiro de 2011

O NÓ DOS MÉDICOS FORMADOS EM CUBA



Laerte Braga

Cidadãos do Haiti (país ocupado pelos EUA com forças auxiliares dentre as quais brasileiras) preferem fazer longas filas diante dos hospitais de campanha montados pelos médicos cubanos logo após o terremoto que devastou o país, que enfrentar o risco dos médicos norte-americanos ou brasileiros.

O risco de médicos brasileiros e norte-americanos não diz respeito à competência, falo da barbárie instalada no país, seja pelo terremoto, é anterior a ele, seja pelas forças de ocupação. Não estão nem aí para a epidemia de cólera, o problema é outro, dentre eles, petróleo.

Cuba não integra o esquema decidido pela OEA – Organização dos Estados Americanos – e está lá por pura solidariedade.

Os médicos norte-americanos, todos formados em portentosas universidades, receberam ordens do comando militar dos EUA proibindo-os de recorrer aos cubanos. Se o paciente vai morrer, paciência; é um sacrifício em prol da “democracia”. Para os cubanos é uma vida que deve ser salva.

Questão de eficiência, a medicina cubana. Questão de propaganda, toda a parafernália tecnológica dos terroristas de Washington.

A cólera e doenças outras varrem o Haiti. Militares norte-americanos e seus apêndices (brasileiros, etc.) entendem que o assunto deva ser tratado a bordoada e o fazem dessa forma.

EUA no Haiti
Todo esse processo “democrático” em favor da “reconstrução” do Haiti pode terminar em Baby Doc - Jean Claude Duvalier - eleito presidente da república. É mais fácil de ser comprado e há reservas significativas de petróleo no Haiti.

Já o povo... Como o próprio povo norte-americano é adereço no mundo neoliberal, gerido por conglomerados, o maior deles o EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

O Brasil discute a partir dos interesses dos grandes grupos que controlam a saúde e se beneficiam do festival de privatizações e terceirizações nos três níveis de governo, se o curso de medicina em Havana, onde estão centenas de jovens latino-americanos, preenche as exigências mínimas que o formando seja um bom médico.

Preenche sim, só não preenche os objetivos dos donos da saúde e seus cofres.

Os médicos formados em Cuba têm sido capaz de mostrar competência e eficiência em campos que médicos de faculdades centenárias dos EUA, ou qualquer outro país, não conseguem mostrar, ou mostram igual.

É preciso entender que um cirurgião do porte de Adib Jatene, por exemplo, é como se fosse um Picasso, ou Van Gogh na matéria. Essa é a exceção e não a regra. E Jatene tem consciência social, é bom que se diga.

Há uma diferença abissal entre o ensino de medicina em Cuba e o ensino de medicina no Brasil, se levarmos em conta o nível das faculdades privadas – em sua esmagadora maioria – a diferença fica insuperável.

Escuela Latinoamericana de Medicina - Cuba
É de formação, começa aí. O médico formado em Cuba, com um currículo que o torna apto a ser médico em qualquer parte do planeta, tem a visão de mundo a partir de políticas públicas de saúde, de saneamento básico. O médico brasileiro, se não for integrante das quadrilhas que dominam o setor, vai carregar uma cruz sem tamanho e sabe que vai trabalhar pelo menos doze horas por dia a troco de um salário de irrisório. Qualquer avanço que queira obter, especialização, pós, mestrado, doutorado, etc., vai depender dele, do esforço dele.

Já vi, e muitos vimos, médicos do setor público desesperados por falta de condições mínimas de trabalho e sabedores que o paciente tal ou qual vai acabar morrendo em decorrência disso. O desespero? A impotência diante do descalabro que é o setor.

A questão das doenças mentais no País, que deveria ter tomado um rumo diverso do atual, desde a aprovação de um projeto de lei que reduziu o internamento (mas mais que isso, marcou a base para políticas públicas de saúde mental), é caótica.

A imensa e esmagadora maioria dos planos de saúde, todos subsidiados com verbas públicas, tem restrições a tratamentos psiquiátricos.

