terça-feira, 29 de março de 2011

implacável

a blogosfera tem sido implacável com os desmandos da rosa sem espinho, seja no qeu diz respeito as terceirizações, aos milhões pagos a empresas para tapar buracos que não tapam, basta conferir no Blog do Herval Junior, o montante despejado no cofre das empresas, para uma finalidade que até hoje estamos querendo saber qual é. e agora esse presetne de grego oferecido a população nas comemoraçções dos 176 anso de campos dos goytacazes: show de Fernandinho, pelo amro de Deus. Mamãe que é Brega mas é Xique me disse que esse ela não quer ouvir nem a distância, prefere ficar em seu quintal cuidando das pimenteiras, galinhas e carambolas e ouvindo Sérgio Sampaio para relembrar os bons tempos da MPB.

Em carta, clubes militares defendem 'revolução' de 64

fonte: yahoo.com.brhttp://www.yahoo.com.br


A nota diz que relembrar "os acontecimentos" de 64, "sem ódio ou rancor, é, no mínimo, uma obrigação de honra". "Os clubes militares (...) homenageiam, nesta data, os integrantes das Forças Armada da época que, com sua pronta ação, impediram a tomada do poder e sua entrega a um regime ditatorial indesejado pela nação brasileira", diz o documento, assinado pelo general Renato Cesar Tibau da Costa, pelo vice-almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral e pelo tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista.
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Com data de 24 de março, o documento da Comissão Interclubes Militares afirma ainda que "as Forças Armadas insurgiram-se contra um estado de coisas patrocinado e incentivado pelo governo, no qual se identificava o inequívoco propósito de estabelecer no País um regime ditatorial comunista, atrelado a ideologias antagônicas ao modo de ser do brasileiro". Na sexta-feira passada, os três clubes organizaram o simpósio "A revolução de 31 de março de 1964 - com os olhos no futuro", na sede do Clube Militar, no Rio de Janeiro.

 

No UruguaiLula Defende Realizações da ESquerda

No dia 26 de março de 1971, dezenas de milhares de uruguaios realizaram um ato político tão massivo, tão grande e tão bem organizado que todo o país ficou comovido. Aquele ato marcou o surgimento da Frente Ampla. No 40° aniversário da manifestação, Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos destaques do ato. Lula se posicionou como um homem de esquerda que mudou radicalmente a realidade do maior país da América do Sul, que fez seu povo acreditar que podia desenvolver o país e mudar todos os seus indicadores sociais. O compromisso da esquerda, acrescentou, é com o fim da pobreza e com uma nova etapa de consolidação de justiça e de direitos.

 Milton A. Ramírez - Uypress no sitio CartaMaior

Na noite de 26 de março realizou-se em Montevidéu o 40° aniversário de comemoração do ato político que mudou a história do Uruguai. Para a esquerda uruguaia é uma data muito importante. No dia 26 de março de 1971, dezenas de milhares de uruguaios realizaram um ato político tão massivo, tão grande e tão bem organizado que todo o país ficou comovido. Aquele ato original representou o primeiro marco de uma nova realidade política que demonstrava que havia uma parcela da cidadania que queria mudanças no rumo do país e que batizava uma nova organização, surgida no mês anterior e chamada Frente Ampla, com a presença massiva da cidadania na rua.

Os partidos tradicionais do Uruguai, Branco e Colorado, compreenderam rapidamente que este novo partido em forma de frente política estava surgindo para disputar uma porção importante do poder. Até ali puderam ver. A história continuaria.

O ato de 26 de março de 1971 evidenciou o mais importante, no que se refere aos destinos da República. Havia um modelo de governar, uma forma de fazer política que estava esgotada. Os ancestrais partidos Colorado e Nacional estavam sem um norte para seguir. Não tinham um projeto nacional. Seu ciclo estava começando a declinar enquanto este novo partido formulava sua visão da sociedade no longo prazo, propunha medidas no médio prazo, formulava de forma estruturada um programa de governo e, além disso, havia lançado um conjunto de 30 medidas urgentes de curto prazo para solucionar os problemas mais importantes do país.

O resto da história já é um pouco mais conhecida. A Frente Ampla chegou ao governo em 2004 com o apoio de mais da metade da cidadania do país. Passou daqueles 7 deputados e 4 senadores para uma maioria absoluta das duas câmaras, até o dia de hoje. O país cresceu e cresce a taxas muito altas que foram entre 4% até os 8,5% de 2010, e todos os indicadores sociais melhoraram quantitativamente e qualitativamente. Não é preciso abusar das cifras neste tipo de nota.

A esquerda
Logo depois do processo exitoso vigente, a esquerda também começou a repensar seu destino. A esquerda precisava de uma sacudida de ideias que a permitisse posicionar-se em direção ao futuro e seus compromissos na elaboração de uma sociedade melhor. Mas agora a esquerda podia e pode elaborar suas ideias e seus projetos com uma mudança substancial, um profundo conhecimento da realidade. A época das consignas passou a uma época de outra riqueza. Agora a esquerda elabora suas ideias e seus programas, seus planos, suas políticas e suas medidas executivas baseadas na mais clara e concreta das realidades. Das realidades reais, digamos.

Esquerda radical
E Lula veio e falou disso. O homem duas vezes presidente do Brasil, torneiro mecânico de origem, não esqueçamos deste dado, falou à esquerda uruguaia. Falou desde a emoção das palavras e sentimentos, mas se posicionou como um homem de esquerda que mudou radicalmente a realidade do maior país da América do Sul, que fez seu povo acreditar que podia desenvolver o país, que podia desenvolver sua indústria, que podia mudar todos os indicadores sociais, que era possível ingressar em uma nova cultura de desenvolvimento e de construção de uma nova autoestima no marco da integração em pé de igualdade com os demais países da região.

Reconheceu todas as dificuldades, mas marcou a realidade dos números sociais e produtivos. Números que implicam que, em cada um deles, há seres humanos de carne e osso. Números que implicam que o norte da preocupação e das responsabilidades da esquerda é o fim da pobreza, o fim dos miseráveis e o começo da nova etapa de consolidação de justiça e de direitos.

E Lula parou diante dos EUA. Deu as costas à lisonja de Obama, e deu as mãos às economias latino-americanas com as quais hoje tem um sustentável e equilibrado comércio exterior, tema que destacou em seu discurso em Montevidéu. Lula falou do desenvolvimento, mas de um desenvolvimento em integração. Falou do imperialismo, mas disse que o Brasil não ia construir um novo imperialismo e que essas ideias que algum momento já estiveram na cabeça de alguns, hoje, deram lugar à via da verdadeira integração multilateral, da integração da América Latina.
Lula disse: somos companheiros, somos parceiros, somos uma nova realidade que chegou para mudar a realidade sem olhar nunca mais os paradigmas dos países desenvolvidos. Países que hoje estão vendo que eles, os desenvolvidos, podem rapidamente “latinoamericanizar-se”, ao velho estilo do empobrecimento e endividamento infinito de seus países.

Uruguai
No final do ato, a Frente Ampla exibiu um vídeo de cerca de 10 minutos. Essa peça traz a mais exata síntese do que a esquerda está fazendo e concretizando. Sempre se pode aparentar muito mais, com palavras radicalmente estrondosas. Mas as mudanças radicalmente revolucionárias são as que esse vídeo mostrou com simplicidade e precisão. (UyPress – Agência Uruguaia de Noticias)

Tradução: Katarina Peixoto


Dilma e a Mídia: Não Morder a Isca

artigo de Emiliano José publicado no citio Carta Capital e no Blog do Miro

Antes que fossem concluídos os 30 dias do governo Dilma, estabeleceu-se, em alguns órgãos da mídia hegemônica, um curioso debate em torno da personalidade da presidenta, descoberta agora como uma mulher decidida, capaz, com um estilo próprio, e simultaneamente, o discurso de que ela rompia com o estilo Lula, e que isso seria muito positivo. Deixava sempre trair o profundo preconceito contra Lula, pela comparação entre uma presidenta letrada (que cumprimenta em inglês a secretária Hillary Clinton…) e o outro, com seu português, essa língua desprezível. Não se sabe se seriam esquizofrenias da mídia hegemônica, ou táticas confluentes destinadas a diminuir o extraordinário legado do presidente-operário e a camuflar a continuidade de um mesmo projeto político.

Não custa tentar avaliar essa operação. Durante a campanha, a mídia seguiu a orientação de que Dilma era uma teleguiada, incapaz de pensar por conta própria. No governo, como era inexperiente, seria manipulada por Lula. Bem, ocorre que foi eleita. O que fazer diante da esfinge? Nos primeiros momentos, cobra que ela fale o tanto que Lula falava. Dilma, que tem estilo próprio, ao contrário do que a mídia dizia, seguia adiante, sem subordinar-se às cobranças. Toca o governo com toda firmeza, que é o que importa. Não se rende às expectativas midiáticas, sinal de uma personalidade forte, muito distante da figura de fácil manipulação que se tentou esculpir antes.

As coisas estão no mundo, minha nega, só é preciso entendê-las, é Paulinho da Viola. A mídia não raramente passa batida diante das coisas que estão no mundo. Ou tenta dar a interpretação que lhe interessa sobre a realidade já que de há muito se superou a idéia de um jornalismo objetivo e imparcial por parte de nossa mídia hegemônica. Todo o esforço para separar Lula e Dilma é inútil. Parece óbvio isso. Mas, não para a mídia. Ela prossegue em sua luta para isso. Lula e Dilma, e lá vamos nós com obviedades novamente, são diferentes. Personalidades diversas. E o estilo de um e de outro naturalmente não são os mesmos. O que não se pode ignorar é que Dilma dá continuidade ao projeto político transformador iniciado com a posse de Lula em 2003. Essa é a questão essencial.

Dilma seguirá com as políticas destinadas a superar a miséria no Brasil, tal e qual o fez Lula nos seus oito anos de mandato, coisa que até os adversários reconhecem, e o fazem porque as evidências são impressionantes. Mexeu-se para melhor na vida de mais de 60 milhões de pessoas, aquelas que saíram da miséria absoluta e as que ascenderam à classe média. Agora, a presidenta pretende aprofundar esse caminho, ao situar como principal objetivo de seu mandato combater a miséria absoluta que ainda afeta tantas pessoas no Brasil. Essa é a principal marca de esquerda desse projeto: perseguir a idéia de que é possível construir, pela ação do Estado, um país mais justo, que seja capaz de estabelecer patamares dignos de existência para a maioria da população. O desenvolvimento tem como centro a distribuição de renda, e o crescimento econômico deve estar a serviço disso. Aqui se encontram Dilma e Lula. O resto é procurar pêlo em ovo.

