fulinaíma

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

poéticas fulinaímicas



Retirante

quando ele apareceu por aqui
já trazia o coração mordido de balas:
marcas de insetos na  carne-morango.
e uma hora falava sobre mulheres
que secaram o leite dos peitos
amamentando a sanha dos fogões;
noutra, sobre homens que sangraram
o chão das costas saciando a sede
dos quartéis em pontaria. e foram
tantos os tintins, tantans, histórias,
os tangos e as guarânias, que nem
sei se ouvi direito: por cá, também,
tenho vivido a paz da boca da serpente
e o cio que açula as canções. dia desses,
ouvi dizer que ele desapareceu
na caravana dos enluarados, a uivar
litanias nas cordas de um charango.

Salgado Maranhão
Do livro A Cor da Palavra
Prêmio da Academia Brasileira de Letras - 2011





antLírica


eu não sou zen
muito menos zhô
nem tão pouco
zapa
nem ando na contra capa
do teu disquinho
digital
não alinho pela esquerda
nem à direita do fonema
vôo no centro/viagem
olho rasante/miragem
veia pulsante/poema

Artur Gomes 
na Feira do Livro de Brasília - de 20/11 a 1/12






Poética 68

era para ser assim como se foice
no papel de seda era língua e sangue
unhas muitos dedos dentes
nos teus céus de boca
era assim como se fosse
meus olhos no cinema
nos teus olhos presos
e o destino do poema teus lábios indefesos

artur gomes



artur gomes - poesia in concert no 27 Psiu Poético - Montes Claros-MG


Jura Secreta 34

te amo e amor não tem nome pele ou sobrenome não adianta chamar que ele não vem quando se quer porque tem seus próprios códigos e segredos mas não tenha medo pode doer pode sangrar e ferir fundo mas é razão de estar no mundo nem que seja por segundo por um beijo mesmo breve porque te amo no sol no sal no mar na neve

Artur Gomes




may pasquetti - musa da minha canon



4º Circuito Cultural de Arte entre Povos
Oficina de Produção de Vídeo
Pedra dourada-MG – Fernanda Dias – Pérola Dourada

Jura Secreta 115

esse teu olho que me olha azul safira ou mesmo verde esmeralda fosse pedra pétala rara carne da matéria doce ou mesmo apenas fosse esse teu olho que me molha quando me entregas do mar toda alga que me trouxe

Artur Gomes


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