UNIPAC - Juiz de Fora
A família Andrada (corrupta desde que chegou aqui com a corte portuguesa em navio chapa branca) opera em Minas Gerais uma arapuca chamada UNIPAC – Universidade Presidente Antonio Carlos.

Tem um curso de medicina na cidade de Juiz de Fora com todas as deficiências possíveis, tanto que não é reconhecido pelo Ministério da Educação, mas “reconhecido” pelo ex-governador Aécio Neves (doublê de político e alucinado).

O reconhecimento ou não do diploma dos médicos formados em Cuba é um debate que se dá exclusivamente por conta dos interesses dos grandes grupos de saúde em não ter a perspectiva de médicos formados com visão de saúde pública.

Do contrário, ao invés de termos aqui a discussão sobre a validade ou não dos diplomas dos médicos formados em Cuba, teríamos outra, uma sobre lobbyists, deputados, senadores, etc., defendendo grupos privados de saúde, políticas de privatização e terceirização do setor que simplesmente matam ou abandonam seus associados.

Os alunos que freqüentam a faculdade de medicina em Havana, por exemplo, são deportados se de outros países e expulsos se cubanos, no caso de cola. No Brasil não foram julgados e exercem a medicina médicos que, quando calouros, mataram um companheiro num trote irracional, como quase todo trote. Permanecem impunes.

Brasileiros na ELAM
A carga cubana horária é intensa, os professores têm, de fato, dedicação exclusiva. Os livros são reaproveitados e gratuitos. Uma das exigências para a matrícula é que o aluno tenha feito o ensino básico em escolas públicas (para os não cubanos). O currículo ensejou um nível na medicina reconhecido em todo o mundo a despeito do imoral bloqueio terrorista dos EUA.

Os alunos dedicam-se exclusivamente ao estudo, recebem moradia, alimentação, tratamento médico e odontológico gratuitos, têm momentos de lazer e prática esportiva e tudo a custo zero.

A diferença é na formação (embora não seja regra geral, mas é quase).

São médicos formados para a medicina popular e não para o capitalismo, o lucro.

Não há quem morra na fila de um SUS em Cuba e sobre esse assunto o cineasta Michael Moore mostra num documentário quais as diferenças entre a medicina cubana, a saúde pública e a estupidez nos EUA.

O que há em relação aos médicos cubanos é discriminação.

O Brasil é um país onde a mídia é podre. Mídia privada, corrupta e dominada pelos grandes grupos. A informação tem dois objetivos. Desinformar e alienar.

Pouco ou nada se fala da ação dos médicos cubanos no Haiti.

Ou qualquer avanço relacionado à medicina que aconteça em Cuba. Deixam sempre uma dúvida, deliberada, planejada.

O brasileiro, por exemplo, não tem a menor idéia – a esmagadora maioria – que os planos de saúde são subsidiados por verbas públicas da saúde num dos grandes “negócios” para enriquecer uns poucos.

O ideal, ao invés da discussão sobre o valor ou não dos diplomas cubanos seria um teste.

Por exemplo. Entregar duas cidades brasileiras de porte médio a um grupo de médicos formados em Cuba (uma das cidades) e a outra a grupos privados de medicina brasileiros.

Médico por médico não haveria diferença alguma (exceto se prevalecer a bandalheira e os médicos formados pelos Andradas aparecerem, não conhecem nem esparadrapo). Andradas e outras faculdades privadas.

No quesito saúde pública, não tenho dúvidas, os cubanos dariam banho, como dão. E pelo mundo inteiro.

Medicina pública envolve todas as especialidades e políticas públicas de saúde voltadas para todas as pessoas.

Onde existe medicina preventiva no Brasil exceto nos comerciais de governos dos estados ou dos municípios?

Roseana Sarney
A preocupação de Roseana Sarney, por exemplo, é com contas e empresas no exterior. Dinheiro roubado ao povo do Maranhão e, lógico, boa parte da Saúde.

