quinta-feira, 23 de junho de 2011

A rebeldia dos jovens que nos faz tanta falta




por Emir Sader no Blog do Emir

Entre tantas frases estimulantes e provocadoras que as rebeliões populares no mundo árabe e agora na Europa, essencialmente protagonizada por jovens, fizeram ecoar pelo mundo afora, a que mais nos incomoda – com toda razão – é aquela que diz: “E quando os jovens saíram às ruas, todos os partidos pareceram velhos.”
Aí nos demos conta – se ainda não tínhamos nos dado – da imensa ausência da juventude na vida política brasileira. O fenômeno é ainda mais contrastante, porque temos governos com enorme apoio popular, que indiscutivelmente tornaram o Brasil um país melhor, menos injusto, elevaram nossa auto estima, resgataram o papel da política e do Estado.

Mas e os jovens nisso tudo? Onde estão? O que pensam do governo Lula e da sua indiscutível liderança? Por que se situaram muito mais com a Marina no primeiro turno do que com a Dilma (mesmo se tivessem votado, em grande medida, nesta no segundo turno, em parte por medo do retrocesso que significava o Serra)?
A idade considerada de juventude é caracterizada pela disponibilidade para os sonhos, as utopias, a rejeição do velho mundo, dos clichês, dos comportamentos vinculados à corrupção, da defesa mesquinha dos pequenos interesses privados. No Brasil tivemos a geração da resistência à ditadura e aquela da transição democrática, seguida pela que resistiu ao neoliberalismo dos anos 90 e que encontrou nos ideais do Fórum Social Mundial de construção do “outro mundo possível” seu espaço privilegiado.

Desde então dois movimentos concorreram para seu esgotamento: o FSM foi se esvaziando, controlado pelas ONGs, que se negaram à construção de alternativas, enquanto governos latino-americanos se puseram concretamente na construção de alternativas ao neoliberalismo; e os partidos de esquerda - incluídos os protagonistas destas novas alternativas na América Latina -, envelheceram, desgastaram suas imagens no tradicional jogo parlamentar e governamental, não souberam renovar-se e hoje estão totalmente distanciados da juventude.

Quando alguém desses partidos tradicionais – mesmo os de esquerda – falam de “politicas para a juventude”, mencionam escolas técnicas, possibilidades de emprego e outras medidas de caráter econômico-social, de cunho objetivo, sem se dar conta que jovem é subjetividade, é sonho, é desafio de assaltar o céu, de construir sociedades de liberdade, de luta pela emancipação de todos.

O governo brasileiro não aquilata os danos que causam a sua imagem diante dos jovens, episódios como a tolerância com a promiscuidade entre interesses privados e públicos de Palocci, ou ter e manter uma ministra da Cultura que, literalmente, odeia a internet, e corta assim qualquer possibilidade de diálogo com a juventude – além de todos os retrocessos nas políticas culturais, que tinham aberto canais concretos de trabalho com a juventude. Não aquilata como a falta de discurso e de diálogo com os jovens distancia o governo das novas gerações. (Com quantos grupos de pessoas da sociedade a Dilma já se reuniu e não se conhece grandes encontros com jovens, por exemplo?)

Perdendo conexão com os jovens, os partidos envelhecem, perdem importância, se burocratizam, buscam a população apenas nos processos eleitorais, perdem dinamismo, criatividade e capacidade de mobilização. E o governo se limita a medidas de caráter econômico e social – que beneficiam também aos jovens, mas nãos os tocam na sua especificidade de jovens. Até pouco tempo, as rádios comunitárias – uma das formas locais de expressão dos jovens das comunidades – não somente não eram incentivadas e apoiadas, como eram – e em parte ainda são – reprimidas.

A presença dos jovens na vida publica está em outro lugar, a que nem os partidos nem o governo chegam: as redes alternativas da internet, que convocaram as marchas da liberdade, da luta pelo direito das “pessoas diferenciadas” em Higienópolis, em São Paulo, nas mobilizações contra as distintas expressões da homofobia, e em tantas outras manifestações, que passam longe dos canais tradicionais dos partidos e do governo.

Mesmo um governo popular como o do Lula não conseguiu convocar idealmente a juventude para a construção do “outro mundo possível”. Um dos seus méritos foi o realismo, o pragmatismo com que conseguiu partir da herança recebida e avançar na construção de alternativas de politica social, de politica externa, de politicas sociais e outras. Os jovens, consultados, provavelmente estarão a favor dessas politicas.

Mas as mentes e os corações dos jovens estão prioritariamente em outros lugares: nas questões ecológicas (em que, mais além de ter razão ou não, o governo tem sistematicamente perdido o debate de idéias na opinião pública), nas liberdades de exercício da diversidade sexual, nas marchas da liberdade, na liberdade de expressão na internet, na descriminalização das drogas leves, nos temas culturais, entre outros temas, que estão longe das prioridades governamentais e partidárias.

