terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Trabalho segue": Pochman desmente Estadão e decepciona seus críticos da imprensa



Afirmação de Pochman contraria Moreira Franco, segundo Estadão
Pochmann nega mudanças no Ipea: "Trabalho segue"

São Paulo – O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, nega que haja mudanças no comando ou na condução da instituição. O órgão, vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), segue seu trabalho normalmente sem qualquer alteração, segundo informou Pochmann, por telefone, à Rede Brasil Atual.

"Não há nada nesse sentido (de mudança no comando do Ipea), nem oficialmente nem extraoficialmente", asseverou Pochmann. "O trabalho segue normalmente", enfatizou. A SAE, procurada, afirma que o ministro Moreira Franco não se pronunciaria a respeito. Desde a posse do ministro, no início de janeiro, nenhuma alteração foi promovida no Ipea, segundo o órgão.

Na edição desta segunda-feira (14), uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo afirma que Moreira Franco estaria disposto a promover modificações no órgão. Pochmann é apontado como responsável pela linha de pesquisas adotadas pelo Ipea. Estudos mais voltados à desigualdade social, ao crescimento econômico e à qualidade do serviço público seriam alguns dos motivos de crítica por Moreira Franco.

O ministro confirma ter converado com o jornalista durante o final de semana, mas recusa-se a falar sobre o teor da entrevista. Ele nem confirma nem desmente se afirmou ou não estar insatisfeito com os rumos do Ipea e a conduta de seu presidente.

Pochmann está no cargo desde 2007, primeiro ano do segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele assumiu o posto no lugar de Glauco Arbix e manteve-se desde a transferência do Ipea do Ministério do Planejamento para a SAE, convivendo com os ministros Mangabeira Unger e Samuel Pinheiro Guimarães.

Por ter um posicionamento favorável à expansão de direitos trabalhistas e à intervenção do Estado na economia, Pochmann sofre, desde o início de sua gestão, críticas da mídia convencional e de setores ligados ao mercado financeiro. A saída de pesquisadores cedidos de outros órgãos federais ao Ipea, como Fabio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Rezende e Regis Bonelli, provocou questionamentos de teor semelhante ainda em novembro de 2007.

Esses economistas, favoráveis a reformas de redução do Estado – como da Previdência, por exemplo – teriam perdido espaço dentro do organismo no período. O texto de O Estado de S.Paulo atribui também a João Sicsú, diretor do Departamento de Macroeconomia do Ipea, a responsabilidade pela linha adotada pelo órgão.

Pochmann é professor licenciado de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit).

Anselmo Massad, Rede Brasil Atual

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