E aí fica difícil dizer que o ensino da medicina em Cuba é deficiente em relação ao Brasil.

A tal “deficiência” são os “negócios”.

Ou o índice de mortalidade infantil mais baixo do mundo, informação da ONU – Organização das Nações Unidas.

A Bolívia mantém centenas de médicos cubanos em seu país para implantar políticas públicas de saúde. O modelo cubano como preferem dizer alguns. Quando Evo Morales – Presidente da Bolívia – fala: “dizem que somos pobres, mas não somos pobres não, somos indígenas”, está mostrando de forma linear, clara, que os valores reais que contam na vida prevalecem ali, ao contrário dos valores de qualquer pilantra da área de saúde em governos brasileiros (qualquer nível), louco atrás de um contrato de terceirização.

E ainda mais agora com o megalomaníaco ex-secretário de saúde de Minas, Marcus Pestana, deputado federal. Se deixar por conta de gente assim privatiza-se o próprio paciente.

Que tal um debate franco sobre as faculdades de medicina privadas no Brasil? Os subsídios a planos de saúde? Os crimes cometidos por planos de saúde ao negar-se ao cumprimento da lei?

O debate sobre se os médicos cubanos têm formação acadêmica à altura dos brasileiros é pretexto para encobrir a transformação do setor num grande “negócio”.

O médico brasileiro, o médico comum, aquele que batalha o dia-a-dia, ao contrário dos “donos dos negócios”, paga, cá na ponta, o preço da ineficiência perversa, portanto deliberada, do modelo brasileiro de Saúde.

Sei de médicos que em postos de saúde públicos mandaram comprar uma simples aspirina com dinheiro do próprio bolso e ainda foram criticados e advertidos por isso.

O debate é esse. Médicos brasileiros submetidos a regime de semi-escravidão nos plantões dos grandes hospitais privados e um sem número respondendo a processos por “erros médicos”, pois a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

O problema é esse, não é se os médicos cubanos estão ou não aptos a exercer medicina com formação adequada e correta. Estão sim, em qualquer lugar.

É difícil explicar ou sustentar que médicos que obtém resultados ótimos, num conjunto de políticas públicas, como obtêm os cubanos, repito; os índices mais baixos do mundo em mortalidade infantil, o êxito no tratamento da cólera no Haiti, não tenham formação devida para o exercício da medicina aqui.

É tapar o sol com a peneira, é diagnosticar gravidez como “barriga-d’água”.

Medicina dos "Lobbyists"
O nó é aí, não é no diploma dos médicos formados em Cuba.

Lobbyists, deputados, senadores, mídia privada corrupta atiram para um lado tentando desviar o foco real do assunto e levando as pessoas a pensarem como se fosse a realidade delas os grandes “negócios” que os donos realizam.

Quando José Serra era ministro da Saúde cismou de realizar um mutirão de saúde, operar milhares de pessoas em todo o Brasil durante determinado número de dias e foram os médicos cá da ponta, os do plantão, os do dia a dia nos postos de saúde, que disseram “não” a essa proposta de genocídio. Os donos dos hospitais, das grandes clínicas, sorriram de uma ponta a outra da boca.

O diploma de médicos cubanos e sua validade ou convalidação no Brasil é pretexto para esconder perversidade e corrupção.

Só isso, mais nada, o resto nem detalhe é.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

macabea desbundada em batatais

a ex-amante turca me deixou na urca e may que não é ex-amante nem é turca diz que nunca fai me deixar para infernizar federika que jura que ainda mata e macabea depois do texte fracassado agora da toque no altar cantando pro senhor na praia do farol de são thomé era 87 e no lance de dados deu 7 sexta feira batatais nos búzios oxalá comandava o instante em que guilherme almeida prado anunciou o texte para substituir maitê proença na dama do cine xangai a dama além das preocupações com a pensão andava causando transtornos nos sets de filmagens

