fulinaíma

terça-feira, 22 de maio de 2012

20 de fevereiro



O genial Itamar Assumpção e Isca de Polícia ao vivo em 1983. Parte 1
O show tem por base os dois primeiros discos de Itamar: "Beleléu, Leléu, Eu" e "Às Próprias Custas". E viva a Vanguarda Paulistana. Fantástico!

fosse quântico esse dia
calmo claro intenso inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria

mesmo que em meio a tarde
TROVOADAS tempestades
insanidades guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria

20 horas
20 noites
20 anos
20 dias

até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria 

arturgomes

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Artur Gomes entrevista Junior Brassalotti



Sidney Herzog e Junior Brassalloti - foto: Artur Gomes

Os atores santistas Junior Brassalotti e Sidney Herzog passaram por Campos dos Goytacazes no último final de semana com o sensacional espetáculo Palhaçada Federal, provocando gargalhadas gerais no Teatro do Sesc onde foi apresentado na última sexta feira 11.

Junior, além de ator e produtor cultrual é Diretor de Produção do Festival Curta Santos, que este ano chega a sua décima edição com uma homenagem ao futebol arte em suas várias Mostras, que será realizada de 17 a 23 de setembro.

Além disso Junior tem sido um grande parceiro na divulgação do Festival de Cinema do IFF. Aproveitando sua estada entre nós, o levamos para conhecer os Espaços do Campus Campos Centro, onde começamos a aprofundar uma parceria onde breve possamos ter em nosso campus uma Retrospectiva de várias Edições do Curta Santos.

A seguir um bate papo com Junior Brassalotti sobre Teatro e Cinema
1. Como começou o Festival Curta Santos?
Começou como todo bom projeto de cultura: numa mesa de bar! Num bate papo logo após o encerramento de um festival estadual de teatro que organizávamos aqui, Bete Mendes e o escritor e cineasta José Roberto Torero, que eram homenageados no evento, comentaram que poderíamos fazer um festival de cinema, que a cidade era ideal para isso e etc. Ficou por ai a ideia mas a vontade surgiu. No ano seguinte, recebemos uma ligação do Torero que tinha marcado uma reunião com a produtora dele de São Paulo, a Zita Carvalhosa, que é a diretora do festival Internacional de Curtas Metragens de São paulo, um dos 5 maiores do mundo e lá fomos nós conhecê-la. Trouxemos uma mostra itinerante do festival pra Santos aquele ano, 2002 e tínhamos uma mostra de filmes regionais, a mostra Curta Santos - Olhar Caiçara, apareceram 26 curtas, que exibimos sem seleção a titulo de incentivo, na edição do ano passado tivemos mais de 180 trabalhos produzidos pela Região... e o mais interessante não é o crescimento numérico, e sim qualitativo.
 2. Como é você um homem de teatro estar a frente de um Festival de Cinema?
   
É unir o útil ao agradável. Comecei no teatro pois era apaixonado por cinema, não sabia que um dia iria conseguir trabalhar com cinema, ainda mais na produção de algo que me possibilita ser o elo de ligação  de obras fantásticas com o público. Ao pensar cultura, penso em acesso, filmes são feitos para serem vistos, é um orgulho poder ajudar tantos filmes a circular e encontrar suas platéias! Fora que podemos brincar todo ano com o fazer teatral nas nossas aberturas, onde não seguimos o padrão dos festivais, que é exibição e falas institucionais, fazemos grandes e elaboradas  encenações, homenagens ensaiadas com grupos de teatro, bailarinos, bandas, fazemos um show realmente onde os palcos dos teatros celebram a eternidade que o cinema dá ao trabalho dos artistas.
3. Como você vê a perspectiva de uma parceria do curta Santos com o Festival de Cinema do IFF?

É algo muito rico e que deve servir de exemplo pra tantas instituições e festivais. Desde sempre nós tentamos achar parceiros criativos, com os quais possamos realizar ricos intercâmbios e trocas de experiências onde quem sai ganhando, mais uma vez é o publico e o realizador, que vê sua obra indo ao  quatro cantos através de parcerias como essa. Fora que tive o prazer de conhecer  os espaços da IFF e ver a estrutura física fantástica de lá e a provocação e formação de cidadãos criativos e pensantes que, com certeza, farão diferença na sociedade.
4. Recentemente você e Sidney Herzog, passaram por Campos dos Goytacazes apresentando o espetáculo Palhaçada Federal no Teatro do Sesc  seguido de um bate papo descontraído comum grupo de estudantes. Para vocês houve alguma novidade na colocação deles sobre a problemática que o espetáculo coloca em discussão?

Houve sim, na medida que estávamos em outra cidade com uma configuração política diferente (ou igual?) a nossa aqui em Santos. Aliás, adoramos nossa passagem por Campos, publico atento, vivo, participativo, que interagiu, riu, dialogou. Muito gostoso mesmo! Tivemos várias impressões, subjetivas e objetivas a respeito do espetáculo e principalmente sobre o tema, pudemos entrar em contato com pessoas que se indignam com os absurdos dos nossos representantes eleitos e propor um ágora, um espaço de discussão, não apenas estética, mas de ideias, de troca de angústias e de utopias possíveis. Voltamos pra Santos repensando várias coisas a partir do papo com a plateia de Campos, o que só enriquece nosso trabalho.
5. A opção por uma linguagem circense no Palhaçada Federal, foi a forma encontrada para que vocês pudessem apresentar ao público de uma forma bem humorada, um conteúdo tão sério, como a corrupção política no país? 

