fulinaíma

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Poesia do Brasil - Vol. 19


Além das várias atrações do Sarau Baião de Dois, dia 13 de dezembro no SINASEFE, estaremos sorteando vários exemplares da Antologia Poesia do Brasil - Vol. 19 - Publicada pela Editora Grafite coordenação de Ademir Antonio Bacca lançada no XXII Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves-RS .

Sarau Baiuão de Dois
https://www.facebook.com/events/477866525649361/?fref=ts

Mostra Cine Vídeo Curtas
https://www.facebook.com/pages/Mostra-Cine-V%C3%ADdeo-Curtas/309148895931842?fref=ts
em parceria com a Macaé Cine
https://www.facebook.com/festivalmacaecine?fref=ts


Vida Toda Linguagem
para Mário Faustino

não sei dizer
o que quer dizer esta metáfora
elétrica lâmpada musa
anima minhas tardes de chuva
senhora das nuvens de chumbo
na lírica do desassossego
eu tenho seis espadas e pedras
girassóis que roubei dos teus cabelos
o beijo que nunca mais foi dado
nos Retalhos Imortais do Serafim
linguagem um Lance de Dardos
e Mallarmé Nada Sabia de Mim

Artur Gomes 
Poesia do Brasil – Vol. 19
Ed. Grafite – Bento Gonçalves-RS
XXII Congresso Brasileiro de Poesia – outubro -2014

su realismo



em carne viva em carne crua

a noite assombra
nos lençóis da nossa cama
depois de lamber teu sexo
em carne viva carne crua

meu olho cravado em tua lua
toda branca
toda nua

a bunda virada pro mar
a frente janela pra rua

não sei quantas palavras
ainda terei que inventar
pra significar a coisa
que ainda não tem nome
a coisa cínica
a cóisa sântrica
como linha do novelo
essa onda me pega Atlântica
da sola dos pés até a ponta
do último fio de cabelo





su/realismo


no Pontal do Atalaia
penso o mar
que ainda tenho
tuas coxas brancas
peixe espada em teu aquário
espuma e sal
beijando areia

su/realismo
é minha língua em teu ouvido
lamber teu corpo despido
neste mar que me incendeia


Artur Gomes


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

poéttttikas



Poéttika 127
quando xangô e yansã se deitam

a guerreira das trevas
me atravessa com seu dardo de luz
a dor na carne dos teus olhos azuis
me desconcerta
mas não me desassossega

estamos em frente da vitrine
ela me chegou como carta do destino
acaso – ou ímã nos extremos
de uma equação que nunca se completa

lhe ofereço um short
ela não experimenta imediatamente
enquanto bebo uma cerveja
desconversa sobre a fuga
do lugar de onde esteve
tem as unhas apontadas pros meus olhos
como rajadas de ventos – temporal
fluidificando a sensação
que ainda não sei de onde veio


Artur Gomes
www.tvfulinaima.blogspot.com 







Poéttika
1996 - 2002

depois de seis anos
rasgamos o tratado de outubro
no hotel às tantas

da cidade alta
atravessei a travessia
atravessando bento

a tradição italiana
não conseguiu impedir
que eu destrancasse a  porta

quantas cartas
me queimaram os dedos
com o fogo das palavras

na cama
ela  me esperava nua
para nos comermos
pela primeira vez


 entre tuas pernas
grafitei meu corpo
no poema/gravidez

Artur Gomes




Poéttttica 25

do alto olho a cidade
lá em baixo deserta

na certa as pessoas
estão em suas casas
fechadas – trancadas

até os dentes
tamanha a solidão


Artur Gomes