macabea sem nenhum senso do ridículo foi logo se oferecendo e quando abriu o verbo foi logo expulsa da película por um dos produtores da fita eu havia conhecido silvinha em jardinópolis a irmã da bia que me fora apresentada por ricardo pereira lima numa noitada de cerveja e cantoria ao pé das jabuticabeiras enquanto artur gomes e hygia ferreira discotiam sobre literatura afro latino americana para o evento qeu iria ser realizado em 88 na unesp em san josé de rio preto

estávamos em batatais para discutir o brasil e a sua cultura em questão um seminário com chancela da ube-são paulo funarte e prefeitura de batatais cidade logo transformada num grande circo assim que começou a chegar a caravana de artistas plásticos poetas pintores cantores cineastas músicos artistas do gran circo brazilírico de um modo geral e foram sendo alojados nos hotéis pousadas e fazendas dos arredores da cidade numa concessão dos seus propietários que se hospedavam no centro urbano para acomodar os seminaristas em suas propriedades

numa dessas onde estávamos alojados eu uilcon pereira ricardo pereira lima guilherme almeida prado grabriel de la puente o diretor geraldo do circo marcio de almeida jorge mautner nelson jacobina pedro maciel paulo brusck se apaixonou pela viúva da fazenda e depois de um porre na borda da piscina teve que retornar uergente para recife para não ser trucidado pelos filhos da viúva

roberto piva já tinha aprontado num mesa de debates na manhã anterior onde além de comer dois pés de alface apresentou antônio seu marido um índio que ele havia raptado logo que chegou a batatais e se refugiou numa oca próxima da praça onde federika dançava numa roda de poesia com o prefeito marinheiro enquanto hygia levara suas alunas do ibilce na casa de portinari em brodoski e artur gomes grafitava nas calçadas

rio em pele feminina – may pasquetti falando poema de artur gomes



as tintas dos dedos de portinari
estão impressas nas igrejas de batatais
e tem mais
enormes cristos nos andaimes
portando perucas roxas
e as freiras nos santuários
alizavam minhas coxas

guilherme almeida prado discutia com ricardo pereira lima a possibilidade de aproveitar adalgisa a musa de montes clraros das coxas de nuves na dama do cine xangai meditava como lhe fazer o convite antes mesmo que gabriel de la puente decidisse fugir com a filha do dono da cervejaria e leonardo froes conseguisse conter a turba que a essa altura delirava com o streep tese de kosta k na hora do almoço e marcio de almeida o assassigno conseguisse decifrar os signos que deram origem a cidadde a lenda do boi tatá ou as plantações de batatas comuns na região

clarice e rey ainda não haviam entrado na escola mas artur gomes já rasgava seu couro cru & carne viva com os parangolés do oiticica quando ana que não é de amsterdã lhe entregou a boca do inferno para a profanalha nu rio enquanto uilcon pereira em seu silêncio de mestre observava a algaravia no coração dos boatos nas mesas do copo sujo nosso ponto de encontro para as farras poéticas regadas a mel sal cerveja suor & cio enquanto macabea confessava no pátio áa desilusão amorosa que a levara para os braços do pastor do palácio da guanabara desde ainda garotinha


o circo mal começara e batatais já se encontrava em polvorosa alvoroçada pela enxurrada de arte que invadiam seus canteiros hortas jardins e casarios sem falar no copo sujo o bar da noite de orgias com carne e jabuticabas eram noivas ficando nuas namoradas rasgando os brincos as freiras tirando os véus e os homens dos batatais sem entender uma vírgula uma jorrada de tintas uma cena mais explícita um canto em sol sustinido um falo solto na fala e as senhoras da noite sorrindo escancaradas batatais nunca mais será a terra de dantes


federico baudelaire – viagens insanas
http://federicobaudelaire.blogspot.com

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

porque hoje é 20 de janeiro

um pequeno passeio com video poesia pelo largo do machado lapa cinelândia e parque das ruínas santa teresa porque hoje é dia 20 de janeiro dia de são sebastião e aniversário deste Rio ultimamente só de dor e de pranto

alguma poesia



ALGUMA POESIA

não.
não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.

