quinta-feira, 26 de maio de 2011

quero muito mais a carnavalha



me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha

quero muito mais a carnavalha
do que a palavra açucarada
quero a palavra sal do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios


quarta-feira, 25 de maio de 2011

código florestal

a votação ontem na Câmara dos Deputaos, deu a verdadeira dimensão de quais são os interesses da maioria ali representados. Trsite de um governo que tem como parceiro um partido como PMDB, e o mais estranho ainda foi a atuação da bandacado PT e seu líder de governo. Entregar aos governos dos EStados, a responsabilidade de decidir sobre as reservas sflorestais é entregar o que ainda resta da Amazônia de bandeja aos ruralistas, como historicamente vem sendo feito, por todos os Estados que compõem a região.

quero muito mais a canavalha


me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha
quero muito mais a carnavalha
do que a palavra açucarada
quero a palavra sal do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios


segunda-feira, 23 de maio de 2011

veget ação estranha vegetação


essa Africa nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendeia o continente
nos teus olhos de menina
e eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci


domingo, 22 de maio de 2011

nas entranhas do poder



desde ribeirão preto
a caixa preta me fala
há água estranha na fonte
há algo estranho na mala

os urubus são testemunhas:
o cheiro agora resvala
“quem cala consente
quem sente fala”  (eliakin rufino)

a Nação quer conhecer
o que o palocci
tem na mala

arturgomes


sexta-feira, 20 de maio de 2011

poema de 7 foices


como preservar a Amazônia
como exterminar a miséria
se as 7 patas de Vênus
cavalgam a besta do planalto
poema de 7 foices
atrás da face anticristo
e nos palácios os crápulas
com suas caras de vidro
defendem os pastos de soja
devastam florestas pra búfalos

cada qual atrás dos mantos

 esfarrapados dos partidos
nunca vi tanto canalha
no mesmo espaço reunidos

federico baudelaire – viagens insanas


quarta-feira, 11 de maio de 2011

A face oculta de Bono (cantor dos U2)

Ao investigar quais são os accionistas que investiram na rede social Facebook, descobrimos com espanto o nome de Bono, cantor dos U2.
 
 
Pesquisando um pouco mais, constatamos que este defensor de causas nobres, possui um império com aplicações financeiras estranhas, deslocaliza-se para fugir aos impostos e é membro de um clube secreto pouco recomendável.
 
Um homem de negócios que foge aos impostos
 
Nascido em 1960 na Irlanda, Bono (cujo verdadeiro nome é Paul David Hewson), é o cantor e autor das músicas do grupo U2.
 
Em pouco anos, tornou-se num conhecido homem de caridade e habituamo-nos a vê-lo, vestido com um blusão de cabedal preto e óculos se sol escuros, a frequentar os políticos mais influentes do mundo.
 
Bono é conhecido pela suas lutas contra a pobreza e contra a SIDA. Em 1999 criou uma ONG (Organização Não Governamental), a DATA: Debt, AIDS, Trade in Africa (Dívida, SIDA, Comércio com África), que tem por finalidade incetivar os países ricos a ajudarem os países africanos.
 
A face menos conhecida de Bono é a de homem de negócios que faz todos os possíveis para pagar menos impostos. Assim, a sociedade que detém os direitos musicais do grupo, U2 Limited, deixou a Irlanda em 2006 para se instalar na Holanda. Com efeito, a Irlanda decidiu que a partir de 2006 os artistas que ganhassem mais de 250 000 euros teriam de pagar impostos, e U2 Limited ganha mais de 100 milhões de euros por ano.
 
Aplicações financeiras curiosas
 
O facto de Bono ser dono de um grande hotel em Dublin e de uma cadeia de restaurantes, não belisca este apregoador de boas vontades. Com uma sua fortuna pessoal avaliada em 700 milhões de euros, o que é mais intriga é a sua participação na empresa de investimentos Elevation Partner, que ajudou a fundar, e que investe na área dos media e curiosamente, ou não, com uma participação financeira de 40% na revista Forbes.
 
Mas ainda mais curioso é a sua participação no Facebook. A finalidade real da rede social Facebook, como muitos sabem, é a recolha de dados pessoais fornecidos pelos seus utilizadores, que posteriormente são centralizados em gigantescos bancos de dados. Não é por acaso que a CIA investiu no Facebook. A Elevation Partner, de Bono, também tem 1,5% das acções do Facebook, ou seja 750 milhões de dólares.
 
