terça-feira, 15 de março de 2011

Rumos Educação, Cultura e Arte viaja pelo país com aula-espetáculo de Antonio Nóbrega






O erudito e o popular, o feminino e o masculino, o conceito e a emoção caminham juntos em Mátria: Uma Outra Linha de Tempo Cultural, aula-espetáculo do músico e dançarino Antonio Nóbrega. O evento faz parte do Rumos Educação, Cultura e Arte e será apresentado em várias cidades do país, como parte de divulgação do novo edital do programa.

No dia 17 de março, a parada é o Teatro Sesi Centro, no Rio de Janeiro, às 20h. Nóbrega traz, por um lado, considerações sobre duas linhas culturais: a brasileira de extração popular e a europeia; por outro, apresenta peças do samba, da tradição oral e da música clássica. Um dos focos do artista é o equilíbrio entre o que seria o tipo de pensamento masculino - o discurso, o conceito - e o que seria o feminino - a sensibilidade, a emoção.

Segundo o artista, "o sistema em que vivemos é de tessitura masculina, daí a necessidade de levarmos em conta outra linha de tempo cultural, onde valores femininos são mais operantes - para incorporar o melhor das duas tradições".

Veja aqui fotos da primeira apresentação, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, e confira abaixo a programação da itinerância.

Caravana Rumos Educação, Cultura e Arte

Aula-espetáculo com Antonio Nóbrega
Classificação indicativa: 16 anos
entrada franca

Programação
quinta 17 de março, às 19h
Teatro Sesi Centro (350 lugares)
Av. Graça Aranha, 1 - Centro - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro

quarta 23 de março, às 20h
Theatro Carlos Gomes (409 lugares)
Praça Costa Pereira, 25 - Centro - Vitória - Espírito Santo

terça 29 de março, às 20h
Teatro da UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso (506 lugares)
Avenida Fernando Corrêa da Costa, s/n - Campus Universitário - Cuiabá - Mato Grosso

terça 26 de abril, às 19h
Teatro João do Vale (400 lugares)
Rua da Estrela, 283 - Praia Grande - São Luís - Maranhão

quinta 28 de abril, às 20h
Teatro Estação Gasômetro (450 lugares)
Av. Magalhães Barata, 830 - São Brás - Belém - Pará

sábado 30 de abril, às 19h
Teatro da Instalação (217 lugares)
Rua Frei José dos Inocentes, s/n - Manaus - Amazonas

terça 3 de maio, às 20h
Teatro Álvaro de Carvalho (461 lugares)
Rua Marechal Guilherme, 26 - Centro - Florianópolis - Santa Catarina

quinta 5 de maio, às 20h
Casa de Cultura Mario Quintana - Teatro Bruno Kiefer (200 lugares)
Rua dos Andradas, 736, 6º andar - Centro - Porto Alegre - Rio Grande do Sul

quinta 12 de maio, às 20h
Palácio das Artes - Sala Juvenal Dias (174 lugares)
Avenida Afonso Pena 1537 - Centro - Belo Horizonte - Minas Gerais

terça 17 de maio, às 19h30
Teatro Sesc-Senac Pelourinho (220 lugares)
Largo do Pelourinho, 19 - Centro Histórico - Salvador - Bahia

quinta 19 de maio, 20h
Teatro Apolo (282 lugares)
Rua do Apolo, 121 - Bairro do Recife - Recife - Pernambuco

quarta 25 de maio, às 20h
Teatro José Maria Santos (170 lugares)
Rua Treze de Maio, 655 - Centro - Curitiba - Paraná

sexta 27 de maio, às 19h
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - Teatro (246 lugares)
Rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema - Fortaleza - Ceará

terça 14 de junho, às 20h
Teatro Claudio Santoro - Sala Martins Pena (437 lugares)
Via N2 Norte, anexo Teatro Nacional Claudio Santoro - Brasília - Distrito Federal

quinta 16 de junho, às 20h
Teatro Plácido de Castro (482 lugares)
Avenida Getúlio Vargas, 2703 - Bosque - Rio Branco - Acre

fonte: www.itaucultura.org.br/rumos





Dalmo Saraiva e seu personagem:
Sô da Mamãe.