não.
não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não.
não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper/moderno
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

não.
não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água
em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos.

artur gomes
http://goytacity.blogspot.com/

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

o amor é um lance de dados




clara a esfinge me disse
o amor um lance de dados
meu sexo lance de dedos
quando estou na zorra dou cinco
o sal do cio é um doce
assim como mel da abelha
a virgindade é um brinco
que não cabe na minha orelha
se sou a bandida dos oito
o diabo é a prova dos nove
que o padre pop pentelha

tem musas por aí que anda dando a qualquer custo a qualquer preço tem virtual no endereço dá até por telefone este país é um clone bordel de televisão papa olivácio insatisfeito com o que anda rolando na paróquia berrou de dentro da hóstia padre que é padre samba no pelourinho dança jongo na serrinha bumba-meu-boi no maranhão frevo de sombrinha em pernambuco bate cabeça pra ogum atravessa as sete encruzilhadas não fica cantando modinhas para amansar cordeiros de deus e ajudar políticos corruptos a comprar votos em suas igrejas e desviar os 24 pra a filha da fundação

laerte o mineiro me disse macabea mãe da bandida quase morreu de infarto no susto porque a filha fugiu com 4 subornou o diretor do presídio o prefeito da cidade o governador do estado até o pastor da escola clara traçou na língua jogando a dita na gema e fez da farra do boi um escracho de poema a língua ferina da puta grafitou nos muros do império como se fosse coisa pública a sua carne privada

pastor de andrade convocou na assembléia um manifesto geral e mandou que a mocidade fosse invocar no terreiro o açougueiro das almas o bardo do rei da da vela que vindo na cara/vela baixou e foi logo dizendo no meu tempo de teatro teatro era teatro não era essa arte cínica como clara da macabea e o baiano gritava viva cacilda beker e roda viva era viva como um domingo no parque que muito gado muita gente pela vida segurei agora baiano não grita virou doutor na sorbonne vive pensando que é sartre só pra cantar a simone a dama de bovoar e os paulistas sacanas pensando ser europeus vivem nas marginais cheirando o podre no ar

federico baudelaire
visagens insansas pelos encravos da rosa

saia justa - o caso da pensão de Maité Proença
leiam no blog: federico baudelaire - viagens insanas

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sagaraNAgens fulinaímicas

clara a bandida que se deu bem


guima
meu mestre
guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da Hygia Ferreira bem casta

aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta
ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a Morte em Vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande Sertão vou cumer

nem João Cabral Severino
nem Virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do mestre Drummundo
que o diabo giramundo
é o Narciso do meu Ser

injúria secreta

Suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
Ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

Pedra do Reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
pétala na mola do moinho
palavra acesa na fogueira

pos os ismos tudo e pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema

a palavra que procuro
é clara quando não é gema
até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz

devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel
o que antes era pus


INdGesta 3

para Márcio Vaccari

te procurei na Ipiranga
não te encontrei na Tiradentes
nas tuas tralhas tuas trilhas
nos trilhos tortos do Braz
fotografei os destroços
na íris do satanás

a cara triste da Mooca
a vaca morta no trem
beleza no caos: urbana
beleza é isso também

meu bem ainda mora distante
deste bordel carnavalho
a droga a erva o bagulho
Tietê um tonto espantalho


arturgomes

A dor carioca encobre os crimes paulistas



fonte blog do Saraiva

As tragédias das enchentes que assistimos todos os anos e que se tornam cada vez mais dramáticas, são, antes de mais nada, as respostas que a natureza nos dá pela devastação que praticamos há mais de um século. Estamos cansados de saber disso. Mas São Paulo e Rio são afetados pela fúria das chuvas de formas bem diferentes.

O que acontece no Rio são deslisamentos de terra – fenômenos naturais causados pela chuva e pela erosão do solo em áreas de topografia irregular. A moradia imprópria no pé destes morros é a tragédia desse povo. O maior problema do Rio de Janeiro é habitacional. E este déficit, que só começou a ser enfrentado de verdade no fim do governo Lula com o “Minha Casa, Minha Vida” (e continuará com Dilma), só vai amenizar a situação a médio e longo prazos.