É portanto sem surpresa que Bono preconiza, num artigo publicado no New York Times, onde colabora regularmente, que para evitar a pirataria, discográfica, entre outras, é necessário aumentar a filtragem dos conteúdos que circulam na Internet. A esse propósito diz ser com satisfação que tem assistido aos esforços desenvolvidos pelos Estados Unidos nesse sentido.
 
Imagens de guerra para um homem de paz
 
A Elevation Partner tem participações em dois fabricantes de jogos de computador: a Edmonton e a Bio Ware Corp.. Estas têm dois jogos de guerra chamados "Destroy All Humans 2" e "Mercenaries 2: World in Flames", onde é descrito a invasão da Venezuela por mercenários. Este tipo de jogos mancha a imagem pacifista de Bono que no entanto se recusou que fossem retirados do mercado.
 
O lado negro das suas relações
 
Muitos dos seus fans não sabem que Bono é membro do elitista e secreto Bohemian Club. Todos os anos os seus 2000 membros reúnem-se numa propriedade de 11 Km2 em Monte Rio na Califórnia, nos Estados Unidos, nas duas últimas semanas de julho. Participam a essas reuniões antigos e recentes presidentes dos Estados Unidos, a fina nata financeira mundial, e muito milionários, na sua maioria americanos.
 
 
O jornalista Alex Jones conseguiu infiltrar-se numa dessas reuniões e filmar um documentário, onde se pode ver uma cerimónia pagã chamada de Cremation Care. Nesta cerimónia, ao pé da estátua de um mocho com 12 metros de altura, o símbolo do clube, um caixão contendo a imagem de uma criança é queimado, à semelhança do que era praticado no culto ancestral do demónio Moloch.
 
Bono também é um participante assíduo das reuniões da elite financeira mundial no World Economic Forum de Davos.
 
Célebre e rico, Bono tem beneficiado por parte dos media da imagem de um milionário filantropo dos tempos modernos. Mas poderá não ser bem assim, e não passar de um daqueles ídolos controlados pelo sistema e que serve de corrente de transmissão à imposição de uma ideologia mundial elitista.
 
 
Fonte: Octopus

terça-feira, 10 de maio de 2011

Festa literária de Pirenópolis homenageia poetisa Cora Coralina

A terceira edição da Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri), no estado de Goiás, que começa amanhã quarta-feira (11), quer mostrar que é possível promover a inclusão das pessoas, nos âmbitos social e cultural, por meio da leitura.

O secretário municipal de Cultura de Pirenópolis, Gedson Edmar de Oliveira, explicou que a Flipiri não tem por objetivo vender livros e, sim, formar leitores. “Não é uma feira literária. É uma festa literária. E, a cada ano, nós estamos formando leitores e bibliotecas nas escolas e nos povoados, fomentando a leitura e fazendo de Pirenópolis e região uma cidade de leitores”.

Segundo Oliveira, nesta edição, foi feito um trabalho direto com 5,6 mil alunos da rede pública de ensino e com os professores das escolas municipais e estaduais, incluindo a sede do município e mais dez povoados situados na zona rural. Os alunos receberam previamente livros de escritores que estarão na festa e estão, agora, recebendo a visita deles nas escolas, para os quais apresentam releituras das obras, leituras dramáticas e encenações teatrais.

A inclusão dos moradores da zona rural e do entorno da cidade vem sendo promovida ao longo das últimas edições, de acordo com o secretário de Cultura. Segundo Oliveira, a organização da Flipiri vem, inclusive, recebendo pedidos de municípios vizinhos, entre os quais Jaraguá, Corumbá de Goiás e Alexânia, para serem incluídos na festa. “É uma festa que está crescendo para os lados. Em vez de buscar o glamour, a mídia, a gente está crescendo para os lados e com a construção sendo realizada com a sociedade”.

Muito além da paisagem
Oliveira ressaltou também que a Flipri não é um evento que usa o município apenas como cenário. “Ela [a festa literária] é planejada durante todo o ano juntamente com os professores, os gestores e os fazedores de cultura da cidade. Ela fica com a cara da cidade”.