Cinema Possível: ENTREVISTA COM DALMO SARAIVA

Dalmo Saraiva, nascido em Angra dos Reis, poeta e brincante. Seu livro "URUBU", já esgotado, teve um dos poemas filmado pelo projeto Cinema Possível, em 2009. Nesta entrevista vamos conhecer um artista que não é apenas poeta, mas que fez de sua vida um poema.

Cinema Possível - Porque lidar com poesia? Não seria melhor fazer outra coisa? Faz sentido esta vida?

Dalmo Saraiva - Poesia? Eu não lido com ela não. Talvez ela é que me instiga... que me maltrata... que me faz chorar de vez em quando... que me faz rir... que me faz irônico... que me deixa perplexo diante da vida... que abusa de mim (esse corpo cansado e suado de tanto rodar o mundo)... O meu amigo Milton Aguiar tem uma frase que eu sempre uso e que acho o máximo: "poesia dá asas mas também dá azia". E aí? eu gosto mais das asas onde posso voar embora meus textos incomodem um pouco... mas confesso... confesso... deixa prá lá! Hoje ainda não cometi pecados... Lidar com outra coisa? Sim, eu lido com outra coisa mas a outra coisa nunca me dá uma lida. Sim! Faz sentido esta vida sim. Aliás, esta vida não é máximo? Você que lida com ela poeticamente e mimicamente não acha o máximo? Ixe!

CP - Mas não só lidar como também gostar, vejo que você tem um certo amor por Antônio Nóbrega, Denise Stoklos, Zé Ramalho. Quem mais?

DS - Rapaz! você consegue deixar meus olhos cheios d’água... espera aí! Deixa eu respirar. Tenho sim, Jiddu! Tenho um amor por Antonio Nóbrega sim... tenho uma profunda admiração pelo trabalho dele e pela pessoa que é. E além de tudo é um grande amigo além de ter sido meu professor. É pena que eu sempre fico em segunda época com grandes professores como ele. Mas é sempre bom ficar em segunda época para que eu aprenda mais.... Para mim cada espetáculo do Antonio Nóbrega é sempre uma aula. Na verdade vi todos diversas vezes... acho que o verdadeiro brasileiro deveria conhecer o "Tonheta" e parar de ficar vendo a novela das oito. A Denise Stoklos é a essência da essência. É o Teatro Essencial. Aquele que eu gosto... aquele que busca e faz pensar... O Zé Ramalho? Eu me identifico com o pau de arara... com
o brejeiro... acho ele um profeta e quem ouve "Cidades e Lendas" se remete para distante buscando histórias e estórias...

Quem mais? São tantos. O professor Ivan Proença é um deles. Ele é um dos responsáveis pela minha in- vestida no teatro de rua, no texto literário, na poesia, na cultura brasileira, na música regional, na música dos repentistas, nos cantadores. Um outro é o Julinho Pimentel... uma figura extraordinária que me ensinou muitas coisas... São muitos, Jiddu! São muitos. Até os índios Carajás de Aruanã, em Goiás, me ensinaram e eu fiquei fã deles... Se eu pudesse e não posso, queria encontrar Guimarães Rosa... queria encontrar Euclides da Cunha.... Queria encontrar Mário de Andrade... queria encontrar Câmara Cascudo... são muitos...

CP - Você nasceu lá pras Bandas de Angra dos Reis, estive lá, me pareceu um dos lugares mais bonitos do Brasil, e a Usina Nuclear?

DS - Sim! Nasci na cidade de Raul Pompéia. Aliás, na cidade não. Nasci no mato. Nasci no município de Lopes Trovão e Brasil dos Reis... Lá é um dos lugares mais bonitos do mundo. É pena que perdeu a característica de cidade colonial. Seus governantes não tiveram a sensibilidade de preservação da história. Lá ia ser fundada a cidade do Rio de Janeiro. Lá surgiram os primeiros teatros do Brasil. Engraçado! e ninguém sabe mas está nos livros. Com sete ou oito anos fui morar em Tarituba, em Paraty e lá comecei o meu primeiro dia de escola.