Já em São Paulo, são os alagamentos – causados pela mão e omissão de seus governos. O orçamento anual do estado é de R$ 140 bilhões, mas as dezenas de piscinões prometidos há 4 campanhas eleitorais jamais foram construídos (e nem serão pelo banana atual). A Sabesp é uma Torre de Babel boiando sobre o esgoto paulista.

As calhas dos rios Tietê e Pinheiros não são limpas há décadas e qualquer chuvinha faz com que transbordem, lançando esgoto e resíduos tóxicos para todo lado. Principalmente para a Zona Leste. O prefeito (reeleito!) diminui as verbas do recolhimento do lixo e varreção das ruas todo ano. As empresas contratadas, por sua vez, diminuem os serviços proporcionalmente. E tudo isso resulta na porcaria de uma cidade imunda.

Repare: faça um passeio a pé. Em qualquer bairro, Sampa é uma cidade coberta de lixo. Os serviços de limpeza urbana já funcionam a meio vapor há dois mandatos de prefeito. A maior cidade da América Latina e a sexta maior do mundo, que tem um orçamento anual de R$ 34,6 bilhões – não tem dinheiro para sua própria limpeza!

Somando-se a tudo isso, ainda tem o fato de amanhecer cada vez mais impermeabilizada pelo cimento e asfalto – que prevalecem sobre soluções de transporte coletivo. Ano após ano, as inundações, que antes atingiam somente os bairros mais pobres e abandonados, começam a alcançar “outras alturas”. Físicas e sociais.
E o paulista sonha que é europeu, enquanto respira o perfume das marginais!
Segundo o PiG e os governantes de SP, a culpa dos alagamentos paulistas é de Deus, de São Pedro etc. Kassab reprisa o mesmo discurso – “podia ser bem pior, blá blá blá…” -, Alckmin promete verbas que serão engolidas por um esquema viciado em superfaturamento de obras licitadas na base da fraude de carta marcada. Esquema ao qual o PiG fecha os olhos, e pelo qual os sucessivos governos do PSDB entopem gavetas de CPIs. E o paulista queimador de gasolina em recordes de congestionamentos e que perde em média 3 horas diárias ao volante, não tem tempo para refletir sobre as administrações que elege e reelege.

Engole o blefe ano após ano do mesmo modo em que engole os postos de assalto fantasiados de pedágio. E nas enchentes, é sempre a mesma coisa: o PiG livrando a cara dos fracassados governos do PSDB e DEM que, a meu ver, são os criminosos que já faziam o serviço na periferia habitada por nordestinos, muito antes de Mayara Petruso convocá-los pelo Twitter.

O Jornal Nacional, abarrotado de imagens impactantes e com textos repletos de fatalismos novelescos, deita e rola no drama carioca. Mesmo não sendo o padrão idiotizante habitual de suas novelas “brancas”, catalisa a emoção do telespectador pela dor alheia e empurra-lhe a idéia de que por trás de todos os males está o Lula – ops, a Dilma.

O que o PiG mais AMA é transmitir as tragédias brasileiras. Porque filmar e editar o sofrimento das perdas de entes queridos, abre a defesa racional do cidadão que assiste. E é através dessa fresta que incute o ódio e o equívoco. Fizeram o mesmo em diversas oportunidades. Como no caso do acidente da TAM. Na época, tentaram construir argumentos culpando Lula pela morte dos passageiros daquele avião. Mas só conseguiram o ódio da classe média alta que, ao contrário de hoje, era dona exclusiva dos aeroportos e dos horários dos vôos.