A terrorista cantada em prosa e verso pela mídia durante a campanha virou agora a heroína dos direitos humanos, e nós saudamos a chegada da mídia na defesa dos direitos humanos quando se trata de outros países. Que maravilha, do ponto de vista de pessoas que amargaram tortura e prisão no Brasil, ver a presidenta recebendo as Mães da Praça de Maio na Argentina e se emocionando com elas. E condenando qualquer tipo de violação dos direitos humanos no mundo.

No caso da mídia, seria muito positivo que ela também apoiasse a instalação da Comissão da Verdade para apurar a impressionante violação dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar. Foi Lula que encaminhou o projeto da Comissão da Verdade, apoiando proposta do então ministro Paulo Vannuchi. As últimas eleições consagraram o projeto político desse novo Brasil que começou em 2003. Dilma está sabendo honrar a confiança que foi depositada nela, uma digna sucessora de Lula.

A mídia não descansará em seus objetivos. O de agora é o de tentar desconstruir Lula, tarefa que, cá pra nós, é pra lá de inútil pela força não apenas do carisma extraordinário do ex-presidente operário, mas pelo significado real das políticas que ele conseguiu levar a cabo, mudando o Brasil pra valer. Com esse objetivo, a desconstrução de Lula, elogia Dilma e destrata Lula. Este, naturalmente, não está nem aí. Sabe que a mídia hegemônica nunca gostou dele, nunca vai gostar. Ele é uma afronta às classes conservadoras, às quais a mídia hegemônica pertence. A existência dele como o mais extraordinário presidente de nossa história afronta a consciência conservadora. Ele seguirá seu caminho de militante político, cujos compromissos políticos sempre estiveram vinculados ao povo brasileiro, às classes trabalhadoras de modo especial, às multidões.

O segundo passo, mesmo que não consiga nada com o primeiro, que seria desconstruir Lula, será o de vir pra cima da presidenta, que ninguém se engane. Nós não temos o direito de nos iludir. As classes conservadoras mais retrógradas não podem aceitar um projeto como este que vem sendo levado a cabo desde 2003, quando Lula assumiu. A mídia hegemônica integra as classes conservadoras, é a intérprete mais fiel delas. Por isso, não cabe a ninguém morder essa isca. As diferenças de estilo entre Lula e Dilma são positivas. E é evidente que uma nova conjuntura, inclusive no plano mundial, reclama medidas diferentes, embora, como óbvio para quem quer enxergar as coisas, dentro de um mesmo projeto global de mudanças do País, sobretudo com a mesma idéia central de acabar com a miséria extrema em nossa terra. O povo brasileiro sabe o quanto recolheu de positivo do governo Lula. E tem consciência de que estamos no mesmo rumo sob a direção da presidenta Dilma. Viva Lula. Viva Dilma.

* Emiliano José é jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA).

segunda-feira, 28 de março de 2011

fruta farta

amoras no teu pêlo
quantas línguas
já provaram
mangas
na carne ancestral
da uva roxa
pra desbravar
o sexo
no pomar
das tuas coxas

arturgomes
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domingo, 27 de março de 2011

"Los hermanos", 20 anos depois

No momento atual, o Mercosul reúne mais razões de otimismo que os demais blocos. A União Europeia, sob crise aguda, vive um de seus piores momentos. O Nafta acentou os problemas da economia mexicana (o comércio que mais cresce com seu vizinho, do outro lado do Rio Grande, é o de drogas), e os Estados Unidos patinam para superar a recessão.

Antonio Lassance no ristio CartaMaior

Vinte anos depois daquilo que se considera a certidão de nascimento do Mercosul (o Tratado de Assunção, de 26 de março de 1991), a integração regional promovida pelo bloco mostrou-se benéfica. O principal saldo não é apenas econômico, mas político, social e cultural. Mesmo sujeito a idas e vindas, o Mercosul atravessou turbulências e manteve-se como um caso de sucesso.

Resistiu a crises internacionais graves, como as de 1999 a 2002 (quando o comércio entre os países do bloco reduziu-se à metade, em relação a seus valores de 1997) e a mais recente e maior delas, de 2008. Foi abalado por situações de profunda instabilidade. A principal atingiu o governo de Fernando de la Rúa, na Argentina, como efeito retardado do desmonte do Estado, privatização e desindustrialização provocados pelo governo de Carlos Ménem, combinados à atrapalhada saída brasileira do regime de paridade do dólar e câmbio fixo, no governo FHC.

Surgido na esteira de um processo de aproximação entre Brasil e Argentina, seus dois maiores países, o Mercosul era também uma resposta à União Europeia, ao Nafta (bloco que reúne Estados Unidos, Canadá e México) e à APEC (“Asia-Pacific Economic Cooperation” ou Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico). A arquitetura da amizade impulsionada com o Mercosul é tratada como um caso exemplar pelo especialista em relações internacionais, Charles Kupchan (da Universidade de Georgetown), em seu recente livro “Como inimigos se tornam amigos” (1). Ele dedica parte do quarto capítulo de seu livro (págs. 122 a 130) a mostrar como se deu a reaproximação entre Brasil e Argentina, nos anos 1980, e que atraiu, nos anos 1990, Paraguai e Uruguai .

Kupchan enquadra o exemplo sulamericano em algumas lições essenciais. Por exemplo, a de que o mundo hobbesiano da competição interestatal, onde impera o dedo no olho e os golpes abaixo da linha de cintura, pode até ser um ponto de partida para a análise das relações internacionais, mas não precisa ser necessariamente seu ponto de chegada. A competição pode ser superada por arranjos sustentáveis cooperativos, em que antigos inimigos passam a se tratar como atores confiáveis.

A segunda lição é a de que a mão invisível do liberalismo é incapaz de produzir tal arquitetura por geração espontânea. Ela deve ser induzida por projetos nacionais e tudo deve começar com um dos atores, em geral o de maior peso, dispondo-se a fazer concessões. É a diplomacia que impulsiona a economia, e não o contrário. Ela constrói o ambiente que produz saldos comerciais e financeiros positivos no longo prazo, facilita a inserção de empresas e enraíza a interdependência econômica. Uma terceira lição é a de que as ordens sociais entre os países devem se tornar cada vez mais compatíveis, harmônicas.

Ordens instáveis e incompatíveis entre si são um fator inibidor do entendimento. Kupchan destaca ainda, no caso sulamericano e em outros, que o fundamental nos processos de integração é o surgimento de uma identidade entre os países que supere as rivalidades reinantes. O trânsito de pessoas, o entrosamento cultural, a familiaridade com a paisagem dos vizinhos são um ingrediente dos avanços. Neste sentido, os sinais do Mercosul são muito promissores. O volume do comércio entre os países do bloco (hoje em torno de US$ 30 bilhões por ano) tem crescido , embora percentualmente ao PIB tenha ocorrido uma estagnação momentânea.

A situação se explica, estruturalmente, pela assimetria entre os países e, conjunturalmente, pela estratégia de seus países no sentido de diversificarem seus parceiros e não se atrelarem exclusivamente a alguns poucos (2). Certos números são surpreendentes. Em quatro anos (2006 a 2009), o número de brasileiros que estudam a língua espanhola saltou de um para mais de cinco milhões (dados do Instituto Cervantes). A razão foi a lei sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005, que obrigou a oferta do Espanhol no ensino médio. Praticamente um em cada cinco turistas que visitam o Brasil é argentino.

Em contrapartida, em 2010 quase dobrou a quantidade de brasileiros que visitaram a capital portenha. Os turistas vindos do Mercosul representam 70% do fluxo receptivo do Uruguai, 30% do fluxo receptivo da Argentina, mesmo patamar do Brasil, sendo baixo apenas no Paraguai (pouco mais de 10%) (3).

O projeto de integração é um desafio de grande envergadura e tem obstáculos consideráveis. Grande parte deles é resultante de seus pecados originais. A vertente comercial tornou-se hipertrofiada ao longo de 20 anos, enquanto persiste um déficit de participação democrática e representação política, com um Parlasul que ainda está por se estruturar plenamente.

O Brasil, infelizmente, tem negligenciado e protelado esse passo. Por outro lado, a entrada da Venezuela, que significaria a expansão do mercado comum, tem sido sistematicamente adiada pelo Paraguai, com argumentos que não convencem sequer os opositores venezuelanos do presidente Hugo Chávez, que defendem a entrada de seu país no bloco. Nos últimos anos, uma agenda intensa de políticas públicas tem se construído setorialmente, nas áreas da agricultura familiar, desenvolvimento social, educação, saúde, infraestrutura, turismo, segurança e defesa, dentre outras. Isso permite vislumbrar ações que contribuam para eliminar a pobreza, reduzir as assimetrias existentes, construir uma infraestrutura que permita ampliar o comércio na região e aprofundar a democracia, desafios destacados recentemente pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Alto Representante-Geral do Mercosul (Agência Senado, 24/3/2011). No momento atual, o Mercosul reúne mais razões de otimismo que os demais blocos.

A União Europeia, sob crise aguda, vive um de seus piores momentos. O Nafta acentou os problemas da economia mexicana (o comércio que mais cresce com seu vizinho, do outro lado do Rio Grande, é o de drogas), e os Estados Unidos patinam para superar a recessão. A APEC, além de muito heterogênea e pouco institucionalizada, pouco avançou diante da competição entre seus países, que disputam muitas vezes o mesmo espaço. A China, por exemplo, tem crescido, além de seus méritos próprios, sobre um declínio relativo do Japão.

Há 20 anos, quem seria capaz de dizer que se chegaria tão longe? Referências: (

1) ”KUPCHAN, Charles A. How Enemies Become Friends. Princeton: Princeton University, march 2010)

(2) SOUZA, André de Mello e Souza, OLIVEIRA, Ivan Tiago Machado e GONÇALVES, Samo Sérgio. Integrando desiguais: assimetrias estruturais e políticas de integração no Mercosul. Rio de Janeiro: IPEA, março de 2010. Texto de Discussão no. 1477.

(3) TOMAZONI, Edegar Luis. Turismo como Desafio do Desenvolvimento Econômico do Mercosul na Era da Globalização. Caxias do Sul: Universidade de Caxias do Sul, 2008.