A expectativa é que a Flipiri, que este ano vai homenagear a poetisa Cora Coralina, receba cerca de 20 mil visitantes. O evento se estenderá até o domingo (15) e deverá contribuir também para movimentar a economia da cidade, conhecido destino turístico do estado de Goiás, localizado a cerca de 140 quilômetros de Brasília. A festa contará com a presença de 46 escritores da própria cidade, de Brasília, Goiânia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

A programação é inteiramente gratuita e inclui apresentações teatrais e musicais, saraus, contadores de histórias e bate-papos. A festa ocupa vários espaços da cidade, como o Theatro de Pirenópolis, o Cine Pireneus, o Museu do Divino, a Praça da Leitura, as ruas do centro histórico e alguns restaurantes.

A festa contará com a presença de escritores e amigos de Cora Coralina e de estudiosos de sua obra, que farão a leitura de trechos de seus poemas, contarão histórias e participarão de bate-papos com os visitantes da Flipiri. Algumas presenças já foram confirmadas como a do neto da poetisa, Paulo Salles; da presidenta da Associação Casa de Coralina, Marlene Vellasco; do escritor, médico e amigo de Cora, Heitor Rosa; e do escritor goiano Elder Rocha Lima. O poeta e cordelista João Bosco Bezerra Bonfim lançará, na festa, um cordel feito em homenagem a Cora Coralina.

Esta edição da Flipiri tem o apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que considera a feira uma oportunidade de democratização do acesso à cultura.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A república dos canalhas




Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

Mais um degrau foi galgado na escalada de canalhice que começou no fim do ano passado com aquela garota do interior de São Paulo que pregou o assassinato de nordestinos pelo Twitter, passando pelo crime impune de racismo cometido pelo deputado Jair Bolsonaro e que acaba de desembocar na apologia ao estupro pelo integrante do programa CQC Rafinha Bastos.

O “humorista” do programa da TV Bandeirantes faz piadas com estupro, aborto, doenças e deficiência física. Acaba de dizer que toda mulher que reclama de estupro é “feia” e deveria “agradecer” a violência. Segundo os adeptos desse tipo de “humor”, este não pode ser feito sem mau gosto, sem desumanidade e insensibilidade. A “graça” estaria em pisotear os que já foram pisoteados pela vida.

Esse homem, em reportagem do jornal The New York Times, foi considerado a pessoa mais influente do mundo no Twitter. Mas o que isso quer dizer? O que é ser influente nessa rede social que cada vez mais vai abrigando toda sorte de horrores? Significa ser “retuitado”, ou seja, as pessoas que lêem esse tipo de “pensamento” passam para frente, em efeito multiplicador.

Bastos é influente no Twitter porque tem cerca de DOIS MILHÕES de seguidores na rede social e eles não só compram as aberrações que diz, mas as difundem. Ele os influencia, portanto. Ou seja: faz com que essas pessoas, sobretudo jovens, emulem seu comportamento e suas idéias doentias. E o sucesso que vem fazendo só o estimula a ir cada vez mais longe.
Parece bastante razoável, portanto, dizer que a sociedade brasileira – e, sobretudo, nossos jovens – está moralmente doente. Uma geração em que há tantas pessoas frias, cínicas, empedernidas é a que irá governar o Brasil do futuro. Uma geração diferente de todas as que a terão precedido, capaz de rir das desgraças alheias e de pregar atos criminosos como afogar ou estuprar pessoas.

Como sempre, os adeptos dessa “ideologia” virão dizer que seu ícone não disse o que disse, ou buscarão desculpas para alguém que difunde (com inegável sucesso) um tipo de comportamento que, entre as mentes mais fracas, acabará incentivando a que passem da retórica à ação…

Como não é crime desejar, pregar, incentivar o desprezo pelos valores humanos mais essenciais, e como as autoridades de todos os níveis e instâncias parecem não dar a menor bola para o assunto, essa onda amorfa e repugnante só tende a crescer.

Caberia uma campanha publicitária de iniciativa do Estado exaltando valores humanistas e condenando esse tipo de mentalidade. Contudo, devido à sua crescente popularização a classe política demonstra claramente que não pretende se indispor com contingentes tão amplos de cidadãos. Enquanto isso, a onda vai crescendo.