Depois de uma edição inteira mostrando o drama destas famílias – intercalando com os insuportáveis comerciais das Casas Bahia – a próxima atração é a droga da novela. Aquela mesma novela que regravam há 40 anos. Mas relaxa, que agora é tudo de mentirinha, todos são bonitos e perfumados. Depois do Jornal Nacional sempre tem outro “faz de conta”…

Fonte: O que será que me dá?
Do Blog O TERROR DO NORDESTE.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Álvaro Rodrigues: Todas as áreas de topografia suave podem ser consideradas seguras?











Colegas geotécnicos (geólogos de engenharia e engenheiros geotécnicos) e de demais especialidades implicadas:
Essas últimas tragédias têm nos chamado a atenção sobre a importância em termos mais cuidado em definir como geotecnicamente estáveis certas feições de relevo de topografia mais suave junto ao sopé de nossas regiões serranas tropicais.

Há duas situações típicas de áreas de topografia suave situadas nas bordas das serras:

a) áreas imediatamente situadas ao final das encostas de alta declividade, iniciando-se a partir da ruptura de declive negativa da encosta. Essas áreas estão sujeitas a serem atingidas pelos escorregamentos da encosta contígua. Isso define que nessas condições a ocupação urbana deverá observar uma “faixa de segurança geotécnica” de em torno de 40 metros, contados a partir da base da encosta. Faixa idêntica deverá ser observada pela ocupação dos platôs mais planos superiores das encostas. As fotos acima (as duas primeiras de Nova Friburgo, a terceira, de Teresópolis) são ilustrativas.
b) áreas situadas à frente da “boca” de vales que demandam do alto da serra. São áreas de topografia suave, mas que estão sobre leques de deposição de detritos (solo, blocos de rocha, restos vegetais) formados e originados de pretéritas corridas de lama e detritos. Ou não se ocupa essas áreas, reservando-as para parques florestados, ou se libera a ocupação mediante a execução de avantajadas obras (diques de impacto e desvio) de contenção e proteção.
Dado o fantástico poder destrutivo de uma corrida de lama e detritos, essa última opção deve ser vista com enorme cuidado. Revejam a foto ilustrativa, a da igrejinha. Pode-se dizer que esse é um flagrante geológico da formação de mais uma camada do leque de deposição já preteritamente existente no local.

Se vocês analisarem os leques de deposição ao sopé da Serra do Mar, especialmente frente à boca dos grandes vales que descem lá do alto da escarpa, terão uma pálida idéia do que foi e é a dinâmica geológico-geomorfológicos dessa nossa belíssima região.

Há cerca de 60 milhões de anos, no início do Terciário, a escarpa (proto-Serra do Mar) estava a cerca de 50 Km à frente da atual linha do litoral sudeste. Sabem como ela chegou até a atual posição? À custa de muito escorregamento, muita corrida de detritos, muita erosão. Essa é nossa querida Serra do Mar, com sua história, suas leis, seus ritmos, seu calendário próprio, suas idiossincrasias…

Algumas das áreas planas que são dadas hoje como ótimas de se ocupar estão sobre esses leques. Compostos em profundidade por muita areia, blocos de rocha e, às vezes, até antigos troncos de árvores. Eles são a natureza nos dizendo: tomem cuidado, aqui tem passado a rota de muita corrida de detritos. A grande dificuldade de compreensão dessas coisas decorre dos diferentes calendários por que se orientam e se comportam o homem moderno e a natureza geológica. “Ahh…, mas minha família conhece isso aqui há mais de 100 anos e nunca aconteceu coisa parecida…”. O que são 100 aninhos para a Mãe Terra?

É possível que com o histórico das chuvas que caíram na região serrana nobre do Rio houvesse um grande evento natural de escorregamentos e corridas, mesmo sem a intervenção do homem. Como em 1967 aconteceu em Caraguatatuba e Serra das Araras. O homem potencializa e transforma, por sua presença, esses eventos em tragédias, como essa que estamos assistindo. De tantos em tantos anos, sabemos lá quantos, há a probabilidade de ocorrência de trombas d’água concentradas como essas. Não há nada de novo no quartel geológico de Abrantes.