Antonio Lassance
é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

black billy






ela tinha um jeito gal fatal
– vapor barato
toda vez que me trepava
as unhas como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando
doses dos eu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu

a morte não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa algo se espelha
na carne inicial de quem morreu

arturgomes http://goytacity.blogspot.com/


Prefeitura terá de explicar reajuste de tarifa à Justiça


Tribunal de Justiça deu um prazo de dez dias para administração pública esclarecer o aumento das passagens dos ônibus

da Redação Brasil deFato

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou que a prefeitura da capital paulista preste esclarecimentos sobre o reajuste de 11,11% nas tarifas dos ônibus municipais, em vigor desde o dia 5 de janeiro. A decisão foi do desembargador David Haddad, relator do mandato de segurança impetrado no dia 18 de fevereiro pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Vereadores.

O mandato pedia a impugnação da planilha de custos do reajuste da tarifa de ônibus de São Paulo e do aumento, que fez com que a tarifa passasse de R$ 2,70 para R$ 3. De acordo com a determinação, proferida na segunda-feira (22), a prefeitura tem dez dias para justificar o reajuste. O prazo é irrevogável.

Após os esclarecimentos, o representante do Ministério Público também terá dez dias para se manifestar. Com isso, o relator do mandato vai elaborar o seu voto e o caso será julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, composto por 25 desembargadores. Haddad concluiu que em “cuidadosa análise o Órgão Especial solucionará a questão, adotando eventualmente as providências que entender cabíveis”.

O mandato de segurança pedia a impugnação da planilha de custos apresentada pela prefeitura e do reajuste, que fez com que a tarifa dos ônibus passasse de R$ 2,70 para R$ 3. Além disso, o líder do PT na Câmara, vereador Ítalo Cardoso, também entrou com um pedido de liminar para a suspensão imediata do aumento da passagem, que foi rejeitado pelo desembargador.

Na época em que impetrou o mandato, o PT divulgou nota na qual afirmou que “a planilha apresenta uma série de números inconsistentes, levantando a suspeita de que pode ter sido manipulada para justificar o reajuste”. Um exemplo dado pelo partido é o valor dos pneus. De acordo com a planilha de custos da Secretaria Municipal de Transportes (STM), em 2009 cada pneu custava R$ 280 e em 2010 passou para R$ 670, um aumento de 139%.

Para o PT, “é necessário submeter a planilha a uma auditoria independente para checar a consistência dos números apresentados. E até que isso seja feito deve ser cancelado o reajuste”.

Esclarecimentos


O vereador Chico Macena (PT) ressalta a importância da decisão do desembargador David Haddad, porque, a partir dela, as informações poderão ser checadas pela Justiça. “Agora nós vamos poder mostrar para toda a sociedade que o governo maqueou esses dados”, explica. De acordo com o vereador, “a planilha que a prefeitura apresentou está superfaturada”.

Um exemplo é o preço do litro do diesel. A planilha da STM informa o valor de R$ 1,85. No entanto, ele conta que o PT questionou a Petrobrás sobre o valor, que informou cobrar R$ 1,70 pelo litro do diesel. Nesta sexta-feira (25), o prefeito Gilberto Kassab (ex-DEM) rebateu as contestações dos vereadores petistas. “Se um partido ou um vereador quiser aumentar o subsídio dos transportes, deve apresentar onde gostaria que fossem cortados recursos”, afirmou Kassab. “Tiraria da saúde? Da educação? Do recapeamento? Da construção de novas escolas? Da construção de creches?”, completou.

Segundo ele, a prefeitura prestará à Justiça todos os esclarecimentos necessários para provar a legitimidade do reajuste.

Luta contra o aumento


O mandato de segurança impetrado pelo PT soma-se à luta de movimentos sociais e estudantis contra o aumento das passagens dos ônibus municipais e questiona a falta de clareza nos dados apresentados pela Secretaria Municipal de Transportes em audiência pública realizada na Câmara dos Vereadores, em 12 de fevereiro.

A prestação de esclarecimentos a respeito do reajuste, dada pelo secretário Marcelo Cardinale Branco diante dos vereadores, estudantes e militantes do Movimento Passe Livre (MPL) de São Paulo, só foi possível após intensa mobilização. No dia 2 de fevereiro, os estudantes fizeram uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores, que resultou no compromisso da audiência pública e no apoio de alguns vereadores à luta contra o aumento. Desde que o reajuste entrou em vigor, o MPL encabeçou dez grandes atos na capital paulista.

O último foi realizado nesta quinta-feira (24). Cerca de 1.500 pessoas participaram da manifestação, que teve início na Praça Oswaldo Cruz, na avenida Paulista, seguiu pelas avenidas Brigadeiro Luís Antônio e 23 de Maio e terminou em um ato na Praça Rodrigues de Abreu, próxima à estação Paraíso do metrô. O vereador Chico Macena acredita que o julgamento do Tribunal de Justiça possa resultar na reversão do aumento das passagens.

Para ele, a mobilização realizada pelos estudantes e militantes do MPL garantiu “que o tema continuasse sendo debatido na sociedade e criou uma sensibilidade, inclusive, para que o judiciário atentasse para o fato”.

sábado, 26 de março de 2011

Fiscalização liberta 16 de duas propriedades pecuárias

Na Fazenda Santa Luzia, em São Geraldo do Araguaia (PA), operação encontrou sete vítimas da escravidão contemporânea. Outras nove foram libertadas da Fazenda Nossa Senhora de Fátima, em Novo Repartimento (PA)

Por Bianca Pyl Repórter Brasil

Um grupo de 16 pessoas, incluindo um adolescente de 12 anos, foi libertado de condições análogas à escravidão pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que reúne membros do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). A ação ocorreu em duas fazendas no Pará, na segunda quinzena de fevereiro.
Na Fazenda Santa Luzia, que está registrada em nome de Gustavo Araújo da Nóbrega, foram flagrados sete vítimas da escravidão contemporânea. A atividade desenvolvida na área, localizada em São Geraldo do Araguaia (PA), é a criação de gado bovino. Além dos libertados, havia mais cinco empregados com registro e morando em alojamentos em condições melhores, de acordo com Alexandre Elias, auditor fiscal que participou da ação.

Não havia água potável para consumo. A água consumida era retirada de um córrego, que também era utilizado pelos trabalhadores como ponto para banho. A alimentação não era garantida pelo empregador; as próprias vítimas eram obrigadas a comprar comida e preparar as refeições. Instalações sanitárias e energia elétrica também não eram oferecidas.

O alojamento era uma construção de madeira que apresentava frestas. Os buracos possibilitavam a entrada de animais peçonhentos, fator de risco para a segurança e saúde dos alojados. No galpão coletivo, havia homens e mulheres. Alguns estavam no local junto com suas famílias - o que não é permitido, conforme a Norma Regulamentadora 31 (NR 31)

A admissão dos empregados ocorreu entre outubro do ano passado e fevereiro deste ano. A maioria mora na região de São Geraldo do Araguaia (PA). Eles construíam cercas na fazenda, aplicavam produtos químicos (agrotóxicos) e limpavam a área que formaria o pasto.

Após assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelos procuradores do MPT que acompanharam a ação, o proprietário pagou cerca de R$ 15 mil em verbas rescisórias aos libertados. As irregularidades encontradas ensejaram a lavratura de 13 autos de infração.

Mais vítimas

Ainda com a operação em curso, a fiscalização recebeu mais uma denúncia de exploração de trabalho escravo. Na Fazenda Nossa Senhora de Fátima, que pertence à Cristiani de Jesus Mendonça e está localizada na zona rural de Novo Repartimento (PA), foram encontradas mais nove pessoas que estavam sendo submetidas a condições análogas à escravidão.

Ao todo, 11 trabalhadores estavam no local. Dois deles - a cozinheira e o vaqueiro - estavam em condições regulares de alojamento e não foram resgatados. Um adolescente de 12 anos também foi resgatado do local e recebeu as verbas trabalhistas rescisórias as quais tinha direito. Por ter menos de 18 anos, ele não pode receber, as três parcelas do Seguro-Desemprego para Trabalhador Resgatado, como os adultos.

Além disso, um idoso enfermo também foi afastado do trabalho. "Foi emitida a Comunicação de Acidente do Trabalho [CAT] e da estabilidade. Por isso, não foi requerido o Seguro-Desemprego", informou o auditor fiscal Alexandre. A fiscalização suspeita que o trabalhador ficou doente por conta da aplicação de agrotóxicos sem a devida proteção.

Os empregados exerciam as funções de limpeza do pasto, montagem de cerca e aplicação de agrotóxicos. Eles foram aliciados em Novo Repartimento (PA) mesmo e no município de Açailândia (MA). Os alojamentos estavam em condições precárias: as instalações sanitárias, por exemplo, estavam quebradas. Uma família inteira vivia junto com outros empregados.

A empregadora assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Cada trabalhador recebeu R$ 2,5 mil por dano moral individual. No total, Cristiani pagou mais de R$ 26 mil aos trabalhadores. Os representantes do MTE na operação emitiram 16 autos de infração.

A Repórter Brasil não conseguiu contactar os dois empregadores para colher a posição dos mesmos em relação às fiscalizações.

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sexta-feira, 25 de março de 2011

Convite a todos moradores de Campos:

No sábado 26/03/11, haverá uma manifestação da população e dos aprovados do PSF. Venha participar você também! É hora de exigirmos a valorização da Saúde em Campos e cobrar a ativação de todos PSFs!
Lema da Manifestação: PSF CAMPOS – Necessidade da população e Direito dos concursados!
Local: no CRTCA Henrique Oliveira (perto do Exército)
Horário: a partir das 8:30hs


“Folha” descobriu que Kassab é Kassab!

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Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador: e Blog do Miro

Não tenho simpatia alguma por Gilberto Kassab. Fruto do marketing (lembram dos bonecos do “Kassabão” na campanha para a Prefeitura, em 2008?) e de espertezas urdidas nos bastidores da política, ele virou prefeito num golpe de sorte – depois de ser escolhido vice de Serra.

Kassab tem trajetória parecida à de Sarney: o ex-presidente era um líder de segunda linha no antigo PDS. Ajudou a criar a dissidência que daria origem ao PFL (apesar de não ter entrado no PFL, mas ido diretamente ao PMDB), e assim virou o vice de Tancredo. Com a morte de Tancredo, virou presidente. Estava no lugar certo, na hora certa. Sarney sobrevive, desde então, como uma espécie de camaleão que sabe fazer as escolhas corretas nas horas exatas: apoiou FHC, depois apoiou Lula.

