fulinaíma

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

sagaraNAgens fulinaímicas

clara a bandida que se deu bem


guima
meu mestre
guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da Hygia Ferreira bem casta

aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta
ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a Morte em Vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande Sertão vou cumer

nem João Cabral Severino
nem Virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do mestre Drummundo
que o diabo giramundo
é o Narciso do meu Ser

injúria secreta

Suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
Ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

Pedra do Reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
pétala na mola do moinho
palavra acesa na fogueira

pos os ismos tudo e pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema

a palavra que procuro
é clara quando não é gema
até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz

devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel
o que antes era pus


INdGesta 3

para Márcio Vaccari

te procurei na Ipiranga
não te encontrei na Tiradentes
nas tuas tralhas tuas trilhas
nos trilhos tortos do Braz
fotografei os destroços
na íris do satanás

a cara triste da Mooca
a vaca morta no trem
beleza no caos: urbana
beleza é isso também

meu bem ainda mora distante
deste bordel carnavalho
a droga a erva o bagulho
Tietê um tonto espantalho


arturgomes

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