Está se formando uma geração de bestas-feras, insensíveis, truculentas, perversas, que, um dia, terá poder sobre as vidas de todos os brasileiros. E não há autoridade que faça a menor menção de se opor a esse horror por conta dos interesses mesquinhos e da covardia da classe política. Espero não viver o suficiente para ver esse Brasil que está sendo gestado.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dívidas e trabalho infantil sustentam escravidão por décadas

Parte das vítimas encontradas em olarias de Gouvelândia (GO) nasceu e passou mais de 30 anos enfrentando um quadro de servidão por dívidas, condições degradantes e outras precariedades na produção de tijolos

Por Bianca Pyl no Repórter Brasil

Alguns dos 64 trabalhadores libertados de olarias em Goiás eram submetidos a trabalho escravo desde que vieram ao mundo. Integrantes da operação que inspecionou a área confirmaram que parte das vítimas nasceu e passou mais de 30 anos enfrentando um quadro de servidão por dívidas, condições degradantes e outras precariedades na atividade de produção de tijolos.

Além das dívidas ilegais (que em alguns casos chegavam a R$ 16 mil), os donos das 17 olarias flagradas com escravidão retinham objetos pessoais - como  roupas, panelas e até um berço - como forma de garantia de pagamento. Para completar, sete adolescentes (três deles com menos de 16 anos) laboravam diariamente das 4h às 10h da manhã, antes de ir à escola. 

Todas essas violações foram descobertas por uma equipe composta por auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE/GO), procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT), agentes da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Situadas na zona rural do município de Gouvelândia (GO), as olarias divididem-se em três regiões (que também dão nomes às fazendas): Bonita, Caracol e Buriti Alto.
Algumas das vítimas eram submetidas à escravidão há mais de 30 anos (Foto: SRTE/GO)


Realizada entre 14 de março e 16 de abril, a fiscalização foi motivada por denúncias do MPT, do Ministério Público Estadual (MPE) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Quirinópolis (GO).

Trabalho infantil

"O principal objetivo era combater o trabalho infantil nas olarias. Por conta do trabalho intenso antes das aulas, os adolescentes chegavam cansados à escola e isso comprometia o rendimento escolar", afirma Roberto Mendes, auditor fiscal do trabalho que coordenou a operação.

O trabalho pesado de produção dos tijolos era ensinado pelos pais aos filhos (tanto meninos quanto meninas), que também iniciaram eles mesmos o trabalho em olarias ainda quando adolescentes.

Nenhum dos oleiros possuía Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CTPS) assinada. Portanto, não tinham nenhum direito trabalhista garantido. Durante o período das chuvas, não havia trabalho nem salários, pois o pagamento era feito de acordo com a produção. Em função disso, trabalhadores se endividavam nos comércios da cidade ou mesmo com os próprios empregadores por meio da venda antecipada de tijolos a preços mais baixos.

Antes de ir para a escola, adolescentes trabalhavam das 4h às 10h da manhã (Foto: SRTE/GO)


O passivo irregular de algumas famílias alcançava até R$ 16 mil. "O trabalhador se endividava e era coagido moralmente a permanecer no local por conta das dívidas", relata o coordenador da fiscalização.

A fiscalização foi informada ainda de dois casos de retenção de objetos pessoais para garantia de que os débitos seriam quitados. Em um dos casos, os objetos pessoais do trabalhador estavam retidos e foram entregues na presença de auditores ao irmão da vítima. Outro trabalhador contou que seus pertences pessoais e sua mobília (fogão velho, mesa, baú e roupas) estavam retidos há dois anos pelo empregador.

"Conversamos com o empregador, na presença de seu advogado, e o mesmo fez a devolução dos objetos que estavam em seu poder", acrescenta Roberto. Para o auditor, esses fatos possuíam dimensão coletiva, uma vez que, de forma indireta, os outros acabavam intimidados.

Quadro degradante

Juntamente com a servidão por dívida, também foram constatadas condições degradantes. As famílias moravam em "construções" precárias: os telhados eram feitos de lona e as paredes estavam rachadas e escoradas com pedaços de madeira. Muitas casas corriam risco de desabar.
Alojamentos usados eram extremamente precários e corriam risco de desabar (Foto: SRTE/GO)


As famílias não tinham acesso a instalações sanitárias adequadas. As necessidades fisiológicas eram feitas no meio do mato. Para tomar banho, os empregados utilizavam baldes, A água consumida tinha aparência turva e era tirada de poços abertos. Nas fazendas onde funcionavam as olarias, o esgoto corria a céu aberto: não havia fossas sanitárias. As instalações elétricas estavam irregulares e havia exposição a choques.