Kassab parece ter escolhido caminho semelhante. O que não chega a ser novidade na política brasileira. O engraçado é o desespero da imprensa serrista. Enquanto Kassab mantinha-se fiel ao bloco PDSB/DEM, era tratado como um “gerentão”, como um prefeito bom de trabalho, o prefeito da “Cidade Limpa” (que, diga-se, é um bom projeto). Tratado sempre com a condescendência merecida, já que era um protegido de Serra. Nada da pancadaria sofrida por Erundina ou Marta.

Agora, que resolveu migrar rumo à base lulista, Kassab virou um pária. Um colunista da “Folha” escreveu essa semana: “Serra levou Kassab aonde ele jamais imaginaria chegar”.

Hehe. Está dado o recado: “Kassab, seu ingrato, Serra abriu o caminho para você. E agora você trai o nosso chefe?”

Kassab queria chamar seu “novo” partido de PDB. Foi logo carimbado de “Partido Da Boquinha”. Ok. Mas quando a boquinha é pra ser vice de um tucano, aí pode?

Hehe. Essa “Folha”… Cada vez mais óbvia. A história é a seguinte: Kassab é apenas um político conservador, que tenta sobreviver. Vai aprender que a vida, longe da proteção oferecida pela mídia serrista, não é fácil. Kassab apanha sem parar desde que anunciou o movimento de aproximação com a base lulista. O mesmo colunista da “Folha” (o diário extra-oficial do serrismo) agora carimbou o partido do prefeito de “partido comercial”. Isso por agregar muitas lideranças ligadas às associações comerciais que tradiconalmente apóiam Afif – isso desde que ele foi candidato a presidente em 89. A “Folha” ainda chamou o prefeito de “macunaímico”. E disse que o PSD de Kassab é “filho do pragmatismo maroto”.

Ou seja: a “Folha” descobriu que Kassab é Kassab! Mas só descobriu agora, quando ele rompeu com o condomínio PSDB/DEM. E olhe que ele nem rompeu oficialmente com Serra. Mas ameaça costear o alambrado…

A “Folha” também só descobriu agora que Afif tem ligações sólidas com associações comerciais de todo o Brasil? Quando Afif foi eleito vice-governador de Alckmin isso não importava, certo? Boquinha e associação comercial, quando se trata de fazer aliança com os tucanos, são bemvindas.

Verdade que Kassab expõe-se ao ridículo com a tentativa de “resgatar a memória de JK”. Kassab não tem nada de JK. Isso soa falso, estranho. Até a neta de Juscelino já apareceu pra reclamar, como eu li no IG.

Quando resolveu apoiar Lula, especialmente após a crise de 2005, Sarney passou a ser tratado pela velha mídia brasileira como um “oligarca do Maranhão”. Ok. Isso ele já era há muito tempo. Mas enquanto esteve à disposição dos tucanos, o oligarca era um “estadista”.

Nesse ponto, parece-me que Sarney é muito mais esperto, e muito mais bem preparado do que Kassab. Sarney nunca tentou ser o que não era. Sarney nunca tentou apresentar-se como “herdeiro de Juscelino”. Se Kassab assumisse que é apenas um típico político conservador de São Paulo, mas disposto a dialogar com a base lulista, seria levado mais a sério. Pelo eleitor, pelas lideranças da sociedade.

Não pela “Folha” – porque essa escolheu o caminho do serrismo. Em todas as “operações jornalísticas” que interessam a Serra, está o dedo da “Folha”: na defesa do Ferreira Pinto (secretário de Segurança filmado a confratermnizar com jornalista da “Folha”), nos ataques ao presidente da Assembléa Legislativa de Saão Paulo Barros Munhoz (um tucano que bandeou-se mais pro lado de Alckmin, irritando Serra), e agora nos ataques contra Kassab.

Kassab merece apanhar. Mas a “Folha” – que o bajulou e protegeu enquanto esteve no serrismo – não tem moral para o ataque. Curioso como o jornal aceita um papel cada vez menor. Já foi o “jornal das diretas”. Depois, assumiu o papel de jornal a serviço dos tucanos. Agora, aceitou um papel ainda mais “recuado”: o de defender uma das facções do tucanato que lutam para manter o controle do PSDB de São Paulo.

Essa é a escolha da “Folha”. Por isso, Kassab vai apanhar da “Folha”. “Serra levou Kassab aonde ele jamais imaginaria chegar” – disse o colunista. Agora, o jornal pretende devolver Kassab ao lugar de onde não deveria ter saído. Falta combinar com a realidade.






ASILO DO CARMO À ESPERA DOS LERDOS PODERES


Fernando Leite no seu Blog

Ontem, recebi este registro fotográfico de um leitor do blog, Luiz Siri, que visitou o casarão construído na primeira metade do século XIX. Veja que lástima:

O prédio histórico do Asilo Nossa Senhora do Carmo agoniza. Sobre ele e sua história portentosa, o tempo demolidor. A obra de sua restauração tem recursos reservados no Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – que, por sua vez, aguarda providências da prefeitura de Campos para executá-la.

O que cabe ao governo municipal é efetivar a desapropriação de uma área próxima do solar, cujo processo foi iniciado na gestão do prefeito Mocaiber, mas não concluído, onde deverá ser construído um centro de convivência para os idosos internos. Condição indispensável para início das obras.

O secretário de Cultura, Orávio de Campos Soares, que acumula a presidência do Coppam – Conselho de Preservação do Patrimônio Municipal – já esteve no prédio, no ano passado e está convencido que as providências urgem.

Acredito na vontade política de Orávio e sei que ele deve estar correndo contra o tempo e contra a burrocracia oficial.

Ontem, recebi este registro fotográfico de um leitor do blog, Luiz Siri, que visitou o casarão construído na primeira metade do século XIX. Veja que lástima:


Gilmar Mendes culpa o Congresso pela confusão que a Lei da Ficha Limpa criou

Ministro Gilmar Mendes criticou o Congresso Nacional por ter aprovado a lei em pleno ano eleitoral

Carolina Pimentel Agência Brasil no Brasil de Fato

Um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que a Lei da Ficha Limpa não valeu para as eleições de 2010, o ministro Gilmar Mendes criticou o Congresso Nacional por ter aprovado a lei em pleno ano eleitoral. Para o ministro, os parlamentares aprovaram a lei para evitar constrangimento com os eleitores e acabaram criando na sociedade e nos candidatos eleitos uma expectativa que não se confirmou. A lei foi aprovada pelo Parlamento em maio do ano passado.

“O Tribunal mostrou que não vai chancelar aventuras. Haveria um estímulo para buscar novas reformas às vésperas das eleições e porque isso impõe ao próprio Congresso um certo constrangimento. Quem quer dizer que é contra determinado tipo de proposta? O Congresso aprovou por unanimidade. Não significa que o Congresso bateu palmas, mas, às vezes, recebeu de forma acrítica”, disse o ministro, após participar do lançamento da oitava edição do Prêmio Innovare, que seleciona iniciativas que melhoram o funcionamento da Justiça.

Gilmar Mendes foi o relator do caso da Ficha Limpa no Supremo e votou para que a lei não tivesse efeito no pleito do ano passado. Um dos argumentos do ministro é que a lei não pode antecipar a punição de uma pessoa antes de a ação judicial ter sido concluída. “Se você apanhar fatos da vida passada para atribuir a fatos futuros, talvez não haja mais limites. A lei tem que anteceder a esse fatos. É preciso ter essa dimensão”, justificou.
Já o ministro do STF Carlos Ayres Britto, defensor da aplicação imediata da lei, afirmou que a decisão da Suprema Corte foi um “acidente de percurso” e acredita que a regra será aplicada integralmente no próximo ano. “Resta o consolo para a sociedade que, a partir de 2012, todo o conteúdo da lei terá incidência sem maiores questionamentos”, disse.

Por 6 votos a 5, a Corte definiu ontem (23) que a Lei da Ficha Limpa não teve efeito nas eleições do ano passado. A regra passará a valer somente a partir das eleições municipais de 2012.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Ficha Limpa não vale para 2010, decide STF



Com voto de novo ministro, tribunal desempata a questão. Entendimento foi de que havia desrespeito à Constituição. Agora, lei só pode ser aplicada na próxima eleição, em 2012

Por: Redação da Rede Brasil Atual
O ministro Luiz Fux apresenta seu voto durante novo julgamento da Lei da Ficha da Limpa, no STF (Foto: Nelson Jr/STF/Divulgação)

São Paulo – O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a expectativa, após o posicionamento do ministro Luiz Fux, e decidiu que a Lei Complementar (LC) 135/2010, conhecida como Lei da Ficha Limpa, não deve ser aplicada às eleições de 2010. O entendimento, defendido pelo relator, ministro Gilmar Mendes, foi o de que a aplicação imediata da lei seria um desrespeito ao artigo 16 da Constituição, sobre anterioridade da legislação eleitoral. Foram seis votos nesse sentido, ante cinco que defendiam a aplicação da Ficha Limpa já em 2010. Agora, isso só poderá ocorrer na próxima eleição, em 2012.

Ministro mais novo da corte, Luiz Fux disse que o "intuito da moralidade é de todo louvável", mas sustentou que a melhor das leis não pode ser aplicada contra a Constituição. "Em decisão preliminar, os ministros já haviam concordado que esta decisão – sobre a inaplicabilidade da lei para 2010 – tem repercussão geral, e portanto se aplica a todos os demais recursos que versam sobre essa lei", informou o STF.

A decisão saiu na noite desta quarta-feira (23), quando o Supremo julgou o Recurso Extraordinário (RE) 633703, do candidato a deputado estadual Leonício Correa Bouças, do PMDB de Minas Gerais. Com base na lei, a Justiça Eleitoral havia negado o registro de sua candidatura. No primeiro julgamento sobre o tema, em outubro de 2010, sobre o candidato ao Senado Jader Barbalho (PMDB-PA), o tribunal ficou no impasse, com cinco votos para cada lado. O voto de Fux, empossado no início deste mês, desempatou.

A partir de agora, o STF poderá decidir individualmente os casos pendentes – são aproximadamente 30 recursos. O mesmo poderá ocorrer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ali, há em torno de 20 processos referentes à nova lei.