Este governo e os partidos populares ainda tem uma oportunidade de retomar diálogos com os jovens, mas para isso tem assumir como prioritários temas como os ecológicos, os culturais, os das redes alternativas, os da libertação nos comportamentos – sexuais, de drogas, entre outros. Tem que se livrar dos estilos não transparentes de comportamento, não podem conciliar nem um minuto com atitudes que violam a ética publica, tem que falar aos jovens, mas acima de tudo ouvi-los, deixá-los falar. Com a consciência de que eles são o futuro do Brasil. Construiremos esse futuro com eles ou será um futuro triste, cinzento, sem a alegria e os sonhos da juventude brasileira.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil



Editora Fundação Perseu Abramo lança novo título com pesquisa de opinião pública e reflexões sobre a temática LGBT e a homofobia.
No mês Internacional do Orgulho LGBT, a Editora Fundação Perseu Abramo (EFPA) lança o título “Diversidade sexual e homofobia no Brasil”. A publicação é resultado da pesquisa “Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil – Intolerância e Respeito às Diferenças Sexuais”, realizada no ano de 2009, em parceria com a fundação alemã Rosa Luxemburg, sob coordenação do Núcleo de Opinião Pública (NOP) da Fundação Perseu Abramo.
Em um período histórico pontuado pelo debate sobre os Direitos Humanos, contrapondo-se a recente inversão nos discursos conservadores e reacionários da sociedade, o livro aborda as questões da homofobia. Cidadãs e cidadãos do Brasil, hetero, homo e bissexuais, redimensionam o debate sobre temas como intolerância às diferenças, identidade de gênero, orientação sexual, exposição e a construção da personagem LGBT na mídia.
Partindo da opinião pública para a esfera da análise e da intelectualidade, militantes, estudiosos e pesquisadores ligados ao tema LGBT e sexualidade foram convidados a interpretar panoramas e revelações da pesquisa, como a questão da homofobia e da permanência do preconceito, da discriminação e da violência homofóbica entre os brasileiros.
Organizados pelos pesquisadores Gustavo Venturi e Vilma Bokany, treze artigos evidenciam as necessidades com medidas de políticas públicas. Na prática, apesar das conquistas efetivadas, os textos denotam a negação do exercício da cidadania plena a uma parcela significativa da sociedade brasileira, seja na área da saúde, educação e outros direitos constituídos.
Para além dos dados: a interpretação dos resultados
De caráter multitemático, os artigos se debruçam sobre as perspectivas dos dados, a conjuntura nacional, os fatos e os apontamentos para as conquistas de equiparidades. No primeiro artigo, Julian Rodrigues, coordenador nacional do Setorial LGBT do Partido dos Trabalhadores (PT), situa a luta pelo reconhecimento da diversidade sexual e dos direitos LGBTs na história ocidental, com a ampliação da noção de direitos humanos. A ênfase recai sobre o regime democrático brasileiro, as exclusões e a importância da laicidade no Estado.
Escritora, cantora e ativista pelas lutas das mulheres, Vange Leonel reflete em “Lesbofobia” sobre as pautas dos discursos machistas, patriarcais, lesbofóbicos e misóginos. Assunto recorrente da mídia, as transexuais e travestis ganham destaque nos textos “Transexuais: identidade e cidadania”, de Elizabeth Zambrano, e “Travestis: entre a atração e a aversão”, de Keila Simpson.
“No artigo: ‘Viver sob ameaça: preconceito, discriminação e violência homofóbica no Brasil’, de Sérgio Carrara e Paula Lacerda, observamos a tendência à intolerância entre homens heterossexuais jovens – contrariando a expectativa de maior compreensão da juventude em relação a questões que envolvem valores morais – e apontam contradições na visão da opinião pública sobre a homossexualidade, as quais sugeririam a conformação de uma espécie de ‘ética particular’ que, oscilando entre considerá-la uma falha moral e uma doença, tende a tolerá-la desde que confinada a quatro paredes”, pontuam Gustavo Venturi e Vilma Bokany, organizadores do livro.
Lula Ramires em “Homofobia na escola: o olhar de um educador social do movimento LGBT” discute o papel do corpo docente em relação à preconização do preconceito e do bullyng nas escolas. O título ainda é composto pelos artigos “Identidade de gênero, orientação sexual e vulnerabilidade social: pensando algumas situações brasileiras”, de Fernando Seffner, “Homofobia, hierarquização e humilhação social”, por Marco Aurélio Máximo Prado e Rogério Diniz Junqueira, “A intersecção dos conjuntos: gays e lésbicas negras em confronto com as hegemonias e sub-hegemonias”, de Robenilton dos Santos Luz, “Prevenção ao HIV/AIDS, estigmatização e vulnerabilidade”, assinado por Gabriela Calazans, “Presença LGBT na mídia”, de Léo Mendes, “Legislação brasileira e homofobia”, sob a autoria de Maria Berenice Dias.
Em “Da construção dos dados à cultura da intolerância às diferenças”, artigo que fecha o livro, o pesquisador e organizador Gustavo Venturi, antecede o Anexo com a síntese dos principais resultados da pesquisa, realizando um comparativo entre as já realizadas e novas possibilidades de abordagens. No anexo de 64 páginas coloridas, a seleção traz 109 quadros com tabelas e gráficos.
A pesquisa está disponível no Portal da Fundação Perseu Abramo: http://migre.me/4EEL3
Editora Fundação Perseu Abramo e a Diversidade Sexual
Nascida do desejo e do objetivo em aprofundar o conhecimento sobre a sociedade brasileira, suas transformações e especificidades históricas, a Editora da Fundação Perseu Abramo desde a sua fundação, verbaliza e propõe o debate sobre a questão da identidade de gênero, da orientação sexual, da diversidade e da luta das minorias contra o preconceito e a exclusão do papel de cidadania e garantia de direitos.
Destaque para ”Na trilha do arco-íris – Do movimento homossexual ao LGBT”, de Júlio Assis Simões e Regina Facchini, lançado no ano de 2009. Vencedor no quesito literatura do 10º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade, promovido Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) em 2010, o livro narra uma trajetória de vitórias e desafios desde a década de 1970, para a implantação de políticas e direitos aos LGBT.
“O negócio do michê: a prostituição viril em São Paulo”, de Néstor Perlongher, lançado em 2008, merece atenção na abordagem do assunto, sob a perspectiva das densidades sociais.