No decorrer da operação, os auditores identificaram também a falta de fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs). Jovens já apresentavam problemas de saúde decorrentes dos processos arcaicos de produção. Os empregados reclamaram, principalmente, de dores na coluna, decorrentes de posturas incorretas durante o trabalho.

O problema relacionado à postura era agravado pelo excesso de peso e pelos movimentos repetitivos que afetavam principalmente a coluna dos trabalhadores. Em média, dois oleiros produziam 100 mil tijolos a cada dois meses, segundo as contas do coordenador da fiscalização.
Não havia instalações sanitárias adequadas e a
água consumida no local era turva  (SRTE/GO)

"Imagine a quantidade de movimentos que tiveram que fazer para chegar a essa produção. Tiveram que cortar o barro 100 mil vezes e agachar 100 mil vezes para colocar os tijolos no chão. Depois, fizeram esforços mais algumas milhares de vezes para recolher os tijolos, outros milhares de vezes para empilhar os tijolos para queima", ilustra Roberto, da SRTE/GO.

As famílias eram oriundas da própria região e alguns moravam há décadas na referida área de produção de tijolos. Os empregados mudavam de olaria em olaria porque há muitos estabelecimentos desse tipo no perímetro fiscalizado.

Além dos trabalhadores que nasceram nas olarias, outras vítimas estavam no local há 10 e até 15 anos. A situação fez com que a fiscalização se deparasse com o problema da ausência de locais para servirem de abrigo aos libertados. Parte das vítimas não tinha para onde ir.

"No desenrolar da operação, todos conseguiram lugar para morar. Alguns mudaram para casas de parentes e outros alugaram casas na cidade com as verbas que receberam", completa Roberto Mendes.

Providências tomadas

Paralelamente ao total descumprimento das normas trabalhistas, verificou-se que nenhuma das olarias possuía licenciamento ambiental para funcionamento. A madeira utilizada na queima dos tijolos era de lei (ipê, aroeira, pequi, sucupira etc.) e não possuía documentação de procedência.


Madeira utilizada na queima de tijolos não tinha
documentação alguma de origem (Foto:SRTE/GO)


Os tijolos produzidos eram vendidos para depósitos nos municípios de Santa Helena (GO), Quirinópolis (GO) e Rio Verde (GO). Neste último, a produção era recebida pelo depósito Sarico. O MPT deve notificar o estabelecimento em questão e propor a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Foram inspecionadas 32 olarias. Apesar de todas terem sido interditadas, houve libertação de trabalhadores em 17. Nas demais, foram registradas diversas irregularidades trabalhistas.

"[Nas 15 olarias em que não houve resgate] Não ficou configurado o trabalho degradante porque as moradias estavam em condições melhores", esclarece Roberto. Para o levantamento das interdições, os empregadores terão que cumprir uma série de exigências que vão desde fornecimento de EPIs à construção de novas e melhores alojamentos.

Foram lavrados, ao todo, 110 autos de infração e as verbas rescisórias pagas totalizaram mais de R$ 223 mil. A quantia foi paga pelos supostos arrendatários e também pelos donos das fazendas.

Os auditores da SRTE/GO autorizaram a liberação do Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado. São três parcelas no valor do salário mínimo (R$ 545) cada para uma das vítimas de escravidão.

Somado a isso, a Usina São Francisco, por intermédio do STR de Quirinópolis (GO), se dispôs a contratar todos os trabalhadores resgatados que manifestaram interesse em atuar nas lavouras da cana-de-açúcar. "Os salários, inclusive, são maiores do que recebiam nas olarias. Alguns empregados já iniciaram o trabalho na usina", adiciona o coordenador Roberto.

Além das multas, os empregadores poderão responder a processos criminais por submissão de trabalhador à condição de escravo.


PS do Blog: A situação não é diferente nas usinas e lavouras do Norte Fluminense, basta uma fiscalização séria do Ministério do Trabalho para se ter uma visão real do que acontece nestaregião.