Com informações do site do STF e da Agência Brasil

Médico que “liberou” trabalhadores contaminados é ex-gerente da Rhodia

Os funcionários da unidade de Cubatão (SP) estavam expostos a elementos organoclorados, que são resíduos da fabricação de solventes

Jorge Américo no Brasil de Fato

O médico que atestou a aptidão para o trabalho de um grupo de funcionários da multinacional Rhodia, contaminados por agentes químicos, é ex-gerente da empresa. Desde que a unidade da cidade de Cubatão fechou, em 1995, os trabalhadores têm licença remunerada por terem problemas de saúde, mas um grupo foi convocado para demissão em janeiro deste ano.

No último dia 15 de fevereiro, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) suspendeu temporariamente as demissões. Os funcionários da unidade de Cubatão estavam expostos a elementos organoclorados, que são resíduos da fabricação de solventes. O contato direto com esses produtos pode provocar mais de cem doenças e agravos. Eles afetam severamente o sistema nervoso das pessoas contaminadas.

A Radioagência NP teve acesso a um laudo emitido pelo Hospital Israelita Albert Einstein e assinado por José Antonio Maluf de Carvalho, em outubro de 2010. No documento, o paciente não foi enquadrado como “caso suspeito de contaminação”, mesmo tendo desenvolvido problemas de fertilidade. Além disso, nenhum dos pacientes avaliados pelo Albert Einstein realizou exames neurocomportamentais, que são obrigatórios nesses casos.

Maluf é um dos diretores do renomado hospital. Segundo informações fornecidas pelo médico em seu currículo na Plataforma Lattes, ele “fez longa carreira de executivo em pesquisa e marketing em multinacionais farmacêuticas”. Somente na Rhodia, foram quatro anos de serviços prestados. O secretário da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO) – formada por trabalhadores contaminados –, Jeffer Castelo Branco, revela que houve “má fé” por parte da Rhodia, que utilizou os laudos de Maluf como se fossem exames demissionais.

“O cara colocou na lista gente que fez transplante de fígado, que tem problema de fertilidade, que é leucopênico. Como esse médico pode estar isento? Ele é ex-gerente da Rhodia, médico, faz uma barbaridade dessa, uma atrocidade dessa com pessoas que têm quadro suspeito claro. A relação dele com a Rhodia está clara e é um absurdo a postura antiética desse médico. Jamais um médico que avalia um paciente que tem câncer de próstata daria ele como apto.”

Em 1995, a Rhodia assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que a obriga a fazer o monitoramento da saúde dos funcionários. O acordo previa a criação de uma junta médica com representantes indicados pelo sindicato da categoria, pela empresa e pelo Ministério Público. Os termos do acordo davam à junta médica o poder de decidir quais trabalhadores deveriam ser enquadrados na lista de suspeitos de contaminação e encaminhados para um acompanhamento mais rigoroso.

O gerente industrial da Rhodia, Gerson Oliveira, afirma que a multinacional “cumpre rigorosamente todas as determinações do TAC desde 1995”. Ele também assegura que a escolha do médico foi uma coincidência, não havendo nenhuma relação entre ambos.

“A relação eu posso assegurar que é nenhuma. Nós ficamos sabendo disso há uma semana. Nós contratamos os serviços do Albert Einstein e isso foi definido lá em 1995, quando da assinatura do TAC, que definiu que seria o Albert Einstein – e foi definido pelas três partes. O nosso procedimento, como eu já disse, foi de respeito ao TAC. Então, nós contratamos os serviços do Albert Einstein, mas em nenhum momento nós sabíamos quem seria o médico que faria ou que assinaria todos esses laudos.”

O químico Marcio Antônio Mariano sofreu contaminação e teve problemas renais depois de sete anos de trabalho. Um exame realizado por conta própria dez anos após o fechamento da fábrica constatou a presença de organoclorados no sangue. Ele foi examinado no Albert Einstein em 2009 e garante que os procedimentos são incapazes de garantir diagnósticos precisos.

“Foi um negócio muito bem combinado para prejudicar os trabalhadores. Os exames que foram pedidos não serviam para muita coisa. São exames de rotina para quem está com a saúde perfeita, o que não é o caso geral dos trabalhadores da Rhodia.”

O secretário da ACPO confirma a denúncia do trabalhador. Castelo Branco acusa a Rhodia e o Hospital Albert Einstein de negligência na morte de um colega, vítima de câncer generalizado. Ele teria entrado em óbito em 2007 depois de ser submetido a inúmeras baterias de exames.

“Como um cidadão que faz exames no Albert Einstein morre de câncer generalizado? Isso não acontece de um mês para o outro, isso não acontece de um ano para o outro. Como eles não detectaram isso e não trataram esse sujeito? Foi feita uma citilografia e os órgãos estavam todos danificados, desde a cabeça até o quadril. Como é que a gente pode confiar na Rhodia, como é que a gente pode continuar confiando num hospital desses?”

Gerson confirma que a Rhodia teve conhecimento do caso.

“Nós temos informações dessa natureza, mesmo porque existe um processo judicial em andamento, mas até o momento não existe nenhuma relação entre essa causa da doença com as atividades profissionais.”

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Hospital informou que “os exames médicos realizados por esta Instituição foram definidos pelo MP por meio de Termo de Ajustamento de Conduta, TAC.” O hospital negou informações sobre o quadro clínico dos pacientes e anunciou que, “conforme política de privacidade e sigilo médico, esta informação não pode ser compartilhada.”

De acordo com Jeffer Castelo Branco, esta informação não foi compartilhada nem mesmo com os pacientes. Os laudos entregues não possuem nenhum detalhamento. Apenas informam se o paciente foi enquadrado como caso suspeito ou não. Para Jeffer, o problema é maior do que se imagina.

“Essas pessoas estão afastadas de seu trabalho profissional há mais de 17 anos. Essas pessoas com o carimbo da Rhodia não conseguem mais colocação em lugar nenhum. A maioria perdeu até mesmo a possibilidade de continuar seus estudos por conta desse problema: a eminência de estar realmente doente.”

quarta-feira, 23 de março de 2011

EUA e europeus divididos sobre comando de ataques a Líbia



A proposta de que a OTAN encabece as ações militares, defendida por Estados Unidos e Inglaterra, é rechaçada por França, Turquia e Alemanha. O governo de Nicolas Sarkozy deseja que o comando fique nas mãos de um grupo político no qual estão envolvidos os ministros de Relações Exteriores da coalizão e da Liga Árabe. Além disso, o primeiro ministro francês, François Fillon, afirmou que uma força de ocupação terrestre foi explicitamente excluída.

La Jornada no CartaMaior

Washington – A coalizão ocidental que participa da operação “Alvorada da Odisseia” contra o regime líbio de Muammar Kadafi continua dividida a respeito da estratégia no país norteafricano e de quem deve ficar no comando das operações militares. Estados Unidos e Inglaterra defendem que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) desempenhe um papel chave, mas França, Turquia e Alemanha se opõem a essa proposta.

Bem Rhodes, porta-voz da Casa Branca, informou que o presidente Barack Obama conversou com o primeiro ministro britânico David Cameron, que se mostrou favorável a que a aliança atlântica exerça um papel chave no comando da operação militar na Líbia. Obama, que se encontra em El Salvador em um giro pela América latina, sustentou que os vôos sobre a Líbia foram reduzidos significativamente e que a coalizão internacional está perto de implantar a zona de exclusão aérea para proteger os civis líbios.

No entanto, a proposta de que a OTAN encabece as ações militares é rechaçada por França, Turquia e Alemanha. O governo de Nicolas Sarkozy deseja que o comando fique nas mãos de um grupo político no qual estão envolvidos os ministros de Relações Exteriores da coalizão e da Liga Árabe. Além disso, o primeiro ministro francês, François Fillon, afirmou que uma força de ocupação terrestre foi explicitamente excluída.

Alguns analistas assinalaram que a posição de Sarkozy contrária a que a OTAN tenha um papel importante na Líbia, tem o duplo objetivo de ganhar imagem política e prolongar a liderança de Paris dentro da coalizão.

Por enquanto, Espanha, Ucrânia, Noruega, Bélgica e Emirados Árabes Unidos, notificaram o secretário geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, seu apoio à intervenção militar com base na resolução 1973.

Enquanto isso, os embaixadores dos 28 países membros da OTAN concordaram em realizar um esforço coordenado de unidades navais diante da costa da Líbia para assegurar o cumprimento do embargo internacional de armas. Não obstante, a OTAN segue sem chegar a um acordo sobre o que fazer para participar da operação internacional para estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre esse país com o objetivo de proteger a população civil.

Recep Tayvip Erdogan, primeiro ministro da Turquia, reiterou ontem seu rechaço a que a OTAN assuma a liderança dos ataques aéreos contra a Líbia. A Argélia, por sua vez, pediu a interrupção imediata das hostilidades e da intervenção estrangeira. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Jiang Yu, exigiu uma trégua ao declarar-se profundamente preocupada com os ataques militares da coalizão e as vítimas entre a população civil.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que a ofensiva lançada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus contra a Líbia tem como objetivo apoderar-se não só do petróleo, mas também da água doce desse país.

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, dijo que el atropello lanzado por Estados Unidos y sus aliados europeos contra Libia tiene como objetivo apoderarse no sólo del petróleo, sino del agua dulce de ese país. Já o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, chamou de truculentos os Estados Unidos, a França e a Inglaterra pelo ataque contra a Líbia e pediu o fim dos bombardeios para iniciar um diálogo que leve à paz.

Tradução: Katarina Peixoto

terça-feira, 22 de março de 2011

A entrevista que a revista Veja escondeu



Causou profunda estranheza e perplexidade o timing da publicação da entrevista que o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), concedeu à Veja. Por que a revista, tendo entrevistado Arruda em setembro de 2010, durante a campanha eleitoral, somente agora, quase 190 dias depois, resolveu levá-la ao conhecimento de seu público leitor? Na entrevista, o ex-governador dispara torpedos contra aliados e antigos companheiros de partido, entre eles, Agripinio Maia, Demóstenes Torres, Marco Maciel, ACM Neto, Rodrigo Maia, Ronaldo Caiado e Sérgio Guerra.

Washington Araújo - Observatório da Imprensa via CartMaior

Existem notícias que nos fazem rever o conceito do valor-notícia. Estou com isto em mente após ler a entrevista que o ex-governador José Roberto Arruda (DF) concedeu em setembro de 2010 à revista Veja. Na entrevista, Arruda decidiu dar uma espécie de freio de arrumação em suas estripulias heterodoxas como governador do Distrito Federal: atuou como principal protagonista no festival de vídeos dirigido pelo ex-delegado de polícia Durval Barbosa e que tratavam de um único tema: a corrupção graúda correndo solta nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Distrito Federal.