Paraty está preservada até hoje e a sua história atrai turistas do mundo inteiro e Angra dos Reis está deitada ao lado do Rio do Choro reclamando as mágoas por causa de homens sem raízes. A Usina Nuclear? Aquilo lá é a peste do século XXI. Já participei de diversos movimentos contra aquela praga mas aquele estopim não está cercada só de granadinhas de urânio...

"Dalmo Saraiva tinha e tem razão, o flagelo nuclear continua"!

Os acidentes nucleares do Japão são lições
para o mundo inteiro.
É hora ou já passou a hora de revermos o
que fizeram em Angra dos Reis onde colocaram
os estopins chamados Angra I e Angra II.
E agora?
“Eles” que eram “CONTRA” Angra I e II,
aprovaram a construção e estão construindo
mais uma MALDITA chamada Angra III.
Plano de evacuação?
Vamos evacuar! Vamos evacuar!
SÓ SE FOR DE DIARRÉIA.

(Dalmo Saraiva)

CP - O que acontece nos recitais de poesia, há algum magnetismo?

DS - Você sempre aparece, gostam de você. É bom ser gostado? Magnetismo? Não sei não! Não sou de aço. Sou de pedra. Tenho Saraiva e Rocha no nome e o que é do nome o bicho come.

CP - Você demonstrava estar feliz, de bem com a vida. Dá pra estar de bem com a vida?

DS - De bem com a vida? Não! É a vida que está de bem comigo. Jiddu, a vida é uma séria brincadeira e a brincadeira da vida é muito séria. Deu para responder? A vida é muito boa, meu caro! Você sabe disso!

CP – Porque o seu livro se chama "Urubu"? O que você tem contra as garças brancas?

DS - Eu não tenho nada contra as garças brancas não. Eu fundei a Sociedade Protetora dos Urubus. É um bicho preto da alma pura (se tiver). Eu admiro o seu misterioso olhar e seu vôo... é um dos seres mais ecológico no mundo... E tem mais: eu queria ele (o livro) todo negro e isso vinha me criando dificiculdades a nível financeiro mas a Thereza (Editora Ibiz Libis) falou que isso não era problema. Acreditei. Eu tenho que acreditar, pois também já andei lá pelo ACRE e tive contatos com os urubus. É preciso ACRE ditar. Eu ACRE dito.

Mas não é só os urubus que tenho admiração não. Tenho admiração por todos. O nosso humor vem dos macacos e a nossa graça vem da garça. É preciso preservar os homens para que
possamos valorizar os animais.

CP - Quem é Dalmo Saraiva por Dalmo Saraiva?

DS - Jiddu! acima de tudo, nos conhecemos há bastante tempo e na verdade não sei muito bem quem eu sou. Ainda estou me procurando e quando penso que me achei, aí, eu escapo de mim mesmo. Eu participei de um workshop há algum tempo com uma pessoa sensacional que se chama Jorge e numa parte desse evento maravilhoso, cada um vai falar de si. Eu dizia na roda de pessoas (mais ou menos trinta) que eu era dois mas ainda existia um terceiro... estou delirando? Acredito que não e até fico chateado comigo mesmo quando me taxam de maluco. Coisa que não sou.... apenas sou um experimentalista... um ousado... um irrequieto... um ser amigo dos criadores com quem aprendo e descubro uma parte de minha pessoa... essa pessoa que quando criança pulava as cercas dos circos poeiras na minha cidade para assistir as simples cenas dos palhaços pobres materialmente, porém ricos espiritualmente... é isso... e não pode ser aquilo.

Urubu, um filme do projeto
Cinema Possível a partir do
poema de Dalmo Saraiva.



leia mais em http://cinemapossivelbrasil.blogspot.com

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