fulinaíma

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

por onde minha língua passeia 2

Lau Siqueira 
 fotografado por Artur Gomes - 31ª Feira do Livro de Brasília-DF

tese
de machado

no entalhe
a madeira se reparte

com porte de quem
cumpre o rito criador

o machado parte

a árvore tombada
já não é a mesma

virou linguagem
substrato se signo de
abismo e arte

Lau Siqueira
in Poesia Sem Pele







atravesso teus 5 sentidos

dos poros ao pé do ouvido

concreto
te viro pelo avesso
como um lance de dedos
que arremesso
sem ao menos saber teu endereço

Sesc da Tijuca - Rio de Janeiro-RJ
Rua Barão de Mesquita, 539
fone: (21)3238-2156





antro
pofágica

como qualquer língua
nua & crua
como dragão de são jorge
como até carne da lua

artur gomes
www.pelegrafia.blogspot.com







DOR


na fria noite lancei meu achego

querendo ao meu lado quem não me precisa

sou assim, entendo a dor



no brinde solitário com a indiferença
sinto a secura do momento
antes revestido de ternura

palavras e gestos descabidos de sentido
selam a fria noite agora vazia
de entendimento

acarreando o seu pesar 
a quem não se digna a esse
trato frio que machuca

tristeza vivida no desprezo
de uma entrega sincera 

não há mal maior 
daquele que não absorve
enquanto pode
o valor de um afago 

perdas desadormecem fragilidades
do tempo que nos resta
e necessito gritar a vida

extrair o máximo 
de pessoas que me pertencem
pelo maior tempo possível

Não sei quando findo, pode ser amanhã
hoje...quem sabe?

e nessa espera
tutelado será quem guardo aqui dentro
dizimando na medida que posso
o sofrimento que lhe afeta

e quando não me fizer presente
na distância lanço de mim a volição
de que matinadas vividas nessa estreiteza no peito
passarão...

assim deseja quem ama!


Flavia D'Angelo








por onde passeio minha língua 2




tenho aqui

a língua

no meu céu da boca
o
coração em cantos
entre uma vértebra e outra
e 
a flor de lotus
no jardim das quantas
tua fome tanta
me mordendo as coxas

entre esperma e sangue
onde colho os lírios
entre um beijo e dor
não comi teu fruto
do desejo ainda
e esse gosto tenho
entre língua e dentes
pois sonhei teu corpo
numa mesa farta
onde bebi nas noites
este teu leite quente


Artur Gomes

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