Sim, o circo é a maneira que esse coletivo encontrou para dialogar com sua plateia. Utilizamos a linguagem circense para ajudar a contar nossa história, e através da poesia visual e lúdica do circo e do riso do palhaço, botar o dedo em algumas feridas do Brasil, em especial na corrupção na política brasileira, que tem a capacidade de nos surpreender a cada dia, quando pensamos que já vimos tudo... lá vem eles com um estratagema novo! E lá estamos nós, atentos. Queremos sim o riso, é nossa função, mas o riso acompanhado da reflexão, afinal a raiz do riso é sempre a lágrima.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Curta Santos - inscrições até 17 de junho


Consolidado como um dos mais importantes eventos dedicados ao audiovisual do país, tendo inclusive superado a marca de 1 milhão de espectadores em suas duas últimas edições, o Curta Santos – Festival Santista de Curtas Metragens recebe inscrições para a sua 9ª edição, até 17 de junho, por meio do site www.curtasantos.com.br.

O tema deste ano é “Para Todas as Mulheres do Mundo” e os realizadores podem inscrever seus filmes – com até 20 minutos de duração - em quatro mostras competitivas: Olhar Brasilis, Videoclipe Brasilis, Olhar Caiçara e Videoclipe Caiçara

As duas primeiras tem abrangência nacional e reunirão, respectivamente, os melhores curtas produzidos recentemente e os melhores videoclipes, independente da data de realização. Já as duas últimas seguem o mesmo formato, mas são restritas à produção regional, do litoral de São Paulo.

Mais sobre o tema
Desde seu surgimento, o cinema retratou a mulher de forma especial. No início, como fetiche do mundo masculino: fatal, heroína, devoradora de homens. Depois, a figura feminina emancipou-se e passou a buscar seu espaço próprio. Assim, o Festival pretende homenagear “todas as mulheres do mundo”: das atrizes às filósofas, das pensadoras às operárias, do planeta Terra à Mãe Natureza. 

O verde é a cor da nona edição e, por meio dele, o Festival abre mais um assunto para reflexão: a sustentabilidade. Desta vez, partindo do princípio do “olhar feminino”, pretende trabalhar a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável por intermédio do audiovisual. O subtema visa aguçar a discussão sobre o crescimento econômico prejudicial ao meio ambiente - e incentivar a participação ativa do público em ações que zelam pelo futuro da região e do planeta. 

O festival
O 9º Curta Santos será realizado no mês de setembro e contará com cinco dias de programação totalmente gratuita. Além de romper paradigmas, rever conceitos e estimular novos caminhos para o audiovisual – premissas adotadas desde a primeira edição –, o Festival tem como objetivo fundamental oferecer ao público sessões de curtas, médias e longas-metragens (os dois últimos, em mostras não-competitivas) com produções de qualidade, que estão fora do circuito comercial. Mesas redondas, oficinas e debates com profissionais da área sustentam a proposta. 

Em oito anos de trajetória, o Festival já contou com a participação de grandes nomes do cinema nacional, como José Wilker, Matheus Nachtergaele, Paulo César Pereio, Paulo José, Ney Latorraca, Ana Lucia Torre, Dira Paes, Betty Faria, Leona Cavali, Sergio Mamberti, Bete Mendes e Eva Wilma, além de cineastas como Carlos Manga, Carla Camurati, Zita Carvalhosa, Eliane Caffé, Ewaldo Mocarzel, Jose Mojica Marins, Beto Brant, Lírio Ferreira, Carlos Reichenbach, Allan Fresnot, Tata Amaral, Allan Sieber e Toni Venturi, dentre outros.

Realização

A direção geral do 9º Curta Santos é de Ricardo Vasconcellos, com direção de produção de Junior Brassallotti. Os dois estiveram ao lado do diretor Toninho Dantas (1948-2010) desde as primeiras edições do evento, contribuindo decisivamente para seu reconhecimento em âmbito regional e nacional. A direção de mostras é assinada por Tássia Albino e Rodrigo Zerbetto Chehda, a coordenação de produção. 

O 9º Curta Santos - Festival Santista de Curtas Metragens é apresentado por Petrobras; com realização da Olhar Caiçara e Associação dos Artistas do Litoral Paulista; conta com a parceria da Prefeitura Municipal de Santos, Sistema A Tribuna de Comunicação, TV Tribuna, Rádio Jovem Pan Santos, Cine Roxy e Sesc Santos; e apoio da Impacto, Poiesis e Oficinas Culturais Pagu e Governo do Estado de São Paulo. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Metáfora 1


Isadora Predebon

suspenso no ar
as vezes penso
se devo pensar tanto
como uma poema de Mayakovisk
ela um dia virá ao meu encontro
e ressuscitará o poema que ontem não nasceu
a vida é só flores ela me disse
clarice em cada coisa
tem o instante em que ela é
as vezes também penso
ela não virá
aí vou para praça jogar milho aos pombos
ao jardim zoológico dar comida aos patos
os meus sapatos já conhecem os anos de espera
na última primavera os lírios não nasceram
e as rosas eram só espinhos
com minha língua na faca cortei a fala
ainda na garganta
e fui pra sala afiar o taco
ela nã sabe que o vinho que guardei pra ela
é de uma safra especial de Bacco

arturgomes

quinta-feira, 3 de maio de 2012

um passeio pelo campus com alunos da oficina cine vídeo


mais um vídeo produzido na Oficina Cine Vídeo – IFF Campus Campos Centro - Trilha sonora da banda Riverdies – edição:Larissa Vianna – direção: Artur Gomes

veraCidade

porque trancar as portas 
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada  
na carne da rua aurora

artur gomes

a voz do ventríloquo