Pode-se então perguntar, vamos tirar Teresópolis, Nova Friburgo e outras cidades serranas do lugar e botar em outro? Em parte sim, aliás já propus aos amigos locais pensar em extensão urbana que seria a Nova Nova Friburgo. Mas o essencial é organizar essas cidades espacialmente e em procedimentos de defesa civil em função exata do meio físico que elas ocupam.

Nada de culpar a Natureza, com suas encostas e suas chuvas. Ao menos nós, geólogos, não podemos proporcionar essa saída para a irresponsabilidade geral com que se lida com o meio físico geológico. Temos que dar um passo adiante, sermos mais ousados em nosso papel de profissionais compromissados com a boa técnica e com os interesses da sociedade brasileira.

Grande abraço aos amigos e companheiros de jornada,

Geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos
ARS Geologia Ltda
São Paulo – SP

sábado, 15 de janeiro de 2011

o poder da criação

para aliviar um pouco a dor o desespero o temor e todo horror dessa tragédia que se abate pela região serrana do estado do Rio de Janeiro e contagia todos nós

terra
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

arturgomes
http://artur-gomes.blogpsot.com/

poder da criação - vídeo gravado ao vivo no dia 24 de outubro de 2010 na concentração
do Bloco da Dilma - um domingo que ficará na história deste Brasil de Todos


Poder da Criação
João Nogueira / Paulo Cesar Pinheiro

Não, ninguem faz samba só porque prefere
Força nenhuma no mundo interfere
Sobre o poder da criação
Não, não precisa se estar nem feliz nem aflito
Nem se refugiar em lugar mais bonito
Em busca da inspiração
Não, ela é uma luz que chega de repente
Com a rapidez de uma estrela cadente
Que acende a mente e o coração
É faz pensar que existe uma força maior que nos guia
Que está no ar
Bem no meio da noite ou no claro do dia
Chega a nos angustiar
E o poeta se deixa levar por essa magia
E o verso vem vindo e vem vindo uma melodia
E o povo começa a cantar, lá laia laiá
Lá lá laía laiá

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Os dias selvagens te ensinam




não creio em deus
muito menos em padre
filho espírito santo
no entanto canto a filha de pedro
e rio da cara da madre
ouvindo um rap do rappa
escondida atrás da porta
traindo a ordem do papa

era 83 e no lance de dados deu 3 quarta feira abril niterói estava eu na pensão onde a época morava o poeta mineiro aricy curvello que desde março travávamos correspondência via correio ele além de poeta era militante cultural de esquerda sucumbido pela ditadura militar na década de 70 e para artur gomes a ponte grande para o projeto Mostra Visual de Poesia Brasileira

pela primeira vez tomara conhecimento de um texto do memorável fábio lucas que prefaciara o livro Os dias Selvagens te Ensinam onde aricy poeticamente deixara ali suas impressões sobre os horrores daqueles dias de chumbo

depois de longos anos de correspondência perdi o contato com o poeta que só algum tempo depois de longos anos que passei pelas bandas do ABC paulista em função da realizção da MVPB em homenagem ao centenário de mário de andrade

só pelos de 96 que no lance de dados deu 6 sexta feira setembro bento gonçalves fui saber de aricy curvello e seu novo paradeiro na cidade de serra no espírito santo e o contato com os textos do professor fábio lucas já haviam se estreitado e um outro presente do aricy o guru uilcon pereira já havia se tornado o grande mestre de brazilírica pereira

certa vez fábio lucas analisando o poema funk dance funk de artur gomes disse se tratar de relâmpagos de criatividade faíscas da surpresa e a partir daí a poética dos gumes se transformou nessa carnavalha que desaguar nas sagaranagens fulinaímicas onde macabea até hoje não conseguiu desatar o nó da estética que o poeta despejou nos seus fragmentos do discurso amoroso para desespero da estrela que não sobe

federicobaudelaire - viagens insanas
http://federicobaudelaire.blogspot.com/


Funk Dance Funk

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.

rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.

quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé

punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.

antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/