Ficha Técnica:
Título: “Diversidade sexual e homofobia no Brasil”
Organizadores: Gustavo Venturi e Vilma Bokany
Ano: 2011 – número de páginas: 252 – ISBN: 978-85-7643-084-1
Valor: R$ 45,00

Sobre os organizadores:
Gustavo Venturi é professor do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), é assessor científico ad-hoc do Núcleo de Opinião Pública (NOP) da Fundação Perseu Abramo.
Vilma Bokany é mestranda em Sociologia (PUC-SP), e também, analista do NOP.
Editora Fundação Perseu Abramo: Fundada em 1997, a Editora é um espaço para o desenvolvimento de atividades de reflexão político-ideológica, estudos e pesquisas, destacando a pluralidade de opiniões, sem dogmatismos e com autonomia. Conta com mais de 180 livros em catálogo. Website: www.efpa.com.br – twitter:@editora_perseu
Fundação Perseu Abramo: Completando 15 anos de existência neste ano, é um espaço para o desenvolvimento de atividades de reflexão político-ideológica, estudos, pesquisa e formação política. Criada em 1996 pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), a Fundação realiza pesquisas nacionais sobre temas de interesse da sociedade, publica livros e revistas que traduzem o pensamento de esquerda e progressista. Mantém o acervo histórico do PT e da esquerda, realiza seminários e debates em todo o país e em eventos internacionais, mantém relações com instituições do Brasil e do exterior. Por meio de seu Núcleo de Opinião Pública (NOP), a Fundação já realizou, entre outras, pesquisas sobre Cultura Política e Cidadania, Juventude, Idosos, Mulheres, Racismo e Homofobia.
Fundação Rosa Luxemburg (Rosa Luxemburg Stiftung – RLS): Fundada na Alemanha em 1990 e, desde 1992, é uma fundação política próxima ao antigo Partido do Socialismo Democrático (PDS), hoje o Partido de Esquerda (Die Linke). Os princípios que orientam o trabalho da Fundação estão fundados nas ideias do socialismo democrático, internacionalismo, antifascismo e antirracismo.

fonte: http://www.mariafro.com.br/

ovo de colombo quebrado




hoje vou sair mais uma vez
pelas trilhas do macuco
com o olhar absoluto
foto grafando tralhas e troços
e a beleza insignificante
das coisas esquecidas pelo chão

arturgomes

terça-feira, 21 de junho de 2011

Em tuitaço, ativistas propõem questionamento virtual de ministro

 

por Luiz Carlos Azenha no VioMundo
Carolina Ribeiro pertence ao Coletivo Intervozes.

Ela também é ativista da campanha Banda Larga é Um Direito Seu!
A campanha é tocada por várias entidades da sociedade civil, inclusive o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), que fez um levantamento amplo sobre o estado da banda larga no Brasil.

Carolina participou, em Brasília, como representante da campanha, do II Encontro Nacional de Blogueiros.

Viu a palestra do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Os ativistas promovem, amanhã, um tuitaço, ou seja, o uso do twitter para promover a hashtag #minhainternetcaiu (na mão das teles), agregando nas mensagens o twitter do ministro, que é @Paulo_Bernardo.

Diz a Carolina:
“São as empresas [de telefonia] que vão definir quem pode e quem não pode ter banda larga no país”

“Qualquer pessoa que tem internet no Brasil sabe que é caro, que cai toda hora, que é bem ruim na média mundial, inclusive”

“Ele [Paulo Bernardo] tá deixando de fazer o que deveria fazer com o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), tá diminuindo o orçamento da Telebrás e não obrigando que o serviço seja prestado no regime público, que vai garantir universalidade, continuidade e qualidade; ao invés disso, tá negociando no varejo para que elas [as teles] possam oferecer aqui e ali”.

Para ouvir a entrevista completa, clique abaixo.


 

segunda-feira, 20 de junho de 2011