Na entrevista publicada na quarta-feira (17/3) no sítio de Veja encontramos o ex-governador desarrumando as biografias de seus antigos companheiros de partido, pessoas como os senadores Agripino Maia, Demóstenes Torres, Cristovam Buarque e até o sempre correto Marco Maciel. Não faltaram mísseis dirigidos aos deputados ACM Neto, Rodrigo Maia e Ronaldo Caiado. E também ao presidente do PSDB, o agora deputado Sérgio Guerra. Na fala de Arruda sobra ressentimento e, mesmo tendo passado alguns meses, ainda trai uma certa conotação de vingança.

Não. Não estou desmerecendo o valor de uma única palavra de Arruda nessa entrevista. Após ler os desmentidos de todos os novos citados no escândalo conhecido como o "panetone do DEM" (ver, neste Observatório, "Panetones na Redação" e "Mídia encara corrida de obstáculos"), confesso que nenhum me convenceu: a defesa esteve muito inferior ao ataque desferido e onde as palavras deveriam ser adjetivas conformaram-se como nada mais que substantivas. Naquele velho diapasão do "nada como tudo o mais além, ainda mais em se tratando deste assunto, muito pelo contrário". Ou seja, a bateria antimíssil deixou muito a desejar e, considerando a virulência verbal dos agora acusados de receberem apoio financeiro no mínimo com "origem suspeita", os desmentidos surgem como bolhas de sabão que tanto animam festas infantis. Desmancham-se no ar.

Miúdos e graúdos

O que me causou profunda estranheza nessa entrevista nem foi seu conteúdo, menos ainda seu personagem. O que me deixou perplexo, com todas as pulgas aninhadas em volta da orelha, foi o timing da publicação da entrevista. Por que Veja, tendo entrevistado o ex-governador em setembro de 2010, somente agora, quase 190 dias depois, resolveu levá-la ao conhecimento de seu público leitor? O ponto é que o mais robusto episódio de explícita corrupção, o único escândalo com tão formidável aparato midiático, com dezenas de vídeos reproduzidos nos principais telejornais do Brasil, merecia ter um tratamento realmente jornalístico: descobrindo-se novos fatos, novos meliantes, novas falcatruas, tudo teria que vir à luz, a tempo e a hora.

Convém refrescar a memória com essas autoexplicativas manchetes dos principais jornais brasileiros no dia 28/11/2009:

O Globo: "Governador do DEM é suspeito de pagar propina a deputados". E diz que "PF grava José Roberto Arruda negociando repasse de dinheiro com assessor";
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Folha de S.Paulo: "Governo do DF é acusado de corrupção";
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O Estado de S.Paulo: "Polícia flagra ‘mensalão do DEM’ no governo do DF". E diz que o esquema "teria até mesmo participação do governador Arruda".
No dia seguinte, 29/11/2009, as manchetes continuaram com tintas denunciatórias:
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O Globo teve como manchete principal "PF: Arruda distribuía R$ 600 mil todo mês";
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Folha de S.Paulo optou por "Documento liga vice-governador do DF a esquema de corrupção";
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O Estado de S.Paulo não deixou por menos: "Em vídeo, Arruda recebe R$ 50 mil".

E, para concluir essa sessão "refresca memória", compartilho as manchetes dos jornalões no dia 30/11/2009:
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O Globo abriu sua edição com a manchete "Arruda: TSE vê indício de caixa 2";
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Folha de S.Paulo destacou na primeira página: "Vídeos mostram aliados de Arruda recebendo dinheiro";
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O Estado de S. Paulo abriu manchete com "Vídeos ‘letais’ levam DEM a preparar expulsão de Arruda", destacando em subtítulo que "Provas contundentes da PF deixam governador em situação insustentável".
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Até o fluminense Jornal do Brasil passou a tratar do assunto com a importância que o assunto requeria: "Aliados deixam Arruda isolado".

Tudo bem, este foi o início da divulgação do escândalo. E, como sempre acontece, o início de todo escândalo político tende a ser megapotencializado. É assim aqui no Brasil, na Itália, no Reino Unido, no mundo todo. No caso atual, pela primeira vez um governador no Brasil esteve trancafiado por tão longo tempo: 60 dias, de 11 de fevereiro a 12 de abril de 2010. A carceragem se deu na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Antes de completar um ano de sua divulgação, o escândalo produziu a cassação de mandatos de diversos deputados distritais, a renúncia de um senador da República, a instauração de diversos inquéritos para apurar responsabilidades de políticos miúdos e graúdos e também de procuradores do Ministério Público do Distrito Federal.

E foi nesse meio tempo que, segundo os advogados de Arruda, em setembro de 2010, o ex-governador concedeu a entrevista ao carro-chefe da Editora Abril. O que as teclas de meu micro querem saber é por que Veja escondeu comprometedora entrevista de Arruda.

Insidiosa, rastejante

Tenho exposto aqui neste Observatório minhas teses sobre a forma e o modus operandi de como a imprensa, a grande imprensa, tem se comportado como agremiação político-partidária. E essa defasagem de mais de seis meses entre a data da entrevista e a data de sua divulgação é de chamar a atenção.

Quais as reais motivações para que fosse esquecida, largada na gaveta de um editor aparentemente displicente? Por onde andaria aquele polvo-caçador-de-corruptos-no-Planalto que não deu a mínima trela para essa entrevista? Ninguém na redação de Veja considerou um mísero grama de valor-notícia para buscar a versão dos "novos acusados"? Ou seria mais um desserviço à campanha presidencial de José Serra? Desserviço que, com certeza, cobriria tal campanha de portentosa agenda negativa, incluindo sob suspeição até mesmo o presidente de seu partido.

Todos sabemos que o papel da imprensa é informar a população. Aprendemos isso ainda nos primeiros dias de aula de qualquer curso de jornalismo, mesmo aqueles chamados "meia-boca". Por que à população brasileira foram suprimidas tais informações?

É, não é necessário muitos decênios de madura experiência como analista da política brasileira para entender que dentre as mil possíveis razões para que ocorresse tal ocultação uma delas sobressai, insidiosa, sibilina, rastejante: a entrevista de Arruda, que hoje causa apenas perplexidade, publicada em setembro de 2010 traria em seu cerne forte componente explosivo capaz de desarrumar por completo o pleito presidencial de 2010.

Mas, como dizem nossos oráculos da imprensa... o leitor vem sempre em primeiro lugar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai para casa, Padilha 2!


por Douglas Barreto no blog Planicie Lamacenta

Em determinadas situações, a emenda sai pior que o soneto.
O sonolento PT de Campos, depois de levar uma "bolada nas costas"(aliás, mais uma), com o anúncio de que o ministro da Saúde viria a cidade, ciceroneado pelo deputado federal, condenado por formação de quadrilha, tentou "correr atrás do prejuízo"!

Como sutileza e capacidade de análise não são pontos fortes do PT local(tem algum?), a tentativa de esvaziar o evento, com o "adiamento" da visita e a fala da vereadora de que o ministro receberia um relatório sobre a situação da saúde na cidade, deixou claro que o PT local não sabe bem a diferença entre o papel institucional de um ministro e o partido.

Não se pode "empurrar" goela adentro de um representante do governo federal que ele participe de um evento da oposição local, após ter cumprido uma agenda com a administração. Isso expõe o ministro, e "deixa no ar" uma imagem de que o partido "ataca" os "interesses da cidade".

Fica parecendo "birra".

Visita ministerial é evento político, onde o visitante "ilustre" vem fortalecer ou estabelecer canais com o anfitrião. Logo, ministro da Dilma nunca poderia fazer esse papel aqui em Campos dos Goytacazes.

Mas a "inteligença" política do PT/Campos permitiu que um ministro do PT com laços políticos com a cidade viesse aqui colocar "azeitona" na empada alheia!

Como não fez o "dever de casa", e não evitou, através desses canais políticos locais(leia-se PT de Campos, o clã D'Ângelo e o PT/Regional), que a presença do ministro estivesse vinculada aos "ogros da lapa", agora só tem um jeito:

A visita não deve acontecer, e em seu lugar, o ministro mandaria um representante do ministério, com viés "técnico", para diluir o conteúdo político do evento e seus desdobramentos.

Fica em casa, Padilha!

Mas se o caldo estiver entornado, e o Padilha desembarcar por aqui, vai uma sugestão aos patetas do PT: Ao invés de entregar uma agenda "negativa" ao ministro, com queixas e chorumelas, os patetas bem que poderiam fazer com que o evento com os sindicatos e entidades representativas do setor, em um exercício há muito esquecido pelo PT local, de aproximar e dinamizar as relações entre sociedade civil e governo, desse chance a esses setores de debaterem propostas e uma agenda "positiva" para a gestão da saúde local.

Tudo em um ambiente de interlocução institucional, sem os riscos de "aparelhamento", sectarização e, ou partidarização da visita! Usar a "estampa" do ministro para reaproximar o PT com esses setores, e estimular a discussão. Esse seria um ganho político!

Seria uma chance do PT Campos mostrar que pode ser solução, no lugar de só falar dos problemas! Indicar a população que uma gestão do PT local poderia trazer muitos benefícios a comunidade, com a sintonia com o governo federal e do estado!

Fora isso é: Vai para casa, Padilha!


Resfriamento de usina no Japão avança, mas situação ainda é grave

Por: Agência Brasil

Faixa impede que carros e pessoas entrem em uma área de Ono, na província de Fukushima (Foto: Joe Chan/Reuters)

Brasília – O trabalho de resfriamento dos reatores nucleares da Usina de Fukushima Daiichi, no Japão, evolui, mas segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), a situação continua grave.

As operações na usina foram suspensas temporariamente na segunda-feira (21) por causa de uma fumaça cinza que saía do reator número 3. Técnicos foram retirados do local mas, até o momento, não foram detectadas alterações no nível de radiação ou na pressão do reator.

Em entrevista, os técnicos da usina explicaram que a fumaça e o vapor que sobem das ruínas estão menos intensos e que o sistema de resfriamento já foi retomado em três reatores.

O grau de seriedade do acidente nuclear, no entanto, foi mantido em 5, em uma escala internacional que varia de 1 a 7.

Contaminação

As autoridades japonesas proibiram a venda de leite e de dois tipos de hortaliças produzidas perto da Usina Nuclear de Fukushima Daiima, no Nordeste do país, em decorrência dos elevados níveis de radioatividade na região. Depois do terremoto seguido de tsunami no último dia 11, a usina sofreu explosões e vazamentos nucleares contaminando boa parte da região.

O risco de agravamento da situação levou as autoridades a recomendar à população manter o afastamento em um raio de 20 quilômetros em volta da usina. Para os moradores da área, a orientação foi para que evitassem deixar suas casas em uma distância de 20 a 30 quilômetros.

Os funcionários que trabalham no resfriamento dos reatores de Fukushima foram orientados hoje a abandonar as instalações. A companhia Tokyo Electric Power (Tepco), responsável pela operação, determinou a retirada dos técnicos depois do surgimento de fumaça do reator número 3.
Paralelamente, as autoridades informaram que o reator 2 da usina está em condições de funcionamento parcial. Uma nova linha elétrica, há três dias, permite levar eletricidade até o reator 2.

Os equipamentos não estão em funcionamento pleno por causa das múltiplas verificações necessárias. De acordo com peritos, vários componentes, como bombas, devem ser mudados, o que requer tempo.

sábado, 19 de março de 2011

formigas no formigueiro

hoje na candelária a caminho da cinelândia alguma coisa acompanha o inconsciente coletivo não sei se mar de espanha areia aranha a cois que extrapola as páginas de algum livro o sangue do carrapato as solas do meu sapato pedra n0 meu caminho não sei se urubus ou passarinho são mesmo o que me provocam o coração em desmantê-lo o verde amarelo rubro ou 31 de outubro as duas horas da tarde lendo garcia lorca na aldeia de arcozelo sabendo no alvorada o palácio de brazilha algo fora da trilha deixa o povo em alvoroço como formigas no formigueiro


Sarkozy afirma que aviões franceses já estão combatendo na Líbia

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou neste sábado que aviões franceses já estão combatendo na Líbia os ataques das tropas leais ao líder Muammar Kadafi sobre a população civil.

Sarkozy anunciou que os países reunidos na Cúpula de Paris acordaram a aplicação da resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia, que autoriza o uso da força neste país.

"Já combatemos ataques. Aviões franceses estão preparados para impedir novos ataques", declarou Sarkozy. Segundo ele, os pilotos fazem voos de reconhecimentos e estão orientados a impedir agressões contra civis.

Ele disse ainda que os países reunidos em Paris decidiram aplicar "todos os meios necessários, inclusive militares", para garantir a aplicação da resolução 1973 do Conselho de Segurança, aprovada na última quinta-feira.

"Desde ontem, enviamos uma advertência que, sem um cessar-fogo imediato, recorreríamos a meios militares", destacou o presidente, em uma declaração feita no Palácio do Eliseu ao término da Cúpula.

O governante líbio, Muammar Kadafi, "menosprezou esta advertência" e "intensificou" sua ofensiva, ressaltou Sarkozy.

O líder francês disse que "ainda é tempo" para Kadafi cumprir todos os requerimentos da comunidade internacional.

"É uma grave decisão", reconheceu o presidente, que garantiu que "a França está decidida a assumir seu papel perante a História".

fonte: http://www.yahoo.com.br/


O futuro incerto de Barack Obama
por Luiz Carlos Azenha no VioMundo

Enquanto a mídia brasileira celebra a presença no país de Barack Obama como se fosse a reencarnação de Dom João VI, com demonstrações explícitas de servilismo e bajulação extrema (veja aqui como os tucanos bajulam funcionários dos Estados Unidos nos bastidores), aqueles que elegeram o presidente dos Estados Unidos se perguntam: entrará Obama no seleto grupo de presidentes de um só mandato?

Pois esta é a perspectiva dos dias de hoje: quem conhece bem a conjuntura eleitoral americana acredita que há boas chances de Obama ser derrotado em 2012.

Desde Ronald Reagan, eleito pela primeira vez em 1980, o pleito presidencial americano tem sido decidido por um bloco de eleitores centristas, então chamado de “Reagan democrats”, hoje batizado de “independente”.

Grosseiramente falando, são eleitores urbanos, de classe média baixa, conservadores em assuntos econômicos e menos conservadores nas questões morais (aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, etc).

Por viverem em importantes áreas urbanas dos chamados “swing states”, que ora votam com os republicanos, ora com os democratas, esses eleitores muitas vezes são o fiel da balança no intrincado sistema eleitoral dos Estados Unidos.

Lá, republicanos e democratas estão cada vez mais parecidos.

A ala liberal, trabalhista, do Partido Democrata corre sério risco de extinção. O professor Belluzzo, em artigo publicado na CartaCapital, tocou no ponto central: a base dos democratas foi “exportada” junto com os empregos industriais do país.

Eu me lembro de uma entrevista que fiz para a extinta revista Manchete, nos anos 80, com o professor John Kenneth Galbraith, em sua confortável casa de Cambridge, Massachusetts. Eram os tempos de Ronald Reagan no poder e ele descreveu o impacto da desindustrialização nos grandes centros urbanos, que vinha dos anos 70: a instalação de um ciclo da pobreza, que combinava desemprego, violência, consumo de drogas, mães adolescentes e a epidemia de Aids.

Galbraith dizia que estava amadurecendo a primeira geração que viveria pior que a geração dos pais nos Estados Unidos: era o fim da ascensão social que tinha embalado o “american dream” do pós-Segunda Guerra Mundial.

Hoje, um liberal da mesma cepa de Galbraith, Paul Krugman, em coluna escrita no New York Times, lamenta que o debate político nos Estados Unidos tenha simplesmente “esquecido” dos desempregados.

No texto, intitulado de “Os milhões esquecidos”, Krugman diz que o debate político americano está completamente dominado pelo que define como “obsessão pelo déficit”. Embora Krugman não tenha avançado por esse caminho, o fato é que a obsessão pelo déficit — e o “esquecimento” do desemprego – esconde o ataque dos republicanos aos direitos adquiridos da classe média e dos trabalhadores americanos, que está em pleno andamento, por exemplo, mas não apenas, em Wisconsin.

Como disse o cineasta Michael Moore, ao discursar em Madison (clique aqui para ver e ler):

Ao contrário do que diz o poder, que quer que vocês desistam das pensões e aposentadorias, que aceitem salários de fome, e voltem para casa em nome do futuro dos netos de vocês, os EUA não estão falidos. Longe disso. Os EUA nadam em dinheiro. O problema é que o dinheiro não chega até vocês, porque foi transferido, no maior assalto da história, dos trabalhadores e consumidores, para os bancos e portfólios dos hiper mega super ricos. Hoje, 400 norte-americanos têm a mesma quantidade de dinheiro que metade da população dos EUA, somando-se o dinheiro de todos.

Imagino que nem em seu mais tresloucado sonho Galbraith imaginaria um desfecho destes para a situação que ele anteviu nos anos 80 do século passado.

Krugman, em seu artigo, nota a capitulação completa de Barack Obama na batalha das ideias, o que representa o virtual “esquecimento” de um sexto da força de trabalho dos Estados Unidos (os desempregados e os que só conseguem bicos de meio período).

Bem, caros leitores, esta tem sido a marca do governo desde o começo: a “negociação” dos princípios que levaram Obama a ser eleito, a submissão à pauta imposta pelos republicanos e a escolha inexorável dos interesses de Wall Street, em detrimento da chamada Main Street.

A CartaCapital fez um bom balanço das promessas não cumpridas de Obama, motivo de frustração que se manifesta especialmente entre milhões de eleitores americanos que acreditaram no “Change that you can believe in”.

O que nos leva de volta ao assunto inicial: qual é a perspectiva eleitoral de Obama em 2012?

Tudo vai depender do candidato escolhido pelo Partido Republicano. Se for um moderado, a reeleição de Obama corre sério risco. Isso porque, com Sarah Palin e o Tea Party, os republicanos conquistaram o entusiasmo da direita, cuja militância é fundamental numa campanha.

Se a direita religiosa forneceu a militância para que Ronald Reagan e George W. Bush obtivessem dois mandatos cada, agora ela ganha o reforço dos independentes que gravitaram em direção ao Tea Party, furiosos com a decisão de Obama de privilegiar os banqueiros quando tomou medidas para enfrentar a crise financeira. Como escrevi anteriormente, os republicanos conseguiram o milagre de provocar a crise, faturar (financeiramente) com o combate à crise e pendurar a conta do combate à crise nos democratas.

Um candidato centrista para os padrões republicanos completaria o serviço, atraindo independentes e democratas moderados.

Como o voto nos Estados Unidos não é obrigatório, Obama vai enfrentar uma direita tremendamente energizada, correndo o risco de não contar com o entusiasmo dos jovens eleitores que o levaram à Casa Branca, nem com o que sobrou da base tradicional dos democratas, desanimada pelas promessas de campanha não cumpridas.

quinta-feira, 17 de março de 2011

os buracos de rosinha

http://arturgomes-fotografia.blogspot.com/

neste sábado 18 uma turma grande de caçadores do buracos em goyta city prometem tapar todos os buracos de rosinha. estarão todos procurando o que fazer e com certeza não terão a mínima dificuldade em encontrar.


Em entrevista exclusiva à Carta Maior, a economista Maria da Conceição Tavares fala sobre a visita de Obama ao Brasil, a situação dos Estados Unidos e da economia mundial. Para ela, a convalescença internacional será longa e dolorosa. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, diz. E acrescenta: "a sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”.

Quando estourou a crise de 2007/2008, ela desabafou ao Presidente Lula no seu linguajar espontâneo e desabrido: “Que merda, nasci numa crise, vou morrer em outra”. Perto de completar 81 anos – veio ao mundo numa aldeia portuguesa em 24 de abril de 1930 - Maria da Conceição Tavares, felizmente, errou. Continua bem viva, com a língua tão afiada quanto o seu raciocínio, ambos notáveis e notados dentro e fora da academia e esquerda brasileira. A crise perdura, mas o Brasil, ressalta com um sorriso maroto, ao contrário dos desastres anteriores nos anos 90, ‘saiu-se bem desta vez, graças às iniciativas do governo Lula’.

A convalescença internacional, porém, será longa, adverte. “E dolorosa”. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, dispara Conceição que não se deixa contagiar pelo entusiasmo da mídia nativa com a visita do Presidente Barack Obama, que chega o país neste final de semana.

Um esforço narrativo enorme tenta caracterizar essa viagem como um ponto de ruptura entre a ‘política externa de esquerda’ do Itamaraty – leia-se de Lula , Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães - e o suposto empenho da Presidenta Dilma em uma reaproximação ‘estratégica’ com o aliado do Norte. Conceição põe os pingos nos is. Obama, segundo ela, não consegue arrancar concessões do establishment americano nem para si, quanto mais para o Brasil. ‘Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais. A sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”. O entusiasmo inicial dos negros e dos jovens com o presidente, no entender da decana dos economistas brasileiros, não tem contrapartida nas instâncias onde se decide o poder americano. “O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?”, questiona e responde em seguida: ‘Ele vem cuidar dos interesses americanos. Petróleo, certamente. No mais, fará gestos de cortesia que cabem a um visitante educado’.

O desafio maior que essa discípula de Celso Furtado enxerga é controlar “a nuvem atômica de dinheiro podre” que escapou com a desregulação neoliberal – “e agora apodrece tudo o que toca”. A economista não compartilha do otimismo de Paul Krugman que enxerga na catástrofe japonesa um ponto de fuga capaz, talvez, de exercer na etapa da reconstrução o mesmo efeito reordenador que a Segunda Guerra teve sobre o capitalismo colapsado dos anos 30. “O quadro é tão complicado que dá margem a isso: supor que uma nuvem de dinheiro atômico poderá corrigir o estrago causado por uma nuvem nuclear verdadeira. Respeito Krugman, mas é mais que isso: trata-se de devolver o dinheiro contagioso para dentro do reator, ou seja, regular a banca. Não há atalho salvador’.

Leia a seguir a entrevista exclusiva de Maria da Conceição Tavares à Carta Maior.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Mão de obra escrava é explorada em fazenda de eucalipto

Trabalhadores chegaram a ser retirados da Fazenda Santa Rita 2, em Barreiras (BA), antes que a fiscalização chegasse. A partir de depoimentos e provas colhidas, contudo, vítimas acabaram sendo encontradas e libertadas

Por Bianca Pyl Reporter Brasil

Fiscalização da Gerência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Barreiras (BA) libertou 21 trabalhadores, incluindo um adolescente de 17 anos, de condições análogas à escravidão. Eles trabalhavam por meses nessas condições na Fazenda Santa Rita 2, que fica no chamado Anel da Soja e desenvolve o cultivo de eucaliptos, em Barreiras (BA).

A operação teve início em 15 de fevereiro, após denúncia de uma das vítimas. O carro que levava a equipe, porém, acabou atolando e não foi possível prosseguir com a fiscalização. No dia seguinte, uma nova equipe conseguiu chegar ao local, mas não encontrou trabalhadores.
Uma testemunha que permaneceu na fazenda confirmou à comitiva de fiscalização que os trabalhadores tinham deixado a propriedade rural às 4h da manhã, em uma carreta, por ordem do dono da Fazenda Santa Rita 2, Alcindo José Dalcin. "Alguém viu o carro do Ministério do Trabalho no dia anterior. Então, deu tempo de tirar os trabalhadores do alojamento", avalia Edvaldo Santos da Rocha, auditor fiscal que coordenou a inspeção.

Foram encontrados seis cadernos com anotações das dívidas dos empregados. Além disso, o alojamento construído com telhas feitas de fibras de amianto - não só no teto, mas também as paredes eram feitas do mesmo material - e partes de alvenaria ainda estava de pé e com alguns objetos, dando sinal que o local havia realmente sido abandonado às pressas. As camas foram construídas com o próprio eucalipto derrubado no corte.

Com os indícios em mãos, a equipe da Gerência se deslocou até o perímetro urbano de Barreiras (BA), onde encontrou os 21 trabalhadores que confirmaram a situação em que viviam. "Eles estavam revoltados porque tinham recebido um valor irrisório para ficarem quietos", relata Edvaldo.

Ficou comprovada a servidão por dívida, que caracteriza o trabalho escravo contemporâneo. Os descontos nos salários eram muitos e variavam de acordo com a função. Operadores de motosserra pagavam pela manutenção do equipamento, incluindo o combustível. Carregadores da madeira já cortada até o caminhão custeavam as luvas e botas que usavam.

De acordo com depoimentos colhidos pela fiscalização, a alimentação fornecida era precária. Como complemento, as vítimas tinham de comprar mais comida na cantina, aumentando, assim, a dívida com o empregador. Não havia fornecimento algum de água potável.

Parte dos trabalhadores estava no local desde agosto do ano passado. Outros chegaram nos dois últimos meses de 2010 (novembro e dezembro) e em janeiro deste ano. Os empregados foram aliciados em municípios da região como Luís Eduardo Magalhães (BA), Barreiras (BA), Xique-Xique (BA), Mortará (BA), Teodoro Sampaio (BA) e também de Oito de São Domingos (GO).

A fiscalização apurou ainda que a fazenda flagrada fornece eucalipto para virar carvão vegetal para siderúrgicas de Luís Eduardo Magalhães (BA) e outras empresas que atuam na Região Oeste da Bahia.

Ao todo, foram lavrados 12 autos de infração contra o propeitário Alcindo por conta das irregularidades encontradas. O empregador pagou R$ 55,9 mil referentes às verbas rescisórias. As vítimas também receberão três parcelas do Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado. O relatório será encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

A reportagem tentou contato para registrar a posição do dono da Fazenda Santa Rita 2, mas não conseguiu encontrá-lo.


Meios de ocultação da informação

A liberdade dos meios de comunicação implica sua responsabilidade, não se admitindo que pela distorção da verdade, ou por ocultação maliciosa de informações de relevante interesse social, os meios de comunicação impeçam ou dificultem consideravelmente a normalidade das atividades sociais, afetando o uso regular de direitos e deixando de transmitir à população, por má fé, as informações de que disponha e que sejam de grande importância para a vida social.

Por Dalmo de Abreu Dallari na Revista Forum


Há vários séculos as sociedades medianamente avançadas tornaram-se dependentes dos meios de comunicação para o desenvolvimento de suas atividades, seja no âmbito público estatal, seja no setor das atividades econômicas, ou ainda no tocante às atividades políticas e sociais de maneira geral, aí compreendidas também as que envolvem pessoas, famílias e outros grupos sociais de qualquer natureza.

O que pode ou deve ser feito, como proceder, as condições objetivas para agir ou que recomendam ou determinam a abstenção de certo tipo de atividades, tudo isso é fortemente influenciado pelos meios de comunicação, estando aí a base da consagração da liberdade de imprensa, depois ampliada para liberdade de comunicação, como um dos fundamentos da sociedade democrática.

A liberdade dos meios de comunicação implica sua responsabilidade, não se admitindo que pela distorção da verdade, ou por ocultação maliciosa de informações de relevante interesse social, os meios de comunicação impeçam ou dificultem consideravelmente a normalidade das atividades sociais, afetando o uso regular de direitos e deixando de transmitir à população, por má fé, as informações de que disponha e que sejam de grande importância para a vida social.

Em certas circunstâncias, a omissão da comunicação pode ser tão danosa quanto a informação maliciosamente errada, podendo-se afirmar que ao lado do direito de comunicar com liberdade existe a obrigação jurídica de comunicar, quando isso for de relevante interesse social.

Serviços públicos

Um exemplo de ocultação maliciosa e antissocial de informação acaba de ser dado pelos meios de comunicação da Itália. Por vários motivos, com e sem responsabilidade direta do governo, diversos setores da sociedade estão muito descontentes e exigem uma reformulação das leis ou de determinadas práticas consideradas injustas e prejudiciais à população. Ante a indiferença dos agentes governamentais legalmente responsáveis, organizações representativas de expressão nacional ou regional, de vários setores de atividade, como o transporte coletivo, decidiram, valendo-se de um permissivo legal, realizar uma greve geral de protesto e advertência, na cidade de Roma, no dia 11 de março.

A notícia da intenção de realizar essa greve foi divulgada por meios de comunicação habitualmente usados pelos sindicatos e partidos políticos, alguns dias antes da data programada, ficando-se na expectativa de mais informações sobre a efetivação e a extensão do movimento, que, se concretizado, afetaria grande parte das atividades sociais, incluindo-se aí os serviços públicos e o trabalho de maneira geral. Era de extrema importância, nesse caso, o noticiário da televisão, que transmitiria à população as informações mais recentes sobre a evolução do movimento, a efetivação e a possível extensão da greve

E aqui aparece a ocultação de má fé, extremamente danosa para a sociedade. No dia anterior, quase todas as emissoras de televisão excluíram de seu noticiário qualquer referência à greve, como se o assunto nunca tivesse sido cogitado. Para se avaliar a gravidade dessa omissão maliciosa, basta lembrar que o primeiro-ministro Sílvio Berlusconi tem o controle econômico de quase todos os grandes canais privados de televisão da Itália. A par disso, o governo tem, como é óbvio, o controle do canal público de televisão.

E, desse modo, desde o dia anterior não se disse, nos principais noticiários da televisão, uma palavra sobre o movimento grevista, o que foi repetido no próprio dia 11 de março, quando grande parte da população romana queria e precisava saber se os serviços públicos, a começar pelo transporte urbano, estariam funcionando, assim como as escolas, os serviços de saúde e tudo o mais que é absolutamente necessário para a vida normal da comunidade.

Dualidade indispensável

Os meios de comunicação ficaram maliciosamente omissos, ocultaram as informações, deixando de cumprir sua obrigação de comunicar, deixando de divulgar notícias sobre a greve, mas com isso desorientando a população, que naquele dia deixou de usar de inúmeros direitos e de cumprir muitas obrigações por falta da informação sobre as condições sociais para o seu exercício.

Esse fato, ocorrido agora, mostra com muita eloquência a necessidade de exame atento dos direitos e obrigações relativos aos meios de comunicação e de ampla discussão sobre a necessidade e as características de uma legislação que fixe regras para o exercício da liberdade de comunicação, nele devendo ser incluída a obrigação de comunicar quando houver interesse público relevante.

A censura das comunicações deve ser proibida, como já está expresso na Constituição brasileira, mas é preciso deixar claro que o povo não pode ser vítima de censura imposta pelos donos e controladores dos meios de comunicação. O direito de comunicar deve ter como paralelo o dever de comunicar, dualidade indispensável para a concepção democrática do uso dos meios de comunicação.

Por Observatório da Imprensa. Foto por http://www.flickr.com/photos/